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Recadinho da presidenta Dilma pros machistas!

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“Não se esqueçam que a maior autoridade deste país é uma mulher, uma mulher que não tem medo de nada nem de ninguém.” 

Fala de Dilma em seu último pronunciamento – 08/03/2013

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, ofensiva contra o machismo

Mulheres avaliam 100 dias de Dilma

Presidente completa centésimo dia de governo no domingo, 10.
Mais de cem mulheres responderam ao G1 o que pensam da nova gestão.

O governo da presidentA Dilma Rousseff completa cem dias neste domingo (10). Para saber qual é a avaliação sobre este período, o G1 procurou mulheres de diversas áreas e fez a seguinte pergunta: “Após cem dias, o que você pensa sobre o governo Dilma?”. Mais de cem responderam.

Alcione, cantora (Foto: Agência Estado)Alcione (Foto: Agência Estado)

Alcione, cantora
“Creio que Dilma veio para marcar o cenário político do Brasil com seriedade em seu trabalho e para tatuar com seu amor o coração do povo brasileiro. Acredito que fará sim um bom trabalho.”

Amelinha Telles (Foto: Renatto de Sousa / Câmara Municipal de São Paulo)Amelinha Telles(Foto: Renatto de Sousa/ Câmara Municipal de São Paulo)

Amelinha Teles, ex-presa política, integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
“Penso que a Dilma está surpreendendo positivamente. Está muito além do que podia se esperar. Tem sido bastante firme, decidida, transparente, humilde. Acho que está indo bem. Tomara que continue assim.”

Ana Cássia Maturano (Foto: Arquivo pessoal)Ana Cássia Maturano (Foto: Arquivo pessoal)

Ana Cássia Maturano, psicoterapeuta e colunista do G1
“Nesse início, a presidente Dilma tem mostrado algo que muitas mães não conseguem hoje em dia: cuidar de seus filhos com pulso firme, certa do que é preciso fazer, sem se deixar enrolar por choramingos.”

Ana Hickmann (Foto: AH Divulgação)Ana Hickmann(Foto: AH Divulgação)

Ana Hickmann, modelo, apresentadora e empresária
“As medidas que estão sendo tomadas para conter a inflação são prudentes e rápidas. O que preocupa é a alta carga tributária que assola os empresários com uma perspectiva de termos a CPMF novamente, o que seria inviável. Já pagamos nos nossos empréstimos um IOF adicional que encarece nosso capital de giro, tornando as linhas de crédito ainda mais inviáveis.”

Ana Maria Braga (Foto: Reprodução/TV Globo)Ana Maria Braga(Foto: Reprodução/TV Globo)

Ana Maria Braga, apresentadora
“Nestes cem dias de governo, sinto que a força política da nossa presidenta é incontestável. Dona de um pragmatismo único, a nossa chefe de Estado mostrou-se gestora, fez críticas duras e teve desafios importantes como o corte orçamentário, por exemplo. Mesmo diante de tantos desafios a serem cumpridos, ela mantém uma popularidade recorde e nos dá uma sensação de conforto e de que caminhamos para um futuro melhor.”

Ana Maria Machado (Foto: Guilherme Gonçaves/ABL)Ana Maria Machado(Foto: Guilherme Gonçaves/ABL)

Ana Maria Machado, escritora, membro da Academia Brasileira de Letras
“Estou gostando do estilo. Aprovo o cuidado dela com os direitos humanos e apreciei seus elogios a livros e leitura. No mais, ainda preciso de uns outros cem dias para ver o que ela realmente faz.”

Ana Moser, ex-jogadora de vôlei (Foto: Divulgação)Ana Moser(Foto: Divulgação)

Ana Moser, 42 anos, ex-jogadora de vôlei
“Cem dias é simbólico, mas, na prática, é pouco para ter um resultado diferente. É uma política de continuidade, mas tem a marca pessoal dela, a primeira quebra de padrão. Ela se coloca valorizando a posição da mulher, valorizando a questão dos direitos humanos. Tem posturas mais humanas, defendendo os direitos humanos. Passou uma imagem de muito trabalho, de muita seriedade, de compromisso com a missão e não com o cargo. De resultado, não tem o que avaliar, mas, em termos de postura, acho que a presidenta coloca novidades como a posição da mulher, a seriedade no trabalho, a questão de não se expor muito e a questão dos direitos humanos.”

Angela Gutierrez (Foto: Fátima Dias/Divulgação)Angela Gutierrez(Foto: Fátima Dias/Divulgação)

Angela Gutierrez, empresária
“Somente se surpreenderam nesses cem dias as pessoas que não conheciam bem a competência da presidenta e não sabiam que determinação e coragem são traços fortes de sua personalidade.”

Angélica, apresentadora (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)Angélica(Foto: João Miguel Jr/TV Globo)

Angélica, apresentadora
“Me surpreendi positivamente. Nossa presidente está mais firme e demonstrando mais carisma. Acho que é a tranquilidade pós campanha. Que continue assim.”

Astrid Fontenelle (Foto: Agência Estado)Astrid Fontenelle (Foto: AE)

Astrid Fontenelle, apresentadora
“Minha impressão é das melhores. Primeiro porque muito se fala que ela joga duro, trabalha muito mesmo. E outra coisa é que sinto uma aproximação forte dela com cultura. Gostava bastante do Lula, mas achava um pecado sentir ele distante do cinema, das artes e do teatro. Capriche Dilma, o caminho é longo!”

Baby do Brasil, cantora (Foto: Jane Pini/Divulgação)Baby do Brasil(Foto: Jane Pini/Divulgação)

Baby do Brasil, cantora
“É pouco tempo para que eu possa tirar uma conclusão sobre a nossa presidente. O importante para mim agora, como cristã, é orar pela vida dela para que ela seja sempre corajosa, ousada e usada por Deus para conduzir a nação pois, como dizem as escrituras, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. E, para completar, a única vez na face da Terra que um povo teve estabilidade financeira foi no reinado do Rei Davi, porque o rei era com Deus. Aleluia”

Benedita da Silva, deputada e ex-ministra (Foto: Jaciara Aires/Divulgação)Benedita da Silva(Foto: Jaciara Aires/Divulgação)

Benedita da Silva, deputada federal e ex-ministra
“Ela vem se destacando pela grande ampliação de projetos, principalmente os do lado feminino, como os que lutam contra o câncer de mama e de cólo do útero e a Rede Cegonha. Ela vem dando uma demonstração de que mulher sabe governar e sabe governar muito bem.”

Beth Carvalho, cantora (Foto: Divulgação)Beth Carvalho (Foto: Divulgação)

Beth Carvalho, cantora
“Dentro desse período que a Dilma assumiu a Presidência, destaco principalmente duas coisas: a Rede Cegonha (creche pública), que é um bom projeto e que não existia antes, e a relação de abrir o diálogo com os movimentos sindicais. Tenho esperança que ela continue e expanda ainda mais o que o Lula começou em seu governo: a industrialização do país e o crescimento do trabalho formal (carteira assinada), gerando mais empregos. Com a popularidade que ela adquiriu, espero que ela continue com esse trabalho.”

Camila Pitanga, atriz (Foto: Agência Estado)Camila Pitanga (Foto: AE)

Camila Pitanga, atriz
“Honestamente falando, não tenho ainda muito o que dizer. Ainda estou sentindo, observando os caminhos que a Dilma vem tomando. Mas torço muito pelo projeto dela, pelas propostas que ela apresentou durante a campanha.”

Carmen Lúcia Alonso, gerente do Nube (Foto: Marcos Alves)Carmen Lúcia Alonso(Foto: Marcos Alves)

Carmen Lúcia Alonso, 41 anos, psicóloga e gerente de Treinamento do Nube
“A presidenta Dilma passa a imagem de uma mulher batalhadora e em busca de construir boas oportunidades para a nação. Sua administração nos faz acreditar em um governo em prol da formação dos jovens, da educação e do desenvolvimento econômico e social. Todos nós concordamos na importância desse investimento como força motriz para o futuro do Brasil.”

Célia Marcondes (Foto: Roney Domingos/G1)Célia Marcondes(Foto: Roney Domingos/G1)

Célia Marcondes, advogada, presidente da Sociedade de Amigos, Moradores e Empreendedores do bairro de Cerqueira César
“Acho que ela está desenvolvendo o modelo do presidente Lula. A avaliação é positiva, uma vez que não esperávamos que fosse de tão bom nível como foi.”

Cibelle Rosa (Foto: Carol Strelow)Cibelle Rosa (Foto: Carol Strelow)

Cibelle Rosa Vieira da Silva, 27 anos, professora de artes e educação para vida em família do colégio Vértice, campeão do Enem em 2009
“Dilma parece ter pulso firme e não ser a sombra de ninguém. Mas confesso que eu, como profissional da área da educação, estou apreensiva para ver as medidas neste segmento. Esta é uma das áreas mais importantes de atuação em que os governos acabam deslizando. É preciso implementar uma política de governo que, por exemplo, acabe com essa balela de o aluno passar de ano sem conseguir o mínimo de nota necessária.”

Cissa Guimarães (Foto: Divulgação/TV Globo)Cissa Guimarães(Foto: Divulgação/TV Globo)

Cissa Guimarães, atriz e apresentadora
“Ainda não vi ao que ela veio. Ainda não senti nenhuma firmeza nela. Claro que acho um barato ter uma presidenta, ver nós mulheres conquistarmos nosso espaço, mas até agora o que vi foi só uma continuação. Vamos ver se o lado feminino dela melhora as coisas.”

Dona Canô (Foto: Agência Estado)Dona Canô (Foto: AE)

Claudionor Veloso, a Dona Canô, 103 anos
“Acho que ela ainda não tomou pé da situação, pois não deu tempo, mas acho que vai ser legal o governo dela.”

Cléo Pires (Foto: Agência Estado)Cléo Pires (Foto: Agência Estado)

Cléo Pires, atriz
“Estou um pouco por fora dos detalhes do governo, mas minha mãe esteve com a Dilma em um encontro para falar de cinema e voltou dizendo coisas maravilhosas. É muito construtivo que esteja uma mulher no poder, lutamos tanto por isso e conseguimos romper com essa sociedade patriarcal. Política é muito difícil, a gente só fica sabendo das coisas pelos jornais e muitas vezes as notícias vêm escritas de uma forma desonesta, montada. Minha impressão é de que a Dilma é muito agregadora, ela parece querer reunir forças para levar o país para frente. É lindo ver que cada vez mais o Brasil está se tornando um país que ajuda, ao invés de ser ajudado. E ajuda de uma forma não-imperialista, é bacana.”

Cristiana Buzatto Zardo (Foto: Arquivo pessoal)Cristiane Buzatto Zardo(Foto: Arquivo pessoal)

Cristiane Busatto Zardo, 40 anos, juíza criminal em Cachoeirinha (RS)
“O governo Dilma surpreendeu-me positivamente. A atual presidente da República tem mostrado visível preocupação com a melhoria das condições de atendimento de saúde às gestantes e lactantes, com investimentos pesados do Estado em programas direcionados a essa fatia da população, inclusive com projeto de concessão de bolsas para residência médica nas áreas de pediatria pré-natal e ginecologia, construção de creches e aumento dos exames pré-natais, concedendo às gestantes passagens para as consultas e ‘vale-táxi’ para o dia do parto, em tudo, estimulando uma gestação mais responsável e tranquila. Verifico também que o atual governo tem mostrado uma postura mais reservada e mais séria em termos de relações e política internacional, como bem demonstrou a presidente na visita do chefe de Estado norte-americano ao nosso país recentemente e na reavaliação da política de relacionamento adotada no governo anterior com o Irã. Nos seus pronunciamentos, demonstra preparo com bagagem de informações para falar sobre o assunto-foco naquele momento. Não tem cedido ao populismo e tem levado a política econômica com a seriedade necessária a uma chefe de nação que não está em campanha para angariar votos e tem a responsabilidade de conduzir um país com tantas diferenças sociais, culturais e econômicas, formado por semi-analfabetos, mas também por grandes intelectuais, por pessoas bastante pobres, mas também com grandes fortunas, sendo necessário conciliar interesses diversos, o que parece estar disposta a fazer. O corte de gastos foi, com certeza, a mais agradável das surpresas, pois o país está cansado de pagar pesados impostos, que são rapidamente consumidos pela máquina estatal, nunca satisfeita com a tributação que impõe aos seus cidadãos, uma das maiores do mundo. Isso se chama responsabilidade, espero que continue assim.”

Cristiane Marcenal, médica, mãe da menina Joanna (Foto: Aluizio Freire/G1)Cristiane Marcenal(Foto: Aluizio Freire/G1)

Cristiane Cardoso Marcenal, cardiologista, 38 anos, mãe da menina Joanna, de 5 anos, morta em agosto de 2010 sob suspeita de ter sofrido maus-tratos
“Ela tem mostrado, em suas colocações, que seu governo sempre procura um sentido de Justiça nas coisas que faz. Fiquei muito decepcionada com a participação das mulheres nesse processo da minha filha, mas acho que, quando chegar na instância de poder dela, será uma das poucas mulheres em quem poderei confiar.”

Costanza Pascolato, consultora de moda (Foto: Agência Estado)Costanza Pascolato (Foto: AE)

Costanza Pascolato, consultora de moda
“Eu não tinha expectativa nenhuma, estava esperando pra ver o que ia acontecer. Dilma se revelou muito mais interessante do que qualquer um poderia imaginar porque tem feito declarações interessantes. Gostaria muito que ela pudesse ir em frente com os projetos em que tem demonstrado interesse. A gente sabe que não é exatamente fácil, mesmo para uma presidenta, ir em frente com tudo que se planejou e imaginou. Pelas declarações, ela parece muito mais bacana do que eu imaginava. Acho que todo mundo ficou bem impressionado.”

Daiane dos Santos, ginasta (Foto: Divulgação/Esporte Clube Pinheiros)Daiane dos Santos(Foto: Esporte Clube Pinheiros)

Daiane dos Santos, 28 anos, ginasta
“Acredito que ainda seja cedo para avaliar o governo da nossa presidente Dilma Rousseff. Porém, como atleta, posso garantir que conheço de perto as necessidades do esporte no nosso país. Precisamos entender que o mundo todo está olhando para nós. Receber uma Copa do Mundo e uma edição dos Jogos Olímpicos é um fato que, se for bem aproveitado, pode mudar para sempre a história do esporte no Brasil. Não devemos poupar investimentos em estrutura e na formação de atletas, acreditando que tudo o que está sendo feito hoje será aproveitado não só para 2014 e 2016, mas irá durar para sempre.”

Danielle Martins, promotora de Justiça no Distrito Federal (Foto: José Evaldo Vilela/Secom MPDFT)Danielle Martins(Foto: José Evaldo Vilela/MPDFT)

Danielle Martins, promotora e coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT
“O estilo discreto de Dilma, manifestando-se apenas quando é necessário, valoriza sua presença e autoridade. Ao posicionar-se concretamente sobre temas de direitos humanos, por exemplo, relativamente à violência doméstica praticada contra as mulheres brasileiras e às violações de direitos humanos praticadas por governos estrangeiros, a presidenta revela não transigir com questões essenciais. Dilma tem escolhido bem as suas causas.”

Dárcy Vera, prefeita de Ribeirão Preto (Foto: Tiago Morgan/Divulgação)Dárcy Vera(Foto: Tiago Morgan/Divulgação)

Dárcy Vera (DEM), prefeita de Ribeirão Preto (SP)
“Eu, mesmo sendo uma prefeita do DEM e de oposição, tenho sido atendida normalmente. As questões políticas não têm pesado, e ela vem sendo muito correta com nosso município. Tenho ficado feliz com o comando dela.”

Débora Lyra, miss Brasil (Foto: Divulgação/Fábio Nunes)Débora Lyra(Foto: Divulgação/Fábio Nunes)

Débora Lyra, 21 anos, modelo e miss Brasil 2010
“Mesmo cem dias de governo sendo pouco para avaliá-la, posso dizer que venho me surpreendendo com os discursos e medidas que nossa presidenta vem tomando. Espero que durante e no final de seu mandato estejamos satisfeitos. Minha expectativa em relação a este governo é bastante positiva e espero não ser desapontada, assim como a maioria dos brasileiros que votaram nela.”

Duilia de Mello, astrônoma (Foto: Tommy Wiklind)Duilia de Mello(Foto: Tommy Wiklind)

Duilia de Mello, 47 anos, astrônoma, professora da PUC de Washington DC e pesquisadora da Nasa Goddard Space Flight Center
“Com menos de cem dias de governo, a presidente Dilma Rousseff já entrou para a história ao receber o presidente americano Barack Obama em uma missão considerada de extrema importância tanto economicamente como politicamente para os dois países e que trará muitos benefícios.”

Edênia Garcia, atleta (Foto: Exemplus CPB)Edênia Garcia(Foto: Exemplus CPB)

Edênia Garcia, atleta paraolímpica de natação, medalha de bronze nas Paraolimpíadas de Pequim
“Uma das coisas que ela fez foi sancionar agora a lei Atleta Pódio, que é um valor que o atleta recebe, de até R$ 15 mil mensais, para custear toda a parte técnica, viagens. Fiquei muito feliz e acho que vai ser um divisor de águas para o esporte paraolímpico e para o olímpico no Brasil. Como vamos sediar uma olimpíada e uma paraolimpíada em 2016, a gente estava precisando de um incentivo maior para poder ter um resultado mais significativo. E o bom disso é que é igualitário, tanto para o esporte olímpico como para o paraolímpico. Acho que o esporte como um todo vai crescer muito a partir disso. Fiquei muito feliz por ela ter assinado, acho que vai ser um divisor de águas para o esporte brasileiro.”

Elke Maravilha (Foto: Reprodução/TV Globo)Elke Maravilha(Foto: Reprodução/TV Globo)

Elke Maravilha, atriz
“É muito cedo para avaliar, tirar conclusões, mas estou torcendo para o Brasil. Para dizer a verdade, não gosto da ideia de uma mulher no poder. A mulher é mantenedora, puxa a gente para a terra. O homem é como o passarinho, que gosta de voar, arriscar. Enquanto a natureza da mulher é mais tranqüila, a do homem é ousada, desbravadora. E o Brasil precisa de gente que arrisque, que não tenha medo da loucura, da ousadia. Os homens já provaram historicamente que são melhores governantes. Não confio muito em sociedades matriarcais.”

Eliana Calmon, ministra do STJ (Foto: Agência Brasil)Eliana Calmon(Foto: Agência Brasil)

Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora nacional de Justiça
“O Brasil desperta como nação de vanguarda, e é de vanguarda a política brasileira nos últimos cem dias.”

Eloísa Vasconcellos (Foto: Arquivo pessoal)Eloísa Vasconcellos(Foto: Arquivo pessoal)

Eloisa Vasconcellos, consultora da corretora Magliano e líder de grupo de investimento para mulheres
“Vejo as mulheres como organizadoras e transformadoras por natureza, e Dilma não tem fugido à regra. Arrumar a casa, estabelecer prioridades, delegar tarefas e, principalmente, acertar as contas são tarefas duras de todo início de trabalho. Com um perfil discreto que prioriza a gestão, ainda deixa no ar um suspense com relação às suas ações. Porém, mostrou sua força ao adotar uma fala de personalidade própria e aproximação colaborativa com o Legislativo. Sem a preocupação extrema de agradar antigos grupos, adota uma postura pessoal na continuidade. Elege o capital humano e os direitos humanos como bandeiras quando acompanhou de perto, não só aqui como em outros países, esse tema. O mundo é feito de pessoas e estas são o bem mais valioso para a sociedade. Passamos por um momento de transformação motivado pelas forças da natureza ou por imposições econômicas globais. Neste cenário, o Brasil tem uma gestora no comando com fortes responsabilidades corporativas para com esta grande empresa chamada Brasil. Estou otimista com as perspectivas futuras.”

Eunice Cabral (Foto: Arquivo pessoal)Eunice Cabral(Foto: Arquivo pessoal)

Eunice Cabral, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco
“Penso que ela está no caminho certo, mas tem muito a percorrer nas questões das drogas e da violência contra a mulher.”

Fabiana Murer, atleta (Foto: Agência Estado)Fabiana Murer (Foto: AE)
Fabiana Murer, 30 anos, campeã mundial de atletismo

“Estou gostando bastante do governo dela. Por ser a primeira vez de uma mulher no governo, ela está sendo bem forte. Vejo que está sendo bem discreta, mas está expondo suas idéias.”

Flávia Biroli, cientista política da UnB (Foto: Arquivo pessoal)Flávia Biroli(Foto: Arquivo pessoal)

Flávia Biroli, professora e coordenadora de pós-graduação do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB)
“Eu não esperava ter que lidar com corte no orçamento da educação em um governo de continuidade do governo Lula. Foi uma surpresa o corte nessa área. Espero que isso não seja indicativo de uma política para o ensino superior.”

Gabriela Leite, fundadora da Daspu (Foto: Bruno Veiga/Divulgação)Gabriela Leite(Foto: Bruno Veiga/Divulgação)

Gabriela Leite, fundadora da grife Daspu
“Penso que a Dilma está mostrando sua própria personalidade ao se desvincular da figura de Lula. Isso é muito bom. Acredito ser de muita importância o pulso firme em levar adiante a Comissão da Verdade. Nós merecemos! Só não gosto do modo dela se vestir. Acho que deveria mudar de estilista.”

Gabriela Pereira Pais, miss Paraná (Foto: BMW Eventos/Divulgação)Gabriela Pereira Pais(Foto: BMW Eventos/Divulgação)

Gabriela Pereira Pais, 21 anos, miss Paraná 2011
“Uma mulher frente ao poder ganha o respeito de uma pátria, e vemos sua identidade se sobressair às comparações”.

Geisey Arruda (Foto: Divulgação)Geisey Arruda (Foto: Divulgação)

Geisy Arruda, empresária
“Ainda não deu pra Dilma mostrar para quê ela veio, mas eu fico muito feliz em saber que ela continua ao lado do Lula. Ela mostrou que, além de ser uma mulher de personalidade, também preza muito amizade e companheirismo.”

Graziella Baggio (Foto: Divulgação SNA)Graziella Baggio (Foto: Divulgação
SNA)

Graziella Baggio, secretária de Assuntos Previdenciários do Sindicato Nacional dos Aeronautas
“Eu acho que as mulheres estão muito orgulhosas com a eleição e com os primeiros cem dias da presidenta. Eu me sinto orgulhosa. É muito cedo para uma análise profunda, mas ela está indo bem.”

Helena Ignez (Foto: Daigo Oliva/Divulgação)Helena Ignez
(Foto: Daigo Oliva/Divulgação)

Helena Ignez, atriz e cineasta
“Tenho visto o governo da Dilma de uma forma positiva, especialmente na parte social. Mas na cultura ainda prevalecem a mesma pergunta: será que continuarão a serem beneficiadas as mesmas panelinhas? Essas panelinhas que, apesar de terem pessoas de várias idades, continuam a ser tão velhas quanto as capitanias hereditárias.”

Hortência Marcari, ex-jogadora de basquete (Foto: Nelson Almeida/FotocomNet)Hortência Marcari(Foto: Nelson Almeida/
FotocomNet)

Hortência Marcari, ex-jogadora de basquete e diretora de Seleções Femininas da Confederação Brasileira de Basquete
“Não é fácil governar um país tão grande quanto o Brasil. Há muitas adversidades, lá em cima está chovendo, aqui embaixo falta água e está calor, enfim, cada região tem seus problemas como se fosse um país da Europa. Como é um país muito grande, você também tem muitos partidos, tem muitos senadores, governadores, prefeitos e você tem que compor com todos, fazer a máquina andar. Por enquanto, estou gostando das atitudes dela, das ações internacionais. Tudo o que for contra os direitos humanos ela vota contra, não aprova. Está me surpreendendo. Eu não tinha dúvida porque acompanho algumas pessoas da vida pública e vou vendo o que as pessoas pensam, como fazem, independente de partido político. Estou satisfeita como todo brasileiro com essa aprovação de 47% do nome dela. Estou vendo ela no início do governo tendo que tomar algumas atitudes não muito populares como cortar R$ 500 milhões do Orçamento. Escolheu algumas mulheres para algumas pastas. Enfim, estou gostando.”

Isabel Cristina Santana (Foto: Fernanda Nogueira/G1)Isabel Cristina Santana(Foto: Fernanda Nogueira/G1)

Isabel Cristina Santana, gerente da Fundação Itaú Social
“Minha impressão é muito positiva por alguns fatores. O Brasil vem, ao longo dos últimos anos, tanto o governo Fernando Henrique como o governo Lula, num crescente de políticas educacionais. Acho que nós já vencemos uma primeira etapa, difícil, de ter parâmetros claros para mensurar quais são as nossas diretrizes de impacto educacional. Existe um risco sempre que se tem uma mudança de governo de você ter uma descontinuidade nas políticas que estão funcionando. O que a gente vê nesses primeiros cem dias é um processo de organização dentro do próprio ministério em que se prioriza a continuidade de ações que vêm se mostrando como ações acertadas. Por exemplo, a própria política de educação básica, onde a atenção para resultados de avaliação se mantém, a priorização de programas voltados a municípios menores, a valorização do programa Mais Educação com ampliação de jornada, repasse de dinheiro direto na escola para ampliação dessa jornada, ampliação dos recursos de diversificação de atividades. Quando a gente percebe, ao longo dos cem dias, o próprio ministro (Fernando Haddad) pautando todas as conquistas feitas no ano anterior com a aprovação de mudanças de legislação no Congresso, favorecendo demandas que já estavam colocadas pela sociedade. O Plano Nacional de Educação, que foi apresentado e que está aí nas perspectivas normais da votação, está em consonância com as demandas que já estavam sendo construídas nos anos anteriores. A gente tem todos os sinais de continuidade de política, sinais de referendar processos de mensuração de resultados, a valorização. Acho que são sinais positivos, sinais de continuidade e sinais de foco em resultados.” Continuar lendo

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P*** q** o p****! (Barbara Szanieck)

As eleições presidenciais iniciaram de modo convencional com os partidos políticos tratando de contratar reputados profissionais de marketing para cuidar das campanhas de seus candidatos nos tradicionais meios de comunicação. Todavia, duas novidades se faziam notar. A primeira era a presença de duas mulheres concorrendo à Presidência do Brasil. Desde o início, a campanha de Dilma foi marcada pela tentativa por parte dos marqueteiros de transformá-la em uma “moça bem-comportada” nos moldes burgueses descritos por Simone de Beauvoir em suas memórias: como se vestir, como se maquiar, como sorrir para a imprensa. Também sob holofotes, Marina realizava uma mistura de estampas e adereços ousados com coques e saiões pudicos. Já Serra se mantinha burocraticamente cinza da cabeça aos pés. A segunda novidade com relação às eleições presidenciáveis anteriores fora o uso das ditas “redes sociais”, onde por “redes sociais” entende-se não somente a ferramenta tecnológica agregadora de conteúdos mas, sobretudo, o agenciamento social agregador de desejos. Todos os candidatos tinham um site de campanha oficial na internet, mas sabiam que era preciso ir além (aprendizado da campanha de Obama nos EUA). Quem, de cara, melhor entendeu a necessidade dessa mobilização foi Marina Silva ao dar sinal verde ao “Movimento Marina Silva”, talvez pelo fato de participar de um partido (PV) menos consolidado do que os dois outros concorrentes (PT e PSDB). Segundo indicação do site do movimento, a divisão de tarefas, por assim dizer, se dava da seguinte forma: enquanto o movimento cuidava da “metodologia e facilitação”, o partido garantia a “estrutura”. Contudo, o incentivo a uma participação mais autônoma dos cidadãos na campanha se deu, por exemplo, com as Casas de Marina. Enquanto isso, a rede social de apoio a Dilma Roussef apostava todas suas cartas nas ferramentas tecnológicas convidando-nos a criar hiper-mega-superlinks. A campanha de Serra na rede, como ficaremos sabendo mais tarde, embrenhou-se por caminhos sombrios.

Somos todos Dilma!
Esse era o quadro geral quando, em meados de agosto, a revista Época/Organizações Globo  lançou matéria de capa com o título: “O passado de Dilma – documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar.” Apesar do enorme esforço despendido nas linhas e entrelinhas e apesar das fotos que supostamente atestavam a verdade dos fatos, a matéria não conseguiu comprovar a relação direta da candidata à Presidência da República com atos armados. E ainda que fosse comprovada sua participação em tais atos, não se trataria de resistência contra um poder que se impôs ele próprio com atos armados da maior violência? Hoje, a verdade do poder da ditadura se atualiza dramaticamente por meio da grande mídia quando requenta a tensão da Guerra Fria e explora o medo em todas as suas variações. Ao lançar em sua capa uma foto de Dilma quando presa nos anos 70 – uma jovem que, como tantos outros, acalentava o sonho de transformação de uma sociedade brasileira extremamente desigual por meio da revolução – a revista Época não podia imaginar que as suspeitas que lançava sobre a candidata seriam subvertidas em motivo de orgulho. Internautas se apropriaram de uma imagem do ilustrador Sattu que se encontrava na parte interna da revista e inverteram a acusação “terrorista” na afirmação “guerreira”. Houve por parte dos leitores e eleitores uma percepção e recepção absolutamente positiva da característica “guerreira” atribuída negativamente à Dilma pela revista. Ao produzir camisetas e carregar tal imagem no peito, havia como que uma incorporação de suas qualidades combativas. Antropofagia política. Na internet, além da subversão (da acusação infame de “terrorista” em afirmação potente de “lutadora”) e incorporação desse valores por parte do movimento pró-Dilma, houve uma contaminação virótica que se manifestou na multiplicação de Dilma como avatar nas redes sociais (Twitter, Facebook, Orkut, etc.). Essa multiplicação homogênea na internet era bastante perturbadora pois tornava impossível reconhecer os amigos – “followers” e “following” – por conta da substituição de seus rostos pelo retrato de Dilma. Ainda dominava, nessa relação entre o retrato original e a sua reprodução absolutamente uniforme na rede, o paradigma da política moderna segundo o qual “o corpo do rei representa a nação inteira”.

Essa expressão visual de uma percepção de que, pelas nossas pequenas e grandes lutas do cotidiano, “somos todos um pouco Dilma” marcou o primeiro turno. Ressoava ali também a lembrança de outra mulher importante, não da luta armada e sim da contracultura carioca, que foi Leila Diniz. “Toda mulher é meio Leila Diniz” cantou anos depois Rita Lee na música “Todas as Mulheres do Mundo” (também filme de Domingos de Oliveira de 1966). Naqueles tempos em que a praça era calada nos porões da ditadura, a praia com sua revolução comportamental regada a amor livre e muito palavrão era a única ágora possível. Leila Diniz não pegou em armas mas desafiava os militares com a língua que afiava no Pasquim. Chocava a sociedade conservadora com sua atitude transgressora na explícita abordagem do falo na sua fala. O que diria hoje a desbocada Leila diante da reação da tradicional família brasileira frente aos avanços dos direitos da mulher e dos homossexuais entre outras “minorias”, temas que já constavam no PNDH31 tão combatido? No mínimo, um sonoro que m***** é essa? A reação conservadora foi muito bem trabalhada pela oposição e pela mídia ao passar a idéia de que “nosso” governo teria como estigma “uma crise moral” e que a eleição de Dilma a reforçaria. Fala sério! Quanto mais a mídia desqualificava moralmente Lula e Dilma, mais os qualificava politicamente. Se Leila Diniz é, até hoje, o ícone da revolução comportamental dos anos 60/70, Dilma Roussef representa os avanços a serem realizados nesse novo século. E eis que, no meio da hipocrisia dos costumes, do obscurantismo religioso, do vazio da oposição e da mídia – uma aliança que impedia qualquer debate mais profundo –, o “Somos todos Dilma” se transformou no segundo turno em “Dilma é muitos”.

Dilma é muitos!
As palavras de baixo calão de Leila pareciam ser a única maneira de sair da sinuca em que se encontrava a candidata com relação à questão do aborto. P***! O gozo pleno da vida e a expressão escrachada da liberdade: quando o materialismo com seus processos e o idealismo com seus projetos se contaminam reciprocamente, abre-se uma brecha para potentes trocas entre governantes e governados. A grande mídia tinha se amparado das entrevistas dadas à Folha de São Paulo onde Dilma defendia a descriminalização do aborto (10/2007) e à Marie Claire/Organizações Globo onde o tratava como escolha de foro íntimo e questão de saúde pública, e não caso de polícia (04/2009). Mesmo quando, de fato, pouco importava o que achava sobre o aborto visto que não lhe cabia decidir nada sobre o assunto, Dilma parecia “encurralada” pela própria forma da política de representação constituída pela união das máquinas do partido e do marketing. O uso do aborto numa eleição presidencial onde uma mulher era candidata (tendo sido uma outra mulher, Marina, eliminada no primeiro turno) apontava apenas o mesmo preconceito de sempre contra o uso livre que as mulheres – essas bruxas que menstruam, ovulam, copulam, gozam, engravidam, parem e amamentam… ou abortam! – fazem dos seus corpos e mentes. Tornava-se urgente ir além do paradigma da política moderna da representação com a incorporação por parte de Dilma das forças dos movimentos sociais. Foi então que alguns editores da revista GLOBAL/Brasil2 da Universidade Nômade decidiram participar do movimento pró-Dilma lançando um blog de apoio à candidata do PT. Nascia, no segundo turno, o http://www.dilmaehmuitos.com.br. A idéia geral era de fazer do blog a nossa praça e a nossa praia incitando simplesmente as pessoas a responder à pergunta: porque voto em Dilma? Capturar as forças dos movimentos das ruas para as redes. A adesão à proposta foi imediata. Contudo, se colaborações sob forma de textos surgiram rapidamente de todos os lados com vigor, as imagens se limitavam aos visuais do marketing oficial e da grande mídia que, por sinal, se refletem tristemente. Ora, se o verbo é o centro da razão ocidental – centro que como veremos mais adiante, segundo Donna Haraway, é masculino, branco e capitalista – a imagem (a imago estaria para o logos como a mulher para o homem: agente de feitiçaria) me pareceu, nesse momento, uma arma a ser mais explorada.

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Brinquedo de Menina

por Nikelen Witter*

O título aqui poderia ser também a já famosa frase: “sim, nós podemos”. Não a dita pelo presidente norte-americano Barack Obama. Mas a dita pela presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, a uma menina de 9 anos que lhe perguntou se mulher podia ser presidente da República. Ah, sim menina, nós podemos. Eu mesma lhe diria mais. Diria para que incluísse isso em suas brincadeiras. Uma hora você finge ser professora, noutra médica, veterinária ou advogada. Se quiser ser juíza, delegada ou polícia também pode. É claro que terá vezes em que você irá querer ser princesa ou uma bruxa muito inteligente, mas, acredite, nada no mundo pode impedir você de querer ser presidente da República.

Pode soar estranho que uma menina, em pleno século XXI, apresente uma dúvida assim. Mas, a verdade, é que esse estranhamento está longe de poder ser generalizado. Basta pensarmos na quantidade de manifestações machistas durante essa campanha presidencial e teremos um quadro do quanto as possibilidades ainda se apresentam restritas para o próprio entendimento das meninas. E, acredite, não estou falando apenas sobre aquelas que vivem nas periferias, nos bolsões de miséria, nas que catam comida e recicláveis nos lixos ou caminham quilômetros para poderem abastecer de água suas casas. Estou me referindo às garotinhas de classe média e alta, que estudam em boas escolas (públicas ou particulares), que têm acesso a livros e que escolhem seus brinquedos pelos comerciais que veem na TV.

É justamente nestes espaços de consumo que, ao que parece, uma ativa parte da nossa cultura têm trabalhado para que nossas meninas continuem expostas ao machismo atávico que grassa pelo Brasil. Os limites aos sonhos das garotas entram nas nossas casas mesmo que a gente não queira. Eles estão lá, o tempo todo, dizendo o que é aceitável para uma menina e negando, ao mesmo tempo, que os sonhos delas sejam sem fronteiras.

Estou exagerando? Tem certeza? Você tem prestado atenção nos filmes publicitários veiculados na TV (inclusive nos canais infantis pagos)? Será que ninguém percebe o absurdo de um brinquedo ser uma pia de lavar louças cor-de-rosa que se anuncia: “igualzinha a da mamãe, só que mais divertida”! Qual palavra desta frase não lhe parece ofensiva? A mim todas. E adicione aí o fato de que o comercial não tem meninos. Sim, porque no mundo encantado e cor-de-rosa os meninos sabem que seu lugar não é lavando a louça, mas lavando carro no lava-jato que é igual ao que o papai usa.

Como, pergunto, nossas meninas não vão crescer duvidando que uma mulher possa ser presidente? É difícil achar que uma coisa assim é possível quando, para os “reclames”, veiculados junto com seu desenho favorito, as únicas perspectivas para uma mulher parecem ser uma pia cheia de louça e criar bebês que comem, arrotam, ficam doentes, fazem xixi e cocô? Sim, estas são bonecas que, na maior, parte do tempo são oferecidas a elas. As bonecas que “imitam” a realidade. E você, mamãe, deve comprá-las para que sua filhinha “aprenda brincando”. Afinal, o que seria mais importante para uma futura jovem mulher do que aprender a ser uma boa dona-de-casa, que sabe o melhor sobre alimentação, puericultura e higiene?

Ora, a maternidade é uma coisa maravilhosa, e ser dona ou dono de casa é uma necessidade que não tira nenhuma dignidade de quem faz somente isso. Não haveria problema com os comerciais se eles fossem apenas um ou dois e se o texto fosse menos limitante das capacidades femininas e masculinas. Mas a questão é que as crianças são bombardeadas com brinquedos e textos publicitários cuja intenção parece ser “aliciá-los” (a palavra é forte, mas é essa mesma) para ocuparem os papéis tradicionais da família burguesa ocidental. O fato de não haver grandes manifestações contrárias a este tipo de comercial é preocupante. Já pensaram que pode ser porque, no fundo, as os textos estão é fazendo eco às coisas que não questionamos por parecerem “naturais”? Meninas brincam de cozinhar, lavar louça e cuidar de bebês. Meninos lavam carros, jogam futebol e vídeo-games. Os brinquedos continuam a ser elaborados e vendidos de forma sexista, é assim que nós os compramos, e é assim nossos filhos os absorvem.

Imagino que se alguém se colocar contra isso, vão dizer que a pessoa está clamando pela censura ou sendo preconceituosa com bonecas-bebês e brinquedos que imitam utilidades domésticas. Por isso quero deixar bem claro que não acho que as bonecas em si estão erradas. O que me incomoda é o texto com o qual elas são apresentadas e o subtexto que, ao invés de incitar as meninas a desejarem o mundo, sugere que o paraíso está em ter uma cozinha super equipada.

Por outro lado, não estou fazendo um tipo de apologia que diz que o mundo seria melhor com mais mulheres no comando. Não considero que as mulheres que exercem cargos públicos (ou que venham a desejar isso) façam, por serem mulheres, governos melhores que os dos homens. A quase ex-governadora do Rio Grande do Sul é um exemplo de que um governo ruim e autoritário pode vir de qualquer lado.

Minha oposição é contra tudo o que se organiza de forma a limitar os sonhos e os horizontes das crianças. Um fogãozinho pode ter meninos figurando no comercial (muitos meninos se interessam por cozinhar). E também a pia poderia ser vendida para eles, pois é igual a que todo mundo tem em casa. Em outras palavras: a pia não é da mamãe. Se as coisas continuarem nesse caminho, logo teremos organizar defesas para a Barbie. Afinal, os machistas de plantão ainda não se deram conta de que ela, embora fútil, sempre foi uma profissional. Ela namorou o Ken por 40 anos antes de eles terminarem o relacionamento. E agora, dizem que ela foi vista saindo com Max Steel. Garanto que logo vai aparecer alguém falando que ele é jovem demais para ela e que, aos cinquenta, ela deveria era aprender a fazer geléia.

* Professora e historiadora

http://sul21.com.br/jornal/2010/11/brinquedo-de-menina/

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Xenofobia? Não obrigada!Prefiro Direitos Humanos

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Dilma Rousseff a primeira presidente do Brasil

https://contramachismo.files.wordpress.com/2010/11/dilmapresidenta.jpg?w=193

Em Brasília 19hs, direto do blog Cloaca News http://cloacanews.blogspot.com/

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Enquanto isso nos jornais

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