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Livro Margarida Alves: 2ª Coletânea sobre Estudos Rurais e Gênero

529961_422134127881516_1477951454_nNo #MarçoMulher a que se entender a importância de mulheres fortes que superaram dificuldades e legitimaram sua autonomia perante a sociedade. Com este propósito o Núcleo de Estudos Agrários (Nead), do MDA, disponibiliza para DOWNLOAD GRATUITO o livro, Margarida Alves: 2ª Coletânea sobre Estudos Rurais e Gênero, que destaca a luta de guerreiras brasileiras, com atenção especial para as quilombolas e quebradeiras de coco babaçu.

A publicação de autoria de Ellen Fensterseifer Woortmann, Beatriz Heredia e Renata Menashe é uma coletânea de textos que abordam o tema da mulher relacionado à agricultura familiar, às comunidades tradicionais, à reforma agrária, à regularização fundiária, às políticas públicas, aos movimentos sociais, aos saberes tradicionais, à sexualidade e à violência.

Neste link  você pode baixar baixar a 1ª Coletânea ~> http://on.fb.me/W84vYo

Fonte: MDA

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Margarida Alves, Presente sempre!!

Para as mulheres camponesas, o 12 de agosto é o Dia de Luta contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária. A data lembra o assassinato de Margarida Alves, em 1983, uma grande lutadora contra as injustiças no campo que foi morta em Alago

a Grande/PB, a mando dos fazendeiros interessados em continuar explorando as trabalhadoras e trabalhadores. Os assassinos continuam soltos, nem chegaram a ser julgados.

O assassinato da Irmã Dorothy Stang, agente da Comissão Pastoral da Terra e de outros sindicalistas, neste ano, escancarou para a sociedade brasileira a realidade de violência no campo. “Também é uma violência o povo continuar sem terra, sem trabalho, sendo escravo dos fazendeiros. As trabalhadoras e trabalhadores sofrem com a falta de políticas públicas que favoreçam as(os) agricultoras(es) e incentivem a produção de alimentos. As mulheres ainda sofrem muitas injustiças. Trabalham muito sem que o seu trabalho seja valorizado.
Fonte: http://www.consciencia.net/agencia/2005/1608-mmcbrasil.html

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Devassa: não tomamos e trollamos!!

Lambes Feministas - Cupula dos Povos

Lambes Feministas - Cupula dos Povos

Lambes Feministas - Cupula dos Povos

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#NovaSchinIncentivaEstupro

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Retrato da Violência Contra a Mulher no RS

Um projeto de Vitor BaptistaLeo Tartari e Thiago Bueno para o Decoders RS utilizando dados disponibilizados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul através do portal de transparênciaCódigo no GitHub

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Denuncie o Machismo da #NovaSchinIncentivaEstupro

Saiba mais como denunciar AQUI

Leia também:

Nova Schin, Leo Burnett e Conar

NovaSchin e seus desrespeitosos “homens invisíveis” 

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Cerveja é bebida masculina, certo?

Por Maria Beatriz (@imbiacentrismo)
Cinco homens brancos bebem cerveja num quiosque de praia. Um deles questiona: “E se nós fôssemos invisíveis?” Já no plano imaginário, uma lata de cerveja flutuante representa o homem invisível, que sacaneia o jogador de frescobol, passa a mão em uma das mulheres da praia, e, por fim, entra no vestiário feminino, aterrorizando as mulheres, que saem correndo semi-nuas.
 
É esta a história da propaganda “Homem Invisível”, da marca de cervejas Nova Schin, que é veiculada há meses na TV. Porém, só por esses dias o conteúdo da campanha publicitária começou a ser debatido nas redes sociais, já causando o devido alvoroço e trazendo à tona reflexões necessárias sobre a mulher na indústria publicitária – mais especificamente no mercado da cerveja.
 
 
Mulheres saem correndo assim que “Homem Invisível” invade o vestiário feminino
Num primeiro olhar, parece uma campanha inofensiva, apenas dotada de viés cômico. Num segundo olhar, já é possível sentir uma repulsa pelo o que, mascarado com o tal de “humor”, é retratado na propaganda: mais um dos manifestos de desrespeito e objetificação da mulher no mercado da cerveja. Sem contar com o ingrediente especial desta em questão: a apologia ao estupro.
 
Analisemos: o ambiente é dos homens (o gênero que, segundo a indústria, bebe cerveja), e então, os caras resolvem imaginar o que fariam se fossem invisíveis. Numa das hipóteses, entram num vestiário feminino, e as moças logo saem correndo, com rostos aterrorizados. Os homens, ao imaginarem a cena, caem na risada – afinal, nada mais normal do que invadir o espaço das mulheres e fazerem o que bem entendem com elas. Não importa o medo que elas sentiriam, ou a invasão da intimidade delas, só importa o prazer que sentirão ao usufruir da situação.
 
O comercial em questão corrobora a cultura de estupro vigente em nosso país. Esta cultura, que forma seres humanos que determinam aceitável estuprar uma mulher pela roupa que veste, passar a mão em uma mulher que dançava com sensualidade na pista de dança, ou, desamarrar os biquínis de mulheres por diversão. Pior do que aceitável, seres pensantes que acham tudo isso engraçado.
Os “brincalhões” acham tudo muito divertido e inofensivo. Só que não.
Não, não é engraçado. Não é engraçado, pois é por causa destas “piadinhas” que mulheres são abusadas sexualmente todos os dias. É por causa destas “brincadeirinhas” que mulheres cada vez mais são usadas como instrumento de prazer sexual do homem. Basta.
 
Muitos homens pensam: “nunca estuprei uma mulher”, pois este tipo de abuso é banalizado, principalmente, pela mídia. Porém, mal sabem muitos deles que, abuso não se restringe à penetração vaginal. Desde 2009, abuso sexual se refere à qualquer ato libidinoso praticado sem consentimento. Se você já passou a mão na bunda de uma mulher sem o consentimento da mesma, você já estuprou. Se você já praticou qualquer ato que te desse prazer, sem a autorização da outra pessoa, você já estuprou. 
 
O que a marca Nova Schin faz é prestar um desserviço à sociedade, e principalmente, às mulheres, ao colocá-las como uma piada para os homens se deliciarem. Chega. A cultura de estupro existe, os homens dispostos a praticar tais atos existem, e a mídia tem que parar de validar esta linha ascendente de desrespeito e desvalorização da mulher.
 
Porém, a mídia gira em torno do dinheiro. É verdade, desde que o mundo é mundo – a mídia não se importa com o que é certo ou o que não é: se importa com o que trará benefícios para si mesma. “Se o povo é machista, intolerante e ignorante quanto à condição das mulheres, vamos concordar e lucrar em cima deles!”, pensam.
 
Na propaganda da Skol, a mulher é a serviçal do homem, e quando cansa disso, está “rebelando-se inexplicavelmente”
 
 
A indústria da cerveja é um exemplo claro do desinteresse da mídia em mudar qualquer imagem errada que a sociedade tenha. O comercial da Nova Schin é o debate do momento, mas não é de hoje que propagandas de cerveja diminuem e ridicularizam as mulheres.
 
O que dizer da, até recente, campanha publicitária da Skol? Para promover seu novo cooler controlado por controle remoto, a propaganda conta a história de um casal de namorados. “No começo, tudo é lindo” – passa para a imagem da mulher levando cerveja para o marido. A mulher, segundo a Skol, está cumprindo seu papel num lindo início de relacionamento: sendo a serviçal do homem. 
 
“Mas aí, um dia, inexplicavelmente, elas se rebelam” passa para a imagem da mulher, com uma pilha de pizzas nos braços, dizendo para o namorado ir buscar a própria cerveja. O cara, por sua vez, está sentado jogando videogame com os amigos. E a mulher, mesmo “se rebelando”, continua sendo a serviçal do homem, apenas reclamando da sobrecarga de tarefas. Um minuto de silêncio para os engulhos ao final propaganda, quando, olhando para as estrelas, o homem abraça sua namorada, e, despistadamente, a solta e abraça o cooler. Burp.
 
Sem contar que, quando a mulher não é a serviçal ou o instrumento de prazer do homem, ela é a recompensa. Inúmeras são as campanhas publicitárias onde, o homem abre uma cerveja gelada, da marca que for, e se depara com sua recompensa: uma mulher “gostosa” dando em cima, querendo sentar à sua mesa, de biquíni, e o mais usual: os servindo. 
A Devassa não é a loura que bebe – é a cerveja que o homem compara à mulher.
 
Existe uma marca de cerveja que alguns dizem ser direcionada às mulheres: a Devassa. Porém, é um exemplo claro de outra visão machista da indústria da cerveja: só quem merece sentar numa mesa de bar e beber é uma mulher linda e gostosa. Nas propagandas da Devassa, a mulher pode até beber, mas tem que ser uma Paris Hilton ou uma Sandy. 
 
Por outro lado, a Devassa continua a linha de objetificação da mulher. A Devassa, bem loura, é a que vai subir no palco, e dançar conga la conga (exatamente como Sandy fez) enquanto o homem está sentado à mesa, assistindo ao show. A Devassa bem loura é a mulher gostosa. É a loura que o homem vai beber, ou seja, a mulher da qual ele vai usufruir.
 
Mulher: ou serviçal, ou recompensa. Consumidora? Nunca!
 
 Após tantos exemplos (e sempre chegam novos exemplos a cada campanha publicitária), a pergunta é quase uma afirmação: cerveja é bebida masculina, certo? Não, não tá certo. Tá muito errado. Mulheres representam 1/3 dos consumidores de bebida alcoólica. 
 
Mulheres trabalham e pagam sua própria cerveja, sentam na mesa do bar com as amigas e gostam de beber cerveja – não são as garçonetes gostosas que servem os homens, nem as serviçais dos namorados. Está mais do que na hora da indústria da cerveja parar de tratar os homens como os únicos consumidores de sua bebida, e as mulheres, como as empregadas e recompensas.
 
Diante do desserviço às mulheres por parte da indústria da cerveja, refletimos: qual seria a solução? Apelar para o CONAR, que, como na questão da Nova Schin, resolveu ignorar o caso? Boicotar as marcas de cerveja? Parar de tomar cerveja? Não sei. 
 
Mas fica a dica de que, se aparecesse uma marca de cerveja com peito o bastante para se direcionar às mulheres com respeito, como consumidoras e não serviçais, ia ser de longe o maior sucesso. Mas ao que me parece, publicitários não leem blogs feministas. Uma pena. 
 
O Ativismo de Sofá também falou sobre a cultura de estupro e o novo comercial da nova Schin
Sugerimos a leitura do Machismo chato de cada (todo) dia, no qual há uma série de post sobre o Machismo da Nova Schin sobre nós mulheres!!

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Nota de repúdio à publicidade sexista da Prudence

A Marcha Mundial das Mulheres repudia o anúncio da empresa Preservativos Prudence, pertencente à campanha “Dieta do Sexo”, por apologia ao estupro.A publicidade foi colocada na página da Prudence no Facebook no dia 16 de julho, e só hoje (30/07/12) retirada de circulação. Tal anúncio refere-se a uma “Dieta do Sexo”, mostrando quantas calorias é possível perder praticando diferentes atos sexuais. Entre os atos citados, há dois polêmicos: “Tirando a roupa dela sem o consentimento dela: 190 cal” e “Abrindo o sutiã com uma mão, apanhando dela: 208 cal”.Apesar da alegação de ambiguidade, o primeiro item não deixa dúvidas, pois menciona explicitamente se tratar de uma relação sexual não-consentida, e sexo sem consentimento é estupro. Pior que isso: a empresa sugere que sexo forçado (estupro) vale mais, pois gastam-se 190 calorias, do que sexo com consentimento (10 calorias).Veicular este tipo de publicidade, sobretudo em um contexto em que a violência contra as mulheres é uma realidade alarmante, é inaceitável. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. Uma em cada dez mulheres (10%) já foi de fato espancada ao menos uma vez na vida. Segundo dado do Instituto Sangari (2012), de 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres; 43,5 mil só na última década.

Sobre a alegação de que “estuprador não usa camisinha”, basta lembrar que, em mais de 80% dos casos de violência denunciados pelas mulheres, o responsável é o próprio parceiro (marido ou namorado). De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos e da Flacso Brasil, em 2011, 10.425 pessoas foram atendidas em hospitais vítimas de violência sexual. Em 23% dos casos, pais e padrastos foram os responsáveis pelo abuso.

Em um primeiro momento, a Preservativos Prudence buscou, no espaço de comentários da imagem no Facebook, justificar a situação. Disse ser contrária à violência, alegando que a propaganda não faz apologia a estupro, mas sim à “conquista”. Ou seja, de acordo com a empresa, fazer sexo sem o consentimento da mulher é conquistá-la. Na tentativa de consertar a situação, só conseguiu piorá-la. Ao invés de reconhecer que a propaganda faz apologia a um crime, colocou esse tipo de agressão como algo normal, banal, uma mera “conquista”. Há de se lembrar que a minimização do estupro é uma das causas pelas quais as vítimas não têm apoio, e muitas vezes nem conseguem efetivar uma denúncia. Quando tomam a iniciativa de denunciar o agressor, é comum ainda serem responsabilizadas pela própria agressão devido a seu “comportamento permissivo”.

Em seguida, a empresa, afirmou, novamente, no Facebook, não defender a prática do estupro, alegando que essa “piada” já havia sido divulgada antes, em vários blogs, em uma clara tentativa de tirar dos próprios ombros a responsabilidade pela veiculação de uma propaganda que banaliza a situação de estupro, e que, assim, contribui para a manutenção de uma realidade perversa para as mulheres.

Em momento algum houve reconhecimento do fato. Em nenhum dos pronunciamentos da Preservativos Prudence foi dito que sexo sem consentimento é estupro. Apenas foram emitidas afirmações vagas de que a empresa é contra a violência sexual e a favor do uso de camisinha em todas as relações.

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, estamos ao lado das mulheres que vivenciam a violência, todos os dias, no Brasil, portanto, exigimos que haja uma retratação pública por parte da empresa, em que ela reconheça que o conteúdo da propaganda faz apologia ao estupro. Exigimos que a Preservativos Prudence invista em uma campanha cidadã de combate à violência contra as mulheres. Exigimos, também, que sejam tomadas as devidas providências legais com relação ao conteúdo veiculado.

A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Marcha Mundial das Mulheres

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Machismo e racismo dentro e fora do BBB

por Karen Polaz

Não sou fã do BBB, sequer assisto ao programa regularmente. Porém, desde a faculdade, sempre morei com pessoas que acompanhavam a atração com entusiasmo, torciam para os participantes, votavam, sofriam, emocionavam-se. Portanto, acabo acompanhando de vez em quando, talvez até por causa de um certo interesse sociológico por realities shows em geral, de entender os motivos de mulheres e homens mostrarem suas vidas em rede nacional por livre e espontânea vontade e de haver tantos e tantos expectadores vidrados na telinha, seguindo cada movimento e discutindo sobre o que lá se passa, seja no trabalho, nos botecos, nas reuniões de família.

Nessa 12ª edição do BBB, por duas ocasiões li um bafafá na internet – já que eu não venho assistindo ao programa – e em ambas o protagonista era um homem chamado Daniel. Pelo que soube, no primeiro dia do programa, para provocar surpresa, colocaram mais quatro pessoas na casa, uma delas foi o Daniel. Até então, não havia negros entre as pessoas selecionadas para o BBB 12. Não porque nenhum negro tenha se inscrito, mas muito provavelmente, porque eles não são considerados referência de beleza pela grande mídia e pela maioria da população brasileira. Logo, não faz sentido colocar negros num programa que visa ampla audiência através de mulheres e homens bonitos. E não, não porque negros são inerentemente feios (assim como brancos não são inerentemente bonitos), é que, ao longo da História, aos negros foi dedicada uma parte da sociedade que se relaciona a tudo o que se considera ruim: sujeira, criminalidade, maldade e, nessa lógica, falta de beleza.

No primeiro dia de programa, Pedro Bial, sempre muito inteligente e profundo (cof, cof), perguntou ao moço se ele era a favor de cotas para negros. Para os outros participantes (brancos e morenos), as perguntas giravam em torno da vida pessoal, comida, sexualidade, música etc. Mas não para o negro, porque quem nasce negro neste país primeiro tem que ser negro antes de qualquer coisa. Só sei que o moço foi ovacionado pelos outros participantes devido à seguinte resposta: “Não tem que ter cota para nada”, porque debaixo da pele todo mundo tem sangue, e o sangue é vermelho. Tal declaração enfureceu vários ativistas do movimento negro que lutam pela implantação de medidas políticas que busquem diminuir a desigualdade social do povo negro no Brasil. Vale ler A grande mídia contra as ações afirmativas.

Bom, os negros não demandam cotas porque debaixo da pele é sangue e sangue é igual pra todo mundo, ou porque duvidam de sua própria capacidade de entrar e cursar uma universidade, ou de serem inteligentes. Para os que ainda não perceberam, houve escravidão de negros neste país. O preconceito contra negros é sistemático e muito mais excludente que com quaisquer outros grupos considerados “à margem”. Isso significa que se um homem branco e um homem negro forem disputar uma vaga de emprego, as chances de que seja o branco a conseguir a vaga são bem mais altas. Um exemplo: na região metropolitana de Belo Horizonte, o número de negros desempregados é quase duas vezes maior do que o contingente de não negros na mesma situação.

As cotas são uma política de Estado que tenta amenizar, um pouco que seja, a exclusão de negras e negros no Brasil. É uma política paliativa? Sim. Resolve, de fato, o problema desse tipo de desigualdade? Não. No entanto, para aqueles negros que conseguem entrar numa universidade com o auxílio das cotas, a vida se transforma – e como! Também aumenta a auto-estima dos outros negros, que vêem que a universidade também pode ser um lugar pra eles e não apenas de gente branca e classe média. Ocupando os espaços na universidade, torna-se mais fácil ver negras e negros na televisão e na publicidade com maior frequência. Dessa forma, acabam se percebendo dignos de exposição pública também. E os negros que entram com cota nas universidades apresentam desempenho próximo, similar ou até melhor em relação aos não-cotistas de acordo com o IPEA. Muitos conseguem boas notas, mas não o suficiente para passar em cursos mais concorridos. Não é possível comparar uma pessoa que sempre estudou numa escola particular, com todo o conforto que o dinheiro possibilita, com um negro pobre, que frequenta uma escola capenga. A desigualdade social é tão arraigada por aqui que as pessoas sequer demonstram sensibilidade à realidade da população brasileira.

De acordo com Luana Tolentino, será uma batalha “a ampliação do sistema de cotas nesse país. A briga será dura, longa e árdua pelos seguintes motivos: 1º como propor políticas de Ações Afirmativas para população negra num país que não se assume como racista? 2º Toda e qualquer proposta que tenha como objetivo reparar processos de exclusão encontrarão rejeições por parte da sociedade, uma vez que a manutenção de privilégios e a permanência das desigualdades sociais fazem parte da mentalidade brasileira”. A sociedade exclui os negros e, se não houver uma politica de Estado que inclua os negros no mundo das instituições (escolares, de trabalho etc.), eles vão continuar excluídos.

Eu, sendo branca e a favor de cotas pra negros, não me sinto tão à vontade para comentar sobre o que os negros querem e reivindicam, por me considerar meio que “desautorizada” ao debate. No entanto, não deixo de prestar meu apoio a elas e eles. Sim, pois a mulher negra sofre duplo preconceito – por ser negra e por ser mulher – e creio que nós, feministas, temos esse desafio de combater o racismo e manter constantemente em voga as demandas das mulheres negras.

Mas… e o Daniel? Acredito que ele só tenha entrado no BBB porque, certamente, há cotas para negros no programa. Porque não dá para vender um reality show no Brasil só com pessoas brancas. Então, coloca-se um negro para dizer: “não somos racistas”, como apregoa Ali Kamel, atual diretor da Central Globo de Jornalismo. E, tem mais, acredito que Daniel tenha sido selecionado por ser considerado bonito. Visto ser necessário que haja negros no programa, pelo menos que seja um modelo, não é mesmo?

No domingo, entro na internet e já vejo a confusão em torno do caso de violência sexual no BBB. Inclusive assisti ao tal vídeo de Daniel abusando sexualmente de Monique junto com muitas reações de indignação. Não vou adentrar ao assunto de quão machista foi da parte do Daniel, julgar-se no direito de abusar da Monique enquanto ela estava nitidamente bêbada e “apagada” na cama. Para quem conseguiu ver o vídeo, ela parecia uma boneca, imóvel, enquanto Daniel fazia movimentos de vai-e-vem com o quadril encostado ao corpo dela, mesmo que não tenha havido penetração.

Mas a repercussão da cena, em comentários do Twitter e do Facebook, revela, por um lado, o machismo extremo de achar que mulher, depois de beber, quase que pede para ser estuprada e, por outro lado, o racismo de estabelecer uma relação direta e imponderada entre “negros” e “atos negativos/criminosos”. É nessa relação que teço os comentários a seguir.

Daniel abusou da moça não porque ele é negro e negros se caracterizam imanentemente por cometerem atos criminosos, imorais, sujos, pecaminosos, infames etc. Porque há algo geneticamente ruim neles que os fazem cometer ações ruins. A sociedade brasileira se caracteriza por altos níveis de violência, machismo, corrupção. Estupros são recorrências diárias no país, inclusive vários homens brancos estupram suas próprias namoradas e esposas quando as forçam a manter relações sexuais com eles contra sua vontade. Isso também se configura como crime de estupro.

Portanto, Celso Pitta não desviou dinheiro público porque ele era negro, Netinho de Paula não cometeu agressões porque ele é negro e Daniel não bolinou mulheres e as abusou sexualmente porque ele é negro. Além dos fatores sociais, fortes condicionantes, por tantos outros motivos alguém se torna violento e corrupto. Existem pessoas que fazem coisas consideradas ruins de qualquer cor de pele, país, classe social, religião. Responsabilizar a população negra pelos males da sociedade é racismo.

Resumindo vários comentários do Twitter e do Facebook, podemos chegar à máxima: o Daniel abusou sexualmente porque a mulher “deu mole”, “pediu para ser estuprada”, mas, que coisa feia, só podia ser preto mesmo. Há até quem atribuiu, a Daniel, o título nada brioso de “o mau caráter de todas as edições do BBBs”. Mas, fugindo bastante da realidade, o diretor do BBB afirmou ontem que: não houve estupro no BBB e que Daniel é vítima de racismo. No mesmo dia, porém – após a polícia civil do Rio de Janeiro decidir investigar a denúncia de estupro ocorrida no programa e exibida ao vivo para quem assina o payperview – decidiram eliminar Daniel do programa por grave comportamento inadequado. No programa ao vivo da segunda-feira, Pedro Bial limitou-se a repetir o comunicado oficial da emissora. Não falou nada sobre a ação da polícia, sobre como a notícia foi dada a outros participantes. O programa continuou normalmente como se Daniel nunca tivesse existido ali. Como se um abuso sexual não tivesse sido cometido. Daniel, o único participante negro da 12° edição do BBB, desaparece sem deixar vestígio. Ser invisível na vida real ou em um reality show parece ser a realidade de tantos negros e negras no Brasil.

Lógico que o que Daniel fez foi grave, está errado e merece ser punido portanto, mas, por favor, a cor dele nada tem a ver com isso.

* Agradeço à colaboração da Srta. Bia neste post.

FOnte: http://blogueirasfeministas.com/2012/01/machismo-e-racismo-bbb/

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BBB: e a Constituição ? Nada ?

por Fernando Brito:

A Constituição é letra morta?

Ninguém tem nada a ver com o que fazem pessoas maiores fazem em sua intimidade, de forma consentida, se isso não envolve violência.

Niguém tem nada a ver com o direito de pessoas expressarem opinião ou criação artística, independente de se considerar de bom ou mau gosto.

Outra coisa, bem diferente, é utilizar-se de concessões do poder público, como são os canais de televisão, sobretudo os abertos, para promover, induzir e explorar, com objetivo de lucro, atentados à dignidade da pessoa humana.

Não cabe qualquer discussão de natureza moral sobre a índole e o comportamento dos participantes. Isso deve ser tratado na esfera penal e queira Deus que, 30 anos depois, já se tenha superado a visão que vimos, os mais velhos, acontecer em casos como o de Raul “Doca” Street, onde o comportamento da vítima e não o ato criminoso ocupava o centro das discussões.

O que está em jogo, aqui, é o uso de um meio público dedifusão, cujo uso é regido pela Constituição:

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;(…)

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

O que dois jovens, embriagados, possam ou não ter feito no “BBB” é infinitamente menos graves do que o fato de por razões empresariais, pessoas sóbrias e responsáveis pela administração de uma concessão pública fazem ali.

Não adianta dizer que um participante foi expulso por transgredir o regulamento do programa. Pois se o programa consiste em explorar a curiosidade pública sobre comportamentos-limite, então a transgressão destes limites é um risco assumido deliberadamente.

Assumido em razão de lucro pecuniário: só as cotas de patrocínio rendem à Globo mais de R$ 100 milhões. Com a exploração dos intervalos comerciais, pay-per-view, merchandising, este valor certamente se multiplica algumas vezes.

Será que um concessionário de linhas de ônibus teria o direito de criar “atrações” deste tipo aos passageiros, para lucrar?

Intependente da responsabilização daquele rapaz, que depende de prova, há algo evidente: a emissora assumiu o risco, ao promover a embriaguez, a exploração da sexualidade, o oferecimento de “quartos” para manifestação desta sexualidade, a atitude consciente de vulnerar seus participantes a atos não consentidos. É irrelevante a ausência de reação da jovem, ainda que não por embriaguez. Se a emissora provocou, por todos os meios e circunstâncias, a possibilidade de sexo não consentido, é dela a responsabilidade pelo que se passou, porque não adiante dizer que aquilo deveria parar “no limite da responsabilidade”.

Todos os que estão envolvidos, por farta remuneração, neste episódio – a começar pelo abjeto biógrafo de Roberto Marinho, que empresta o nome do jornalismo à mais vil exploração do ser humano – não podem fugir de suas responsabilidades.

Não basta que, num gesto de cinismo hipócrita, o sr. Pedro Bial venha dizer que o participante está eliminado por “infringir as regras do programa”. Se houve um delito, não é a Globo o tribunal que o julga. Não é uma transgressão contratual, é penal.

Que, além da responsabilização de seu autor, clama pela responsabilização de quem, deliberadamente, produziu todas as cirncunstâncias e meios para isso.

E que não venham a D. Judith Brito e a Abert falar em censura ou ataques à liberdade de expressão.

E depois não se reclame de que as demais emissoras façam o mesmo.

O cumprimento da Constituição é dever de todos os cidadãos e muito maior é o dever do Estado em zelar para que naquilo que é área pública concedida isso seja observado.

Do contrário, revoquemos a Constituição, as leis, a ideia de direito da mulher sobre seu corpo, das pessoas em geral quanto à sua intimidade e o conceito social de liberdade.

A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.

Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.

Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.

Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país..

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/01/17/bbb-e-a-constituicao-nada/#.TxWNGRzHQ9g.facebook

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