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Acampamento europeu de jovens feministas da MMM

Acampamento europeu de jovens feministas da MMM bombando na roménia! mais fotos no tumblr

Maiores informaçòes aqui: http://ofensivammm.wordpress.com/mmm-pelo-mundo/marcha-mundial-das-mulheres-do-brasil-participa-do-acampamento-das-jovens-na-romenia/

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Nota de repúdio à publicidade sexista da Prudence

A Marcha Mundial das Mulheres repudia o anúncio da empresa Preservativos Prudence, pertencente à campanha “Dieta do Sexo”, por apologia ao estupro.A publicidade foi colocada na página da Prudence no Facebook no dia 16 de julho, e só hoje (30/07/12) retirada de circulação. Tal anúncio refere-se a uma “Dieta do Sexo”, mostrando quantas calorias é possível perder praticando diferentes atos sexuais. Entre os atos citados, há dois polêmicos: “Tirando a roupa dela sem o consentimento dela: 190 cal” e “Abrindo o sutiã com uma mão, apanhando dela: 208 cal”.Apesar da alegação de ambiguidade, o primeiro item não deixa dúvidas, pois menciona explicitamente se tratar de uma relação sexual não-consentida, e sexo sem consentimento é estupro. Pior que isso: a empresa sugere que sexo forçado (estupro) vale mais, pois gastam-se 190 calorias, do que sexo com consentimento (10 calorias).Veicular este tipo de publicidade, sobretudo em um contexto em que a violência contra as mulheres é uma realidade alarmante, é inaceitável. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. Uma em cada dez mulheres (10%) já foi de fato espancada ao menos uma vez na vida. Segundo dado do Instituto Sangari (2012), de 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres; 43,5 mil só na última década.

Sobre a alegação de que “estuprador não usa camisinha”, basta lembrar que, em mais de 80% dos casos de violência denunciados pelas mulheres, o responsável é o próprio parceiro (marido ou namorado). De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos e da Flacso Brasil, em 2011, 10.425 pessoas foram atendidas em hospitais vítimas de violência sexual. Em 23% dos casos, pais e padrastos foram os responsáveis pelo abuso.

Em um primeiro momento, a Preservativos Prudence buscou, no espaço de comentários da imagem no Facebook, justificar a situação. Disse ser contrária à violência, alegando que a propaganda não faz apologia a estupro, mas sim à “conquista”. Ou seja, de acordo com a empresa, fazer sexo sem o consentimento da mulher é conquistá-la. Na tentativa de consertar a situação, só conseguiu piorá-la. Ao invés de reconhecer que a propaganda faz apologia a um crime, colocou esse tipo de agressão como algo normal, banal, uma mera “conquista”. Há de se lembrar que a minimização do estupro é uma das causas pelas quais as vítimas não têm apoio, e muitas vezes nem conseguem efetivar uma denúncia. Quando tomam a iniciativa de denunciar o agressor, é comum ainda serem responsabilizadas pela própria agressão devido a seu “comportamento permissivo”.

Em seguida, a empresa, afirmou, novamente, no Facebook, não defender a prática do estupro, alegando que essa “piada” já havia sido divulgada antes, em vários blogs, em uma clara tentativa de tirar dos próprios ombros a responsabilidade pela veiculação de uma propaganda que banaliza a situação de estupro, e que, assim, contribui para a manutenção de uma realidade perversa para as mulheres.

Em momento algum houve reconhecimento do fato. Em nenhum dos pronunciamentos da Preservativos Prudence foi dito que sexo sem consentimento é estupro. Apenas foram emitidas afirmações vagas de que a empresa é contra a violência sexual e a favor do uso de camisinha em todas as relações.

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, estamos ao lado das mulheres que vivenciam a violência, todos os dias, no Brasil, portanto, exigimos que haja uma retratação pública por parte da empresa, em que ela reconheça que o conteúdo da propaganda faz apologia ao estupro. Exigimos que a Preservativos Prudence invista em uma campanha cidadã de combate à violência contra as mulheres. Exigimos, também, que sejam tomadas as devidas providências legais com relação ao conteúdo veiculado.

A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Marcha Mundial das Mulheres

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Ellas al frente

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Cumbre de los Pueblos: Radio Mundo Real cubre gran movilización, acción de mujeres y fuerte protesta indígena frente al BNDES

Miles de personas marcharon este lunes por las calles de Rio de Janeiro, Brasil, convocadas por organizaciones feministas, para denunciar que el capitalismo oprime a las mujeres, explota su fuerza de trabajo al tiempo que las desconoce y favorece la mercantilización de sus cuerpos. Las mujeres reclamaron respeto e igualdad.

La movilización se realizó en el marco de la Cumbre de los Pueblos que se realiza en el Aterro do Flamengo de Rio de Janeiro, paralela a la conferencia de Naciones Unidas sobre desarrollo sustentable en la misma ciudad. Las organizaciones feministas catalogaron al capitalismo como “machista y patriarcal”, denunciaron a la “economía verde” como una nueva fase de ese sistema, y pidieron un nuevo modelo “feminista y popular”, además de ambientalmente sustentable.

La Marcha Mundial de las Mujeres, red de organizaciones feministas de diversos países, fue una de las principales convocantes a la manifestación. Sobre el final de la caminata realizó una acción de protesta frente a una sede del Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES), perteneciente al Estado brasileño, y al que señala por “financiar la explotación sexual de las mujeres”. Esa entidad bancaria es la principal financiadora de numerosos megaproyectos en Brasil, que causan diversos impactos ambientales y sociales en los territorios.

Al final de la acción, cuando las mujeres se retiraban del lugar situado frente al BNDES, miles de representantes de pueblos indígenas de diversas regiones de Brasil aparecieron repentinamente e ingresaron al predio del banco. Las activistas feministas se unieron a la protesta. Varios indígenas intentaron entrar por una de las puertas a presentar sus quejas y reclamos a las autoridades. Luego de la fuerte acción directa, y de una negociación con guardias de seguridad y un vocero del BNDES, un grupo de 12 indígenas entró para ser atendido por una representación del banco.

Radio Mundo Real registró lo ocurrido durante la movilización, la acción de la Marcha Mundial de las Mujeres y la protesta indígena, hasta el momento en que los dirigentes de los pueblos originarios fueron notificados de que serían recibidos por autoridades del BNDES. El presente video incluye una entrevista con uno de los dirigentes indígenas encargados de la negociación con el vocero del banco.

Fonte: http://vimeo.com/44288837

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#OcupaBNDES – Banco Nacional Da Exploração Sexual

Ocupa BNDES Feministas e Indígenas

No Rio de Janeiro, Marcha Mundial das Mulheres e Movimento Indígena ocupam, por protesto, o BNDES, pelos seu negócios insustentáveis. Foto: Cintia Barenho/CEA

Nesta segunda-feira – 18 de junho, a Marcha Mundial das Mulheres realizou uma ação de resistência, denominada Rosa Luxemburgo, em frente ao Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, na sede do Rio de Janeiro.A ação consistiu em uma batucada feminista e colagem de lambe lambe que dialogavam com a justiça social e ambiental e com a exploração e mercantilização da vida e do corpo das mulheres. Contou com a participação de 40 militantes da MMM. Segundo Bruna Provazi, militante da MMM em São Paulo, o ato conseguiu “mostrar que nós mulheres não aceitamos esse modelo econômico que transforma em mercadoria nossos corpos, nossas vidas e também a natureza. Estamos organizadas e em constante luta”.

Ainda durante a ação, indígenas de diversas etnias do Brasil, ocuparam o espaço do BNDES. Eles exigiram se reunir com algum representante do banco. Em solidariedade e reafirmando que são nas lutas coletivas que existe a possibilidade de conquistas, as militantes da MMM mantiveram-se no BNDES batucando e chamando palavras de ordem como “Ó Belo Monte tem que parar a sociedade não vai mais aguentar”.

Contra a exploração sexual e o desenvolvimento insustentável
O BNDES é uma instituição que empresta dinheiro para que grandes corporações tenham capital financeiro, sendo assim, é responsável pelo financiamento de grandes obras do desenvolvimento brasileiro. Essas por sua vez contribuem para a exploração sexual e a mercantilização da vida das mulheres. É característico que nas regiões onde grandes obras estão sendo construídas, a prostituição e os estupros aumentem. Por exemplo, em Estreito, no Maranhão, existem 240 casas de prostituição e os operários que trabalham na construção da usina utilizam um cartão que eles chamam de cartão dos prazeres, como informado na CPI contra a violência contra a mulher, obteve informações.

Fonte: http://sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=746

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Feminismo, elemento central na construção das alternativas à economia verde

Atividade MMM na Cúpula dos Povos 16.06

Atividade MMM na Cúpula dos Povos 16.06. Foto Cíntia Barenho/MMM-CEA

Compreender que o trabalho que as mulheres realizam é algo central na vida em sociedade e não apenas “ajuda”, “apoio” ou algo “complementar” é fundamental na construção de uma alternativa ao modelo de desenvolvimento capitalista, patriarcal y racista, expresso hoje na chamada economia verde. Esse foi um dos pontos de destaque durante a atividade “Feminismo, agroecologia e soberania alimentar: construindo um novo paradigma de sustentabilidade para a vida humana”, realizada no dia 16, em conjunto pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Via Campesina (VC), GT de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), mulheres da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Contag, Rede de Economia Feminista (REF), Movimento de Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) e Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar (FBSSAN).A partir das análises e dos testemunhos das mulheres presentes, concluiu-se que o que estão chamando de economia verde é parte de uma história de mudanças que começaram a acontecer nos anos 1950 na agricultura e que a tornaram cada vez mais artificial. Esse pacote de mudanças, iniciado com a chamada “revolução verde”, se caracteriza pela expansão da monocultura, agroquímicos e, mais recentemente, pelas chamadas biotecnologias, com a produção de sementes artificiais, transgênicas, produzidas em laboratório e que rompem as fronteiras entre as espécies. E esse processo se acelerou ainda mais nos últimos 20 anos, depois da chamada Eco-92, resultando no aumento assustador do poder das grandes corporações e das formas de dominação da natureza.Em todo o mundo as mulheres estão resistindo contra a mercantilização e a artificialização da vida. Nancy Iza, da CAOI, contou como as mulheres indígenas do Equador lutam pelo reconhecimento do seu saber tradicional, responsável pela manutenção e ampliação de um patrimônio de biodiversidade de espécies. Ao mesmo tempo, relatou como isso está desaparecendo com o avanço dos transgênicos e de como as mulheres do campo têm que lidar com novas doenças que resultam do uso de agrotóxicos e têm que ser tratadas com medicamentos industrializados, não naturais, ampliando ainda mais a dependência.Rejane Medeiros, da MMM do Rio Grande do Norte, falou sobre a resistência das mais de 150 famílias contra um projeto de inundação da chapada de Apodi. Nessa área, há mais de 60 anos vem se desenvolvendo uma agricultura familiar baseada na agroecologia, no princípio da soberania alimentar e na convivência com o semi-árido. “O governo diz que o projeto é para erradicar a fome. Isso significaria fortalecer as experiências que já estão construídas aqui. Mas implementar esse projeto de irrigação significa aumentar a fome!”, conta Rejane. O mesmo projeto já implementado em parte do estado do Ceará resultou no aumento da pobreza e da exploração dos trabalhadores que perderam suas terras e tiveram que buscar trabalho nos latifúndios da região ou migrar para as cidades como trabalhadores precários. A unidade dos movimentos sociais da região e o apelo à solidariedade nacional e internacional foi fundamental para parar o projeto, que ainda ameaça a região.

Se no passado as populações indígenas, quilombolas e rurais não eram nem consideradas nos projetos, hoje é comum se falar de reconhecimento do saber tradicional. Porém, no campo da empresas isso está associado com a apropriação e a privatização desse saber e o controle dos territórios. Por meio de mecanismos como Redd, por exemplo, empresas privatizam áreas de florestas e indicam a organizações não-governamentais como responsáveis dessas áreas. E as populações que aí viveram tradicionalmente, extraindo algum recurso para construir casas e pequenos barcos, essas sim responsáveis por sua preservação, passam a ser tratadas como criminosas.

Adriana Mezadri, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), destacou outra falsa solução apresentada pela economia verde que são os combustíveis supostamente limpos, criados com base na agricultura de cana de açúcar e soja: “são monocultivos que utilizam muito petróleo, muito agrotóxico e muita água, destinados ao consumo externo”. O mesmo se aplica ao cultivo de eucalipto para a produção de papel que açambarca territórios por mais de 10 anos e mata todo o solo e a biodiversidade. “Ficamos somente com a desgraça, tanto social quanto ambiental, desse modelo” que, além do mais, cria dependência do agricultor. Adriana chamou a atenção para a necessidade de pensar em que medida as mulheres do campo realmente têm poder de decisão sobre o que e como produzir, especialmente na agricultura de larga extensão. “Nosso papel é reconhecido, mas precisamos avançar mais para que ultrapasse a idéia de que é apenas ajuda”.

As mulheres não estão passivas, são cada vez mais sujeitos políticos dessa história, mobilizam-se em grupos e movimentos de mulheres, constroem redes, participam dos enfrentamentos nas áreas que sofrem esses processos, negociam juntos a governos. O impacto do capitalismo verde é vivido, mas há reação de construção e alternativa ao mesmo tempo. Em todas as falas, foi reafirmada a importância da agroecologia e da possibilidade de alimentar o mundo com outro modelo de produção e consumo alimentar, diferente do modelo dominante, que resulta em impactos sociais e ambientais.
Atividade MMM na Cúpula dos Povos 16.06
A economia verde não compensa

Miriam Nobre, da MMM, chamou atenção para duas grandes questões em debate na conferência oficial Rio+20: a categoria de economia verde como uma resposta à crise econômica e financeira e à situação de pobreza no mundo e a criação de mecanismos e institucionalidade nas ONU correspondentes a economia verde. O principio básico da economia verde é o de compensação, a idéia de que não precisa mudar o modelo de produção e consumo, de que uma empresa pode continuar produzindo mas de que ela pode compensar isso com alteração de alguma parte ou evitando que aconteça poluição em algum outro lugar. “Esse conceito não enfrenta a questão da desigualdade no mundo, fala de combater a pobreza mas não a situação de desigualdade. Isso não funciona mesmo, nos últimos anos houve um processo de aumento de eficiência das empresas, de diminuir a utilização de recursos e de energia para a produção mas com incentivo ao aumento da produção e do consumo, e, com isso, se aumentou a utilização de energia de recursos mas ainda mais por determinados setores da população e determinados setores do mundo”, explica Miriam.

 

Um dilema real que existe é como ampliar o acesso de muitas populações a água potável, energia e alimento de qualidade ao mesmo tempo que conceber a natureza com direitos e não instrumentalizada, a serviço da humanidade. Os operadores dos capitais – bancos, empresas, governos associados – dizem que pra isso são necessárias grandes obras, tecnologias, mas o que acontece concretamente é a diminuição desse acesso. Um exemplo é o caso da água. “Nós mulheres somos responsabilizadas por buscar água e temos que caminhar vários quilômetros para isso para ter acesso. Na ONU, a solução apresentada para lidar com esse problema foi a de comprometer empresas, privatizando o serviço de acesso de água. Isso só fez aumentar o preço e quem não tinha dinheiro teve acesso a água impedido”. A resistência e a mobilização no mundo inteiro mostra, em particular em Cochabamba, na Bolívia, mostrou que é, sim, possível reverter os processos de privatização da natureza e da vida.

Fonte: http://sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=744

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Mulheres em luta contra a mercantilização da vida e da natureza

Lambes Feministas - Cupula dos Povos

Intervenção com Lambes Feministas durante Cúpula dos Povos. Foto de Cíntia Barenho/CEA-MMM

A sociedade capitalista e patriarcal se estrutura em uma divisão sexual do trabalho que separa o trabalho dos homens e o das mulheres e define que o trabalho dos homens vale mais que o das mulheres. O trabalho dos homens é associado ao produtivo (o que se vende no mercado) e o trabalho das mulheres ao reprodutivo (a produção dos seres humanos e suas relações). As representações do que é masculino e feminino é dual e hierárquica, assim como a associação entre homens e cultura, e mulheres e natureza.

Na Marcha Mundial das Mulheres (MMM), lutamos para superar a divisão sexual do trabalho e, ao mesmo tempo, buscamos o  reconhecimento de que o trabalho reprodutivo está na base da sustentabilidade da vida humana e das relações entre as pessoas na família e na sociedade. Acreditamos que é possível estabelecer – e em alguns casos reestabelecer –  uma relação dinâmica e harmoniosa entre as pessoas e a natureza, e que as mulheres, com sua experiência histórica, têm muito para dizer sobre esse tema.

A MMM na Cúpula dos Povos
Nós estamos presentes na construção da Cúpula dos Povos como parte de um processo global de resistência ao capitalismo, que é patriarcal e racista e que hoje se expande cada vez mais para todas as esferas da vida.

Nosso objetivo com a participação nesse processo é conseguir, antes mesmo da Cúpula dos Povos, dar visibilidade aos processos de luta contra as falsas soluções e contra o capitalismo verde, cenário no qual estamos envolvidas em nossos países. E, a partir de uma posição feminista (antissistêmica e crítica), provocar um debate aberto para desmascarar as intenções das corporações transnacionais e de muitos governos em relação à economia verde, denunciando a ligação dessa proposta com o aumento da opressão das mulheres. Ao mesmo tempo, queremos dar visibilidade às propostas alternativas das mulheres para o bem viver e conviver por meio de nossa participação ativa e em aliança com os movimentos sociais.

Temos como ponto de partida os debates e as ações organizadas ao longo de nossa história como movimento, que estão sintetizados em nossos campos de ação, especialmente na questão dos bens comuns e dos serviços públicos.

Posicionamos o feminismo nos campos da crítica às falsas soluções e da crise ambiental, mas também para afirmar que o novo discurso capitalista, que hoje se traduz no termo ‘economia verde’, é o mesmo modelo de mercado que mercantiliza nossas vidas, nossos corpos e nossos territórios. Dizemos “não” às falsas soluções propostas pelo mercado e por seus agentes – como os créditos de carbono, os agrocombustíveis, os mecanismos de REDD e REDD ++ e a geoengenharia. Não aceitamos falsas soluções que só geram mais negócios e não mudam o modelo de produção, consumo e reprodução social.

Mas, também, afirmamos que as alternativas construídas e propostas pelos povos devem integrar uma dimensão geradora de igualdade. Para que as alternativas dos povos sejam globais e verdadeiras, devem contemplar a igualdade entre mulheres e homens, o direito das mulheres a uma vida sem violência e a divisão do trabalho doméstico e de cuidados entre homens e mulheres. Para isso, partimos dos conhecimentos que acumulamos na economia feminista e temos a sustentabilidade da vida humana como objetivo.

Esse debate de crítica ao capitalismo e ao desenvolvimento de alternativas não se realiza nos marcos institucionais da ONU ou em seus espaços de diálogo com a sociedade civil, que muitas vezes se restringem a adicionar cláusulas de gênero em seus tratados, em uma lógica similar ao que tem passado nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Acreditamos que o debate sobre alternativas só pode avançar com muito trabalho de conscientização junto às mulheres e em espaços de aliança com outros movimentos sociais que também se contrapõem e lutam contra o capitalismo, patriarcal e racista. Com esta perspectiva, estivemos presentes em vários espaços dos povos, paralelos às cúpulas oficiais como a COP (Conferencia das Partes) da Convenção sobre mudanças climáticas da ONU realizadas em Bali (2008), Copenhaguen (2009), Cancún (2010) e Durban (2011). Também participamos de processos construídos junto aos povos, em especial, a Cúpula dos Povos sobre Mudanças Climáticas e Direitos da Mãe Terra (Cochabamba, Bolivia, 2010) e no Fórum Social Temático Crises do Capitalismo justiça ambiental e social (Porto Alegre, Brasil, 2012).

Ações da MMM
Durante a Cúpula dos Povos, planejamos ter os seguintes espaços:

1. Alojamento da MMM para 1.000 mulheres. Será um espaço de alojamento, organização e intercâmbio, tanto para a delegação brasileira quanto para as delegadas internacionais da MMM que possam estar no Rio. Os comitês da MMM nos estados brasileiros já estão organizando atividades de formação, mobilização e de finanças para garantir a presença de suas delegações.

2. Participação nos espaços da Cúpula. Organizamos nossas atividades de forma a potencializar a construção das plenárias de convergências e da Assembleia dos Povos, garantindo que a perspectiva feminista seja parte desses processos.

3. Mobilizações. Com os movimentos sociais aliados, planejamos promover muitas ações nas ruas durante os dias da Cúpula. Estamos em processo de trabalho para visibilizar a agenda feminista nessas mobilizações. Por exemplo, na luta contra as minerações (principalmente contra a Vale), queremos denunciar como a ofensiva do capital sobre os territórios avança também sobre nossos corpos, o tema da violência, a prostituição.

No dia 18 de junho, faremos uma mobilização das mulheres, organizada com o conjunto de movimentos de mulheres do Brasil e com mulheres de movimentos mistos aliados. Nessa manifestaçao, queremos expressar um forte posicionamento feminista contra o capitalismo verde.

5 de Junho: dia de mobilização internacional
Conscientes da necessidade de gerar um processo mais amplo de crítica à economia verde, durante o Fórum Social Temático  realizado em Porto Alegre (RS), de 24 a 29 de Janeiro de 2012, a Assembleia de Movimentos Sociais definiu a construção de um dia mundial de ação comum: 5 de Junho, com o objetivo de mandar uma forte mensagem a cada um de nossos governos antes da conferência da ONU (Rio+20). Nessa data, que coincide com o Dia Internacional do Meio Ambiente, vamos destacar nossas posições, que são contrárias às políticas que servem às corporações transnacionais e implicam na mercantilização da natureza, de nossas vidas e nossos corpos, e afirmar nossas alternativas.

Como parte de nossas alianças, reforçamos nossos eixos comuns de lutas, decididos em 2011, em Dakar: contra as empresas transnacionais, pela justiça climática e soberania alimentar, pelo fim da violência contra as mulheres e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios.

Para ler a declaração da Assembleia de Movimentos Sociais em Porto Alegre 2012, clique aqui.

No Brasil, também, durante os dias da Rio+20, movimentos e organizações têm se preparado para  realizar uma mobilização com forte presença nacional e internacional no dia 20 de junho.

Rio+20: um olhar sobre o processo oficial
Em janeiro de 2012, a ONU lançou o rascunho zero do documento preparatório para as discussões oficiais, intitulado ‘O futuro que queremos’. O documento tem muitos problemas: apresenta a economia verde e a participação do setor privado como solução para os problemas que eles mesmo criaram e criam; reafirma a Rodada de Doha da OMC, a declaração de Paris sobre cooperação internacional e a COP-17, todos acordos que reforçam o interesse das corporações. E, ao final, propõe como medidas concretas o estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Quem acompanha o tema chama a atenção de que isso é a repetição o que foram os Objetivos do Milênio – ou seja, acordos rebaixados que colocaram no lixo todos as negociações do ciclo de conferência sociais das Nações Unidas nos anos de 1990.

Nós da MMM Brasil nunca vimos com muito entusiasmo os resultados desse ciclo de conferências. Muito nos preocupa o contrato de acordos amplamente aceitos que criam as bases para novos negócios, como foi, por exemplo, o Acordo de Dublin e a posterior expansão da privatização dos serviços de água.

No processo oficial da Rio+20, há um Major Group de mulheres. Elas apresentaram suas contribuições para o rascunho zero em novembro de 2011. Nesse documento há considerações de medidas concretas com as quais em parte estamos de acordo – como, por exemplo, a proposição de medidas concretas para a rápida redução e eliminação dos subsídios a energias não sustentáveis (por exemplo, a nuclear); a afirmação do princípio de precaução; a necessidade de proteção aos sistemas de conhecimento tradicionais das mulheres indígenas frente a sua exploração pelas corporações. O grupo é critico do termo “economia verde”, propõe substituí-lo por “economia equitativa e sustentável” e descreve seus princípios. Além disso, as mulheres chamam a atenção sobre os limites do Produto Interno Bruto (PIB) como medida de bem-estar e propõem indicadores para avaliar os impactos de gênero.

Contudo, todas essas contribuições não aparecem no rascunho zero da ONU, que só faz uma referência genérica à desigualdade de gênero, mencionando que o desenvolvimento sustentável depende da contribuição das mulheres, que é necessário remover barreiras que impedem as mesmas de serem participantes integrais na economia e priorizar medidas que promovam a igualdade de gênero. O rascunho zero também incorpora a necessidade de desenvolver indicadores que contemplem de uma só vez o econômico, o ambiental, e o social.

Consideramos que uma análise restrita aos impactos diferentes de gênero pode se limitar a uma descrição dos impactos positivos e negativos de uma maneira fragmentada. Por exemplo, no ápice da globalização neoliberal, o aumento do trabalho remunerado das mulheres nas máquillas e a agricultura de exportação eram vistos como efeitos positivos: as mulheres tinham um rendimento próprio e por isso era mais provável que tivesse maior autonomia. Porém, havia também impactos negativos, sobretudo nas condições precárias de trabalho. Nessa lógica, se propõem medidas que equilibram os aspectos positivos e negativos. Mas nós priorizamos um olhar que analisa como o capitalismo faz uso de estruturas patriarcais no seu atual processo de acumulação e, por isso, construímos uma luta e resistência feminista e anticapitalista.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Fonte: http://cupuladospovos.org.br/2012/05/mulheres-em-luta-contra-a-mercantilizacao-da-vida-e-da-natureza/

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