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#MeProcessaTas e o Caso com a blogueira Lola

O Misógino do Tas acha que liberdade de expressão é processar blogueira que difere de seu pensamento machista, neoliberal etc e tal…

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LIBERDADE RELATIVA: MARCELO TAS QUER ME PROCESSAR

Estou indignada, mas vou me esforçar para não parecer tão indignada. Ontem, como vocês viram, publiquei um post mandando o CQC pra PQP. Isso foi no título. No texto em si eu estava muito mais comedida, e expliquei porque é misoginia ter nojo da anatomia feminina (principalmente quando esta anatomia não está a serviço dos homens adultos e héteros, como no caso da vagina no parto e dos seios na amamentação). Por que fiquei tão revoltada? Por uma questão de princípios. Não sou mãe, nunca quis ser mãe, e agora, prestes a completar 44 anos na próxima segunda, definitivamente não serei mãe. Portanto, nunca amamentei. Também nunca fiz aborto, e no entanto sou 100% a favor da legalização do aborto. Assim como não sou lésbica, mas comemorei quando a união homoafetiva passou no Supremo. Não sou negra, mas faça uma piadinha racista perto de mim. E por aí vai. Eu não defendo apenas as causas que me beneficiam diretamente.
Já faz tempo que eu e muitas, muitas pessoas não engolimos as asneiras “politicamente incorretas” (código para “posso falar o que quiser e não aceito ser contestado”) de Rafinha Bastos, Danilo Gentili, e do CQC em geral, entre tantas outras celebridades e seus programas. Mês passado foram dois casos: Rafinha, numa revista, defendendo com todos os dentes piada de estupro (é um favor uma mulher feia ser estuprada, estuprador merece um abraço etc), e Danilo twittando que entende porque os judeus de Higienópolis são contra a construção do metrô — porque, da última vez que entraram num vagão, foram parar em Auschwitz. No segundo caso, a Band exigiu retratação do seu contratado, e Danilo rapidamente tirou o tweet do ar e pediu desculpas. No caso de Rafinha, nada. Parece que não é bacana fazer piada com judeu, mas com mulher, zuzo bem, tá liberado. Afinal, somos apenas 52% da população.
Mas eu me ofendo. Sou feminista desde os 8 anos de idade, e pra mim é ponto pacífico que a mulher tenha liberdade sobre seu corpo. Portanto, quando vem um bando de marmanjo ridicularizar mulheres por amamentarem em público, vejo isso como uma intervenção no corpo da mulher. É dizer que ela não pode amamentar na frente de outras pessoas, que existe apenas um tipo de seio que pode ser exposto. Isso num momento em que os mamaços se intensificam por todo o país, porque as mães não são bobas: elas sabem que vem crescendo no Brasil um conservadorismo que é contra a liberdade feminina (e também contra a liberdade de todas as outras minorias).
Quando Rafinha desdenhou do mamaço (e do beijaço), ele sabia o que estava fazendo. O CQC sabia. E aqui admito que errei numa informação no meu texto, como me informou uma leitora: não foi na TV que esse lamentável diálogo (veja aqui) aconteceu. Foi no CQC 3.0, que passa na internet após o programa televisivo. Mas faz muita diferença? Os participantes são os mesmos. Os temas, pelo que me contam, são os mesmos. O nível de estupidez é o mesmo. Se a gente considerar que integrantes do CQC estão ligados ao programa até quando falam numa revista ou no twitter, imagino que o que eles digam num troço pra internet chamado CQC 3.0 conte como parte do CQC, ou não?
De todo modo, ontem mais ou menos no almoço recebi um email do Marcelo Tas, curto e grosso, querendo saber onde e quando ele se posicionou contra a amamentação. Eu respondi, com a mesma educação que me foi dispensada, que nem ele nem o CQC se opuseram à amamentação, e sim à amamentação em público, como está claro no meu texto. E que eu só citei o Tas uma vez, num parênteses sem referência à amamentação em si, em que eu dizia que é claro que a sociedade gosta de seios (desde que direcionados a sua função única, a de fazer babar os homens) porque a TV não sobreviveria só de Rafinhas ou Marcelos Tas. Mas ele me mandou um outro email, subindo o tom, pedindo retificação imediata, porque ele não se disse contra a amamentação em público, ele não disse nada daquilo, e ele não é misógino. Comentei no Twitter que eu tinha recebido email do Tas e, mais tarde, publiquei nos comentários do meu post esses dois emails curtinhos como resposta dele, como um “outro lado”. Recebi outro email em seguida, em que ele diz: “Você vai aprender através de um processo por calúnia e difamação a ser mais responsável com o que publica, esta troca de e-mails documenta a minha tentativa de dialogo com voce antes de tomar o caminho da Justiça”. Quer dizer, o que foi isso? Ameaça de processo, certo?
E isso me deixa indignada. O CQC tem o direito sagrado da liberdade de expressão para caluniar todas as mulheres, mas eu não tenho a liberdade para criticá-los? Então me parece que essa tal liberdade é meio relativa. Eu, por exemplo, dona deste humilde bloguinho com suas 90 mil visitas e 150 mil pageviews por mês, jamais ameacei ninguém com um processo. Sou contra a censura. Em todas as minhas críticas aos machistas, misóginos, homofóbicos e racistas de plantão (e são muitas críticas em 3,5 anos de blog com atualizações diárias), nunca exigi que alguém se calasse ou que algo fosse tirado do ar ou da internet. No caso do Rafinha fazendo piada com estupro, não divulguei nem o que seria totalmente legítimo — que passássemos a boicotar os anunciantes do CQC, programa que o emprega.
É engraçado que o Tas queira me processar porque, como lembrou a Srta.Bia, no caso do Danilo, quando a PinkyWainer perguntou ao Tas se ele apoiava o tipo de humor danístico sobre judeus e o metrô de Higienópolis, ele respondeu: Engraçado também que o CQC e demais programas são os primeiros a gritar “Censura! Exijo liberdade de expressão!” quando recebem qualquer crítica, mas são tão rápidos no gatilho pra ameaçar com processo quem os critica.
Eu até entendo. Por coincidência, estava lendo uma matéria da Lúcia Rodrigues na Caros Amigos de maio. Chama-se “As Novas Táticas da Repressão Política” (trecho aqui) e fala justamente sobre como processos jurídicos são movidos para intimidar os ativistas. É o que está em alta atualmente. O MST incomoda? Não basta só jogar a polícia em cima, mete também um processo! Processo é usado pra calar qualquer um que se oponha ao status quo. E Tas e seus colegas de CQC, apesar de posarem de moderninhos, representam, com seus preconceitos ultrapassados, esse status quo. Seu exército de advogados, sempre prontos para defender os integrantes de qualquer processo, também serve para intimidar. Mas se alguém achar que difamei o Tas, peço para que leia o post, do qual não troquei uma só vírgula. Como disse o Bruno, “se esse post é calúnia, o CQC é formação de quadrilha”.
Tas em nenhum momento criticou o que seus colegas disseram, ou as outras besteiras que vivem dizendo. Mas se irritou porque eu o chamei de misógino. É, fui injusta. Gostaria de acrescentar que, além de considerá-lo um misógino de marca maior, também o vejo como um tucano enrustido e um babaca arrogante. Isso é calúnia e difamação? Ou é a minha opinião?
Se não tenho direito a minha opinião, então, Tas, me processe. Pela demonstração de apoio que recebi ontem, suponho que bastante gente ficará do meu lado, a favor da liberdade de expressão. Acho que na hora muit@s de nós nos levantaremos gritando “Eu sou Spartacus”, sabe? Você deve saber a força de uma mobilização online. Fico no aguardo de você começar uma luta de Davi e Golias contra mim. Ao contrário de você, eu não tenho um dos maiores grupos de comunicação do país me dando apoio. Tenho apenas a minha consciência, e esta precisará de mais de um processo pra ser calada. Eu sou mulher, sou feminista, tenho peito, não tenho medo. Pra mim “aquilo roxo”, balls, cojones, nunca foram sinônimo de coragem. Coragem é enfrentar todo um sistema que insiste em perpetuar preconceitos.

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Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade.

dia mulher_faixa 8 marcopor Tica Moreno

Esse post é parte da blogagem coletiva pelo fim da impunidade, organizada a partir deste caso: uma fulana estava dirigindo muito louca, entrou na contramão e atropelou uma mulher. Ainda pisou no acelerador mais de uma vez, como se fosse passar por cima da atropelada. Fulana que dirigia o carro: uma procuradora do trabalho. Mulher que foi atropelada: empregada doméstica.

A que atropelou ainda foi parar na delegacia mas não se pode fazer nada contra ela, porque tá previsto na lei que uma procuradora não pode ser indiciada em inquérito policial.

Classe. Taí um conceito que a gente não pode nunca esquecer. Ainda mais nós, que estamos o tempo todo falando sobre um outro conceito, o de gênero.

Foi nisso que fiquei pensando quando vi o caso que motivou a blogagem coletiva de hoje, e talvez por isso eu saia um pouco do assunto proposto no post.

É importante pra gente que é feminista se ver frente a essas situações que expõe um tipo de relação social que não é a de gênero. Uma mulher atropela outra e sai impune. A impunidade é legitimada pela profissão da que atropelou. A atropelada tem que voltar a trabalhar ainda com dores, e nem tem motivação pra processar a que a atropelou. Porque tem medo, sabe que vai dar um trabalhão, e pode não dar em nada. É fácil as vezes a gente pensar o que uma pessoa tem que fazer nessa situação. Mas não é a gente que teve que ir fazer uma faxina ainda cheia de dores no corpo.

Eu fico aqui pensando no que uma e outra tem em comum como mulheres. Devem ser mães, com certeza já sofreram alguma discriminação por serem mulheres, podem ter sido vítimas de violência, podem ter feito um aborto, uma pagando caro em uma clínica da zona sul do rio, outra de outra forma mais barata. Uma deve ter empregada doméstica. Outra é empregada doméstica.

Sem dúvidas as nossas lutas como mulheres pelo fim da violência, pelo direito ao aborto legal e seguro, pelo direito a viver livremente nossa sexualidade, pelo fim das discriminações e contra a mercantilização do nosso corpo são comuns a todas.

Mas não dá pra apagar isso que é gritante na sociedade brasileira, e que marca as relações sociais e o Estado: a desigualdade. Entre homens e mulheres, brancos/as e negros/as, rico/as e pobres. A Daniele Kergoat e a Helena Hirata chamam a combinação desses elementos de coextensividade ou consubstancialidade das relações de gênero, classe e raça. Não é que um ou outro elemento define o que é a relação, mas explica um sistema em que tudo está imbricado.

Assim, a gente não consegue alterar um aspecto da desigualdade se não muda os outros. Não dá pra gente falar em igualdade pras mulheres em um mundo com pobreza e exploração, porque enquanto uma pequena parcela de mulheres está entre as camadas exploradoras, a imensa maioria tá sendo explorada pra garantir o bem estar dos ricos. Não dá pra falar em igualdade pras mulheres se as brancas tem privilégios sobre as negras por sua cor.

E as mudanças não são automáticas, que nem tem gente na esquerda que ainda não aprendeu com a história e insiste em dizer “a gente acaba com o capitalismo e depois vê o que faz com o patriarcado”. E não dá pra ser ingênua do ponto de vista do feminismo achando que dá pra ter igualdade e liberdade pra todas as mulheres nos marcos de um mundo capitalista e racista. Tem que pensar as estratégias pra combater todos os elementos que compõem a dominação, opressão e desigualdade.

Se a gente não olha pra esse aspecto central das relações sociais do nosso presente, a gente vai fazer um feminismo distorcido, para pouquíssimas, que não é um projeto diferente de futuro.

“Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade” Essa frase é das feministas espanholas, e diz tudo.

Fonte: http://blogueirasfeministas.wordpress.com/

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A mulher grávida que o marido entregou aos torturadores

Soledad Barrett Viedma, grávida, foi entregue pelo marido aos torturadores da Ditadura Militar; torturada até à morte na cidade de Recife, em 08 de janeiro de 1973
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As mulheres e a ditadura militar no Brasil

Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Rago destacou alguns momentos que foram marcantes para as mulheres que, ao longo do tempo, não foram ouvidas nos debates, análises e reflexões sobre a repressão militar. “As mulheres ficavam bordando a dor na tapeçaria ao invés de escrever e falar. Acho que fomos educadas para se manter em silêncio e o feminismo rompe com isso, mas existe toda uma tradição cultural que vem de séculos dizendo que as mulheres não têm neurônios e inteligência”, aponta. Luzia Margareth Rago é historiadora pela Universidade de São Paulo e doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas, onde também realizou seus dois Pós-Doutorado e obteve, em 2000, o título de Livre-docência. Há 24 anos, é professora da Unicamp. É autora de Mujeres Libres da Espanha: documentos da Revolução Espanhola. (Rio de Janeiro: Achiamé, 2008); Os prazeres da noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930 (São Paulo: Paz e Terra, 2008), entre outras obras.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Por que fazer um evento que relaciona Mulheres, Ditaduras militares, Anistia?
Margareth Rago – Primeiro, porque estamos vivendo um momento especial, que é a comemoração dos 30 anos da anistia, com todas as discussões e questionamentos que isso tem trazido à tona. E, segundo, pela constatação de que as mulheres não estão aparecendo nesses eventos, como sempre. A intenção é dar maior espaço e visibilidade às mulheres, tanto que é um evento de mulheres falando das suas próprias experiências com outras mulheres que são historiadoras, também analisando estas experiências. Temos ex-presas políticas e ex-exiladas, como é o caso da Ivone Gebara e historiadoras como a Raquel Soihet, do Rio de Janeiro, a Graciela Sapriza, do Uruguai, a Susel Oliveira da Rosa, pós-doutora na Unicamp, e eu mesma.

Estamos em um universo feminino e feminista, refletindo sobre a questão da ditadura militar no Brasil e a questão da anistia. Na minha opinião, temos uma historiografia que é marcada por uma dicotomia muito forte. De um lado, praticamente todos os trabalhos que falam da ditadura militar no Brasil são escritos por homens e falam dos homens. De repente, tem um capítulo pequeno, uma nota de rodapé, que cita uma mulher e faz uma concessão, mas, em geral, não há isso. O interior do universo masculino, do partido, do sindicato, da política tradicional, muito acentuadamente é marcado por esta questão de gênero que não é explicitada. De outro lado, temos uma historiografia, já nestes trinta anos, que é uma história do feminismo, que tem as mulheres bravas e lutadoras, mas também um pouco fechadas em um universo muito feminino. Acho é um meio de campo pouco trabalhado e onde quero entrar. Tenho uma pesquisa que trabalha com esta questão, com estas mulheres que transgrediram, que abriram novos espaços, não necessariamente presas políticas, algumas são por acaso. A ideia é essa, abrir espaço para pensarmos a questão desta necessidade feminina que merece um olhar, porque a diferença é muito grande da maneira como foram tratadas, como viveram e como narram o pessoal.

IHU On-Line – Em relação à ditadura que o Brasil viveu, a busca da verdade e da justiça virou uma luta das mulheres?
Margareth Rago – Acho que sempre esteve no horizonte do feminismo esta questão. A história do feminismo do Brasil, desta onda que vem da década de 1970, vem de mulheres militantes, marxistas, ex-presas políticas, como a Amelinha, fundadora da União de Mulheres em 1981, mas que era do PCdoB e foi presa em 1972; e como a irmã dela, Crimeia Alice Schmidt de Almeida, que esteve na guerra do Araguaia e também foi presa nesses anos. E mais a adesão de mulheres que estavam exiladas, como a Danda Prado, filha do Caio Prado, que teve uma experiência totalmente ligada a essa questão.

Então, o feminismo brasileiro é um feminismo de esquerda e esteve altamente envolvido na luta contra a ditadura militar, não tenho dúvida nenhuma disso. Não acho que é uma questão de agora, mas uma questão que esteve presente. Por algum motivo, talvez nós mesmas não estivéssemos tão preparadas em termos teóricos, pois, acho que é uma questão de linguagem, de nós podermos colocar as coisas em termos da narrativa feminina, da especificidade do feminino que não é biológica, que é cultural. Ou talvez porque é difícil falar da dor e do sofrimento no caso das mulheres. Quando um homem conta suas dores, seus problemas na prisão, por exemplo, quando se lê o livro do Flávio Tavares, é tudo muito doloroso, mas ele pode falar. Quando uma mulher vai escrever um livro dizendo como foi estuprada na prisão, é uma questão muito delicada, muito dolorosa.

Esse fato é constatado não só no Brasil. A historiadora do Uruguai, Graciela Sapriza, também acha isso no Uruguai. As mulheres não contam que foram estupradas, pouquíssimas falam disso. E sabemos que as mulheres são estupradas fora da prisão aos montes, imagina na prisão completamente nas mãos de torturadores, que eram brutos, pessoas terríveis. Talvez por aí as narrativas femininas não tenham sido tão fortes. Ou talvez pela questão do silêncio feminino que é cultural, é histórico, tem séculos e séculos, as mulheres ficavam bordando a dor na tapeçaria ao invés de escrever e falar. Acho que fomos educadas para se manter em silêncio, e o feminismo rompe com isso, mas existe toda uma tradição cultural que vem de séculos dizendo que as mulheres não têm neurônios e inteligência.

Os grandes homens do século XIX, como Spencer, Darwin, diziam que as mulheres são um menino de dez anos na evolução das espécies, porque elas têm que acumular energia para parir, e o preço que isso custa é perda de neurônios. A ginecologia, quando nasce no fim do século XVIII e início do XIX, fundamenta incivilidade física da mulher, cientificamente. Há toda uma tradição cultural de opressão às mulheres, e não é à toa que o feminismo explode violentamente, pondo a boca no trombone, como dizemos popularmente. Acho que as mulheres têm muita capacidade de escrever, temos mulheres brilhantes, escritoras, pintoras, artistas e compositoras, mas são sempre muito silenciadas, ou pelo discurso historiográfico, pela família, ou por muitas estratégias de poder, controle e produção da submissão.

IHU On-Line – Como a senhora analisa o “narrar” a ditadura hoje?
Margareth Rago – Entendo que falar da ditadura, escrever sobre ela, trazer essas experiências é absolutamente necessário e é um ato político. Sabemos que os jovens desconhecem o que aconteceu num passado recente, sendo que as feridas ainda não estão cicatrizadas. Então, narrar tem uma dimensão, em minha opinião, de processar o luto. Quando se fala, se revive o trauma, se compartilha com o outro, se chora. Participei de alguns eventos como agora, em maio, em Florianópolis, em que as mulheres falaram de suas experiências na prisão, havia uma argentina, uma uruguaia, uma boliviana e umas brasileiras, todas choraram imensamente, foi uma comoção, porque a dor é muito grande. Existe esta questão que é preciso processar o que aconteceu, é preciso falar, entender o que foi. Isto em uma dimensão pessoal e coletiva também, porque são feridas do país, e o país tem que se acertar, tem que enfrentar sua verdade, porque se não ele não se encontra. Faz parte da memória coletiva enfrentar o seu passado, saber o que aconteceu e colocar a limpo isso, para ele poder elaborar isto, ou então não vira a página. Acho que psicanalistas podem explicar muito bem isto, mas funciona a nível pessoal e coletivo. Um ato político de denúncia, pois os jovens têm que saber o que aconteceu, não se pode romper e simplesmente cair num mundo, como não se tivesse passado, não tivesse acontecido nada, estamos em uma democracia, está tudo ótimo e maravilhoso, vamos em frente.

Este é um compromisso ético e histórico. Existe um compromisso com os que morreram. Acho que este é um compromisso ético com os que não podem mais contar o que aconteceu, e com estes corpos que não foram encontrados, tanto por estas pessoas como pelas famílias, como esta história que está acontecendo com a guerrilha do Araguaia. Até há pouco tempo, essa guerrilha não constava nas histórias do Brasil, não tinha documentos e ninguém sabia de nada. Os militantes que contaram, os que sobreviveram, não tiveram processo, não tem nem o processo penal para se encontrar e saber o que aconteceu. Acho que tudo isso é muito importante, inclusive para garantir que não aconteça mais, que esta história não se repita. E, para isso, as pessoas têm que tomar conhecimento dessa história, saberem o que aconteceu, têm que se indignar sim. As mulheres têm muita história para contar. Elas têm que falar o que foi a violência nas prisões, as violências sexuais, e também na militância. Em um dos artigos que publicamos na Revista Labrys, há um depoimento e, ao mesmo tempo, uma reflexão de uma ex-presa política, que é professora universitária hoje, Eleonora Menegucci de Oliveira, onde ela diz que, até para os militantes companheiros, elas tinham que provar que eram corajosas, e elas faziam a segurança com armas, e as pessoas não falam dessa história. Fica esta ideia de que as mulheres serviam cafezinho e que não pensavam a revolução, não eram militantes tão importantes quanto os homens. Por tudo isso que estamos fazendo este evento no dia 29 de outubro e, ao mesmo tempo, publicando esse dossiê na Revista Labrys, dedicado às mulheres feministas que foram presas políticas, ou não, como a Ivone Gebara, mas que foi mandada para a Bélgica para fazer outro pós-doutorado porque havia saído um artigo em uma entrevista na revista Veja, em que ela defendia o aborto. Ela, como teóloga feminista, foi muito frontal à estrutura hierárquica e patriarcal da Igreja. Ela é uma das grandes filósofas feministas contemporâneas.

IHU On-Line – Como a ditadura influenciou a construção do feminismo político no Brasil?
Margareth Rago – A ditadura, se pudesse, teria impedido. A ditadura não constrói nada, só destrói. Há uma luta contra esta destruição, mas a ditadura destrói tudo, porque significa o silenciamento, é o fim da esfera pública. As pessoas não tinham mais os pontos de encontros, de sociabilidade, de troca política, de reflexão. A ditadura é um atraso profundo na vida de um país. Pense o que a reflexão científica, filosófica e teórica foi atrapalhada pela ditadura. Pense o que foi essa desinformação da juventude hoje, que não teve contato com nada, não sabe de nada que aconteceu. Se tivesse sido criada em um sistema democrático, teria contato com as coisas, com o mundo, com os manifestos, conflitos e protestos. Mas pelo contrário, a ditadura só atrapalhou. Acho que o mundo floresce quando se tem liberdade, acredito na liberdade, e não acredito no poder e na dominação. Olha no nazismo o que aconteceu, olha a ditadura da Argentina. Imagina um jovem argentino de 20 anos que tem uma família e, de repente, ele descobre que a família atual tem um torturador que matou os pais biológicos. A cabeça deste menino não tem como ficar normal, é uma tortura, um trauma.

Então acho que não, que ditadura nunca mais. Tortura nunca mais. Repressão e violência nunca mais. Temos que afirmar a liberdade, compromissos éticos, a solidariedade, a crença na possibilidade de construir novas formas de existência, éticas, libertárias que não se signifiquem submissão, obediência ao outro, pois isso é uma renúncia de si, como explica Michel Foucault. O que é duro, enquanto historiadora, é olhar que temos uma tradição histórica maravilhosa, mas que foi detonada por interpretações que se disseram verdadeiras e abafaram tudo. Não conhecemos nem sequer alguns termos hoje. Por exemplo, parrésia, que quer dizer coragem da verdade. Foucault buscará isso no movimento dos cínicos, lá atrás, antes de Cristo, e você fica chocada, porque o cinismo hoje significa falsidade, não é? E os cínicos eram pessoas que apostavam numa vida verdadeira, transparente, despojada. Ou seja, o oposto. O que constatamos com isso? Que predominou uma cultura da guerra, masculina, machista, homófoba. Isso é uma perda muito grande. Ainda bem que podemos descobrir essas outras dimensões que estão presentes no nosso passado e são tão ricas.

IHU On-Line – Na Argentina, a memória da ditadura é muito viva, muitas vezes, para que esse passado não volte a acontecer. Como a senhora vê a questão da memória da ditadura no Brasil?
Margareth Rago – Antes de falar com você, eu liguei a televisão e apareceu uma senhora falando da filha – e apareceu a foto da filha – que foi morta na Guerrilha do Araguaia. A mulher está falando que é mãe, que ainda não encontrou o corpo e que há “tantos” desaparecidos políticos ainda. Eu levei um susto, porque, na Argentina, isso aconteceu faz tempo. Há muito tempo essas questões foram para a televisão lá! Aqui não. É claro que há muitas diferenças históricas. O país lá é menor, aqui é imenso. A questão lá envolveu muito mais gente, como todo mundo sabe. A questão não é quantitativa. Todo ato de violência tem que ser evitado, impedido. Eu não sei ainda entender as temporalidades. Mas acho que, na Argentina, foram muitos filhos desaparecidos. Todo mundo tem uma historia. A coisa bateu de uma maneira muito forte. Aqui a coisa foi muito dispersa. Vejo que há uma movimentação hoje no Brasil que na Argentina já aconteceu. Mas, de qualquer forma, isso é positivo.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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Lembrança dos crimes da ditadura militar: fazei isso em memória delas

lembrança dos crimes da ditadura militar: fazei isso em memória delas

POR José Bessa Freire

São mulheres de diferentes cidades do Brasil. Algumas amamentavam. Outras, grávidas, pariram na prisão ou, com a violência sofrida, abortaram. Não mereciam o inferno pelo qual passaram, ainda que fossem bandidas e pistoleiras. Não eram. Eram estudantes, professoras, jornalistas, médicas, assistentes sociais, bancárias, donas de casa. Quase todas militantes, inconformadas com a ditadura militar que em 1964 derrubou o presidente eleito. Foram presas, torturadas, violentadas. Muitas morreram ou desapareceram lutando para que hoje nós vivêssemos numa democracia.

As histórias de 45 dessas mulheres mortas ou desaparecidas estão contadas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, lançado quinta-feira passada, na PUC de São Paulo, na presença de mais de 500 pessoas. O livro contém ainda o testemunho de 27 sobreviventes e muitas fotos. Se um poste ouvir os depoimentos dilacerantes delas, o poste vai chorar diante da covardia dos seus algozes. Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte.

Rose Nogueira – jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.

Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária: “Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.

Hecilda Fontelles Veiga – estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará. “Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.

Yara Spadini – assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC. “Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.

Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte. “Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam- me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.

Ignez Maria Raminger – estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde. “Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.

Dilea Frate – estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.

Cecília Coimbra – estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: “Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.

Maria Amélia de Almeida Teles – professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.

São muitos os depoimentos, que nos deixam envergonhados, indignados, estarrecidos, duvidando da natureza humana, especialmente porque sabemos que não foi uma aberração, um desvio de conduta de alguns indivíduos criminosos, mas uma política de Estado, que estimulou a tortura, a ponto de garantir a não punição a seus autores, com a concordância e a conivência de muita gente boa “em nome da conciliação nacional”.

No lançamento do livro na PUC, a enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram: “Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.

Os fantasmas que ainda assombram nossa história recente precisam ser exorcizados, como uma garantia de que nunca mais possam ser ressuscitados – escreve a ministra Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, na apresentação do livro, que para ela significa o “reconhecimento do papel feminino fundamental nas lutas de resistência à ditadura”.

Este é o terceiro livro da série “Direito à Memória e à Verdade”, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O primeiro tratou de 40 afrodescendentes que morreram na luta contra o regime militar. O segundo contou a “História dos meninos e meninas marcados pela ditadura”. Eles podem ser baixados no site da SEDH.

O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos nos próximos dias. Essa é uma ocasião oportuna para lançar o livro em todas as capitais brasileiras. No Amazonas, as duas reitoras – Marilene Correa da UEA e Márcia Perales da UFAM – podiam muito bem organizar o evento em Manaus e convidar a sua colega Nilcea Freire para abri-lo. Afinal, preservar a memória é um dos deveres da universidade. As novas gerações precisam saber o que aconteceu.

A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê. É como o sacrifício da missa para quem nele crê. A gente tem de lembrar diariamente para não ser condenado a repeti-lo: fazei isso em memória delas.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti .

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Internauta pode opinar sobre aborto de fetos anencéfalos

Durante o mês de novembro, o internauta pode opinar sobre o projeto (PLS 227/04) que permite o aborto no caso de fetos anencéfalos. A enquete sobre o tema é organizada pela Agência Senado em parceria com a Secretaria de Pesquisa e Opinião (Sepop) e pode ser acessada no lado direito da página principal do Portal de Notícias do Senado.

O PLS 227/04, de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), altera o artigo 128 do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/1940), que lista os casos em que “não se pune o aborto praticado por médico”. O Código já prevê entre essas exceções as situações em que não há outro meio de salvar a vida da gestante e aquelas em que a gravidez resulta de estupro.

O projeto de lei apresentado por Mozarildo Cavalcanti exclui a punição também no caso de anencefalia, quando se identifica no feto a ausência dos hemisférios cerebrais – principal característica da anencefalia.
Atualmente, o PLS 227/04 tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde aguarda parecer do relator,senador Edison Lobão (PMDB-MA)

Da Redação / Agência Senado

Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=105045

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