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A violência contra a mulher e o capitalismo

Eliza, Mércia, Eloá, Aline, Daniela, Maria. Infelizmente os casos de violência contra a mulher não são fatos isolados. Eliza Samudio há oito meses havia denunciado o jogador do Flamengo, Bruno Maria Islanine, assassinada em janeiro pelo ex-marido, fez oito denúncias antes de ser morta.

Segundo dados do Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Sangari, entre os anos de 1997 e 2007, mais de 41.000 mulheres foram assassinadas no Brasil, um índice de 4,2 % por 100.000 habitantes, bem acima da média internacional. Entre os casos, a maioria dos agressores tinha algum tipo de relação conjugal com as mulheres, como identifica o Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo.

A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil, conforme relata pesquisa da Fundação Perseu Abramo. Já na América Latina, segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), 45% das mulheres da região já sofreram ameaças de seus parceiros.

A Lei Maria da Penha, aprovada em 2006, é uma legislação avançada, mas sua aplicação ainda é muito lenta e não há um sistema que garanta proteção às mulheres vítimas de violência. Apenas 7% dos municípios brasileiros possuem Delegacias da Mulher; as casas que acolhem mulheres em situação de violência, com endereço sigiloso, não dão conta da demanda. Além disso, quando alguns casos são pauta da grande mídia, geralmente tenta-se culpabilizar as mulheres, desqualificando-as e tentando justificar, de alguma maneira a agressão, como tem ocorrido no caso de Eliza.

O contexto histórico e social
Quando vemos casos de violência de homens contra mulheres devemos conseguir ver além do caso em si. Precisamos nos perguntar por que tantas mulheres são vítimas da violência e como se dão as relações de gênero dentro de uma sociedade capitalista.

Esse tipo de violência atinge principalmente as mulheres trabalhadoras, que encontram maior dificuldade de sair dessa situação. Além dos entraves afetivos e culturais – questões morais e de costumes da sociedade – as mulheres trabalhadoras possuem o obstáculo econômico. Em relatos coletados pela pesquisa Ibope sobre “A percepção da violência doméstica contra a mulher no Brasil”, a falta de condições econômicas para viver sem o cônjuge é o principal motivo que mantém a mulher em uma relação na qual ela é agredida.

As mulheres não foram sempre oprimidas. Segundo Friedrich Engels, em seu livro A origem da família da propriedade privada e do Estado,  a opressão da mulher coincide com o surgimento da propriedade privada e o fim do comunismo primitivo, quando os seres humanos passam a produzir além do suficiente para se viver, resultado de desenvolvimentos técnicos.  Nesse momento, alguns passam a se apropriar da produção que antes era destinada a todos, acarretando o surgimento da propriedade privada. A partir desse momento, os homens, com o objetivo de garantir a herança aos seus filhos legítimos, passam a controlar as mulheres e seus corpos como se fosse uma de suas propriedades.

Percebe-se, então, que o pensamento patriarcal precede ao surgimento do capitalismo. No entanto, o patriarcalismo serve perfeitamente a esse sistema.

Para um sistema que explora toda uma classe trabalhadora para favorecer uma pequena parcela da população, a burguesia, a opressão e submissão das mulheres pelos homens, é um forte instrumento de manutenção de suas estruturas. Ao longo da história, por estarem dedicadas às atividades domésticas e à criação dos filhos, não tiveram seu trabalho reconhecido, e este ficou invisível.

Para que o Estado burguês não precise investir em creches, escolas, lavanderias coletivas ou restaurantes populares, responsabilizam-se as mulheres por essas tarefas. Assim, o salário dos trabalhadores pode ser muito menor, já que uma parte dos serviços que deveriam ser inclusos em seus gastos, não precisam ser pagos pelo patrão. Neste contexto, no qual a mulher é uma propriedade de seu cônjuge e responsável pelos afazeres domésticos, os homens encontram justificativas para agredi-las caso essas mulheres saiam destes padrões.

Para além do âmbito privado, a mulher, nos espaços públicos, tem de trabalhar tanto quanto o homem. Com isso ela é duplamente explorada, o que colabora com a sustentação do sistema capitalista.

Hoje, com o amplo desenvolvimento tecnológico, temos condições de produzir para que todos os seres humanos tenham condições de trabalhar, alimentar-se e viver dignamente. Temos condições de que mulheres e homens vivam em plena igualdade. No entanto, isso não interessa à pequena parcela da população favorecida pelo capitalismo,  que se apropria de toda a riqueza produzida pela classe trabalhadora. Fazendo fortalecer essa sociedade na qual tudo é considerado mercadoria, inclusive as mulheres, que têm sua imagem utilizada indiscriminadamente em propaganda de todo tipo e expondo seus corpos de maneira a agradar os homens, tornando-as algo que se pode comprar.

Apenas com o fim do sistema capitalista e com a construção da sociedade socialista é que será possível acabar com essa opressão. Isso porque a opressão da mulher não é algo apenas cultural, mas tem bases concretas, materiais, fundamentais ao capitalismo. Dessa maneira, apenas com a mudança dessas bases é que será possível também transformar a vida das mulheres trabalhadoras, dando condições de se tornarem livres, como classe trabalhadora e como mulheres.

Coletivo de Mulheres Comunistas Carla Maria, São Paulo
http://www.averdade.org.br/modules/news/article.php?storyid=534

Fonte: http://arttemiarktos.wordpress.com/2010/11/25/a-violencia-contra-a-mulher-e-o-capitalismo/

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Violência contra mulher: o grito de um crime ainda impune

A reportagem do jornal O Impacto esteve levantando informação, através de depoimentos em vários municípios, entre eles Itaituba, Aveiro e comunidade adjacentes, algumas em regiões garimpeiras, para saber da eficácia quanto à violência contra a mulher, após a criação da Lei Maria da Penha. Nossa constatação é deplorável, apesar dos avanços. Não precisaríamos ir muito longe para constatar a dura realidade de que ainda existem muitas mulheres sendo espancadas sem que os agressores sejam punidos.

Mulheres mostram marcas da violência sofrida em Itaituba e Aveiro
Cerca de mais de uma dezenas de mulheres espancadas, torturadas por maridos companheiros violentos, que preferiram omitir suas identidades, admitem que não denunciam por medo de represálias, porque não sabem como lidar sozinha com os filhos, já que sem profissão definida e pouca instrução não estão preparadas para enfrentar uma nova vida longe das garras dos seus a agressores. Ou porque o agressor tem às vezes alto poder aquisitivo e vai subornar as autoridades para não ser enquadrado.

Francisca Alice foi mais uma vítima da violência masculina. No dia 5 deste mês foi assassinada brutalmente na frente dos filhos, recebendo um tiro de escopeta, estando o marido foragido. O criminoso de pré-nome Marinho está sendo procurado pela Polícia. O crime chocou os moradores do Bairro Vitória Régia, em Itaituba, onde a tragédia ocorreu.

Nos raros casos em que o agressor não fica impune, mas por clamor da opinião pública ou pressão de entidades de classes como a Associação Municipal das Mulheres de Aveiro(AMA), são feitos os devidos procedimentos, como no caso recente onde o agressor de nome Fernando Marques dos Santos, estudante de 26 anos, foi preso e recambiado para Itaituba, onde já está no presídio local para responder pelo crime com base na Lei Maria da Penha.

A AMMA em Aveiro tem feito diversas palestras divulgando e conscientizando as mulheres para que denunciem em caso que sejam submetidas a agressões, sejam elas físicas, psicológicas ou verbais, já que se houver denúncia realmente a Lei penaliza o agressor. Mas, ressalta que se faz necessário que as mulheres denunciem como no caso de Edmilda que mesmo pela natureza violenta do ex-namorado criou coragem e registrou B.O na Delegacia local por não suportar o comportamento doentio do mesmo sempre movido por ciúme.

A vítima, Edemilda Mota de Oliveira, funcionária Pública, de 25 anos, foi agredida recebendo vários socos no rosto, sendo também asfixiada pelo troglodita brutamontes que por não aceitar a separação vivia ameaçando a jovem até que agressão foi consumida às três da manhã do dia 15 deste mês, em uma festa no Clube Conceição.

Edemilda, numa atitude corajosa, registrou BO contra o ex-companheiro, mas para cada caso tornado público, segundo opinião de delegados e policiais, mais de 10 ficam apenas entre o agressor e a agredida.

Esse caso é um exemplo da causa da agressão, quando a mulher não queira mais continuar um relacionamento e o rejeitado passa a rastrear a ida da mulher em todos os lugares, sendo que em alguns casos vai além da simples agressão, eles matam de forma covarde e brutal.

Mas nem sempre o andamento dos processos e prisões são motivados por missão das autoridades, já que segundo alguns delegados (ou delegadas) enfrentam problemas com as vítimas que no ato do registro da denúncia resolvem desistir e sem o procedimento legal nada pode ser feito contra o suposto agressor.
O caso mais revoltante e emblemático constatado que pode sintetizar a degradação moral a que uma mulher pode ser submetida por parte da violência masculina, foi relatado pela vice-presidente da AMMA, Maria Luizete, onde a vítima das iniciais F.S. C., de 35 anos, em uma comunidade do Município era submetida a espancamentos e tortura psicológica, sendo que durante o dia era obrigada num regime de escravidão a lavar, passar, cozinhar e cuidar do marido, que no período da noite levava a amante para dormir em casa e colocava a mulher pra fora, com a mesma retornando no dia seguinte para continuar sua rotina de sofrimento. Após dois anos submetida à tortura física e psicológica foi embora levando os dois filhos, mas o carrasco continua vivendo
impunemente como se nada tivesse ocorrido.

Se nesta matéria fossem colocadas as centenas de casos levantados, não havia espaço, mas cada história tem o ingrediente principal dessa realidade asquerosa que violenta corpo, alma, mente e coração das mulheres submetidas às situações de violências sem limites. M.M.F., de 16 anos, por exemplo, conta que conheceu o namorado, amigou-se e três meses depois sua vida passou a virar um inferno, onde era espancada, humilhada nas festas, sendo de uma certa feita queimada com ferro quente, mas desistiu de denunciar, porque sua própria mãe ainda foi a favor do agressor, afirmando que a “mulher quando apanha é porque merece”.

Para alguns especialistas do meio criminalista, a Lei foi um grande avanço, mas a falta de infaestrutura para que a mesma seja posta em prática é gritante.
Um exemplo é o município de Itaituba, que apesar de registrar um índice alarmante de violência, contra as mulheres, não conta com uma Delegada (a que tinha passou um mês e voltou pra Belém) e os delegados da Seccional que já estão com demanda excessiva de casos têm certa dificuldade para trabalhar os casos que especificamente de acordo com a lei deveriam ser solucionados pelas delegacias das mulheres, já que ela foi criada para isso.
Por: Nazareno Santos

fonte: http://folhadoprogresso.com/folha/modules/artigos/item.php?itemid=897

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Simone, Presente!

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Cientistas gays isolam gene cristão

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Professor que usou texto homofóbico em prova será demitido

Parte dos universitários recusou-se a fazer o exame e retirou-se da sala e procurou coordenação da faculdade.

A faculdade particular de Teresina cujo professor aplicou um texto com teor considerado homofóbico nesta segunda (6) informou que irá demitir o docente.

No último exame da turma do primeiro período do curso de Serviço Social, o professor pediu que os alunos identificassem a estrutura, argumento, tese e o resumo do texto que continha trechos sobre o relacionamento entre homossexuais como “por ser uma relação cuja posição não é face a face, mas ao contrário, no mais puro estilo animal; não tem como se expressar o amor de uma pessoa pela outra”.

Parte dos universitários recusou-se a fazer o exame e retirou-se da sala, procurando a coordenação pedagógica da faculdade, que ficou ao lado dos estudantes.

“A prova será anulada. O texto fere a proposta pedagógica do curso, as diretrizes curriculares e o código de ética da Abepess (Associação Brasileira de Pesquisa de Ensino em Serviço Social). Não é o posicionamento da nossa instituição e do curso”, relata a coordenadora do curso de Serviço Social da faculdade, Iris Neiva.

Ela explica que o professor é substituto e foi contratado para assumir a vaga de um docente que teve de se afastar por conta de um acidente, tanto assim que as aulas da disciplina ministrada, Metodologia da Pesquisa Científica, começou com duas semanas de atraso.

“O professor tem autonomia na sala de aula, mas com responsabilidade e dentro dos princípios éticos. É impossível que nós verifiquemos tudo o que é aplicado, mas não concordamos em nada com este texto”, declara Neiva.

Ela ressalta que o conteúdo é incompatível com o os preceitos que devem reger a profissão do assistente social onde deve prezar pelo “respeito de forma inequívoca à todas as pessoas”. A coordenadora afirma que o caso chegou à direção da faculdade que determinou a demissão do professor.

Entretanto, como esta é a última semana de aula, o docente deverá aplicar uma nova prova aos alunos antes de ser desligado.

Carlos Lustosa Filho
redacao@cidadeverde.com
http://www.cidadeverde.com/professor-que-usou-texto-homofobico-em-prova-sera-demitido-69272

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Femidica: Observatorio Género y Equidad

Para conhecer o trabalho do Observatorio Género y Equidad acesse http://www.observatoriogeneroyequidad.cl/

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¡Basta ya de violencia! gritan mujeres en calles

En el marco de la conmemoración del Día Internacional contra la Violencia hacia la Mujer, Cristian Rodríguez, sicóloga de la Comisión Permanente de Derechos Humanos, CPDH, señaló que los análisis estadísticos de las Comisarías de las Mujer no reflejan la verdadera dimensión del problema de la violencia intrafamiliar en Nicaragua y difícilmente es un acercamiento.

Así la CPDH, con un informe que registra al menos 900 denuncias por violencia intrafamiliar, con unas 300 atenciones sicológicas a las víctimas, hizo honores a la conmemoración y mencionó que las denuncias fueron por la falta de atención institucional, en un país donde a nivel nacional en el período de enero a septiembre las comisarías atendieron a 25 mil 741 denuncias de violencia intrafamiliar, lo que representa un incremento del 10% en comparación con el año pasado. En el caso de los delitos sexuales es de 2 mil 746, con una disminución del 9%.
Las marchas
Mientras tanto, las organizaciones de mujeres marcharon por una de las principales vías de Managua, denunciando la grave problemática social y de salud pública. Luisa Molina, en representación de la Coordinadora Civil, indicó que se debe demostrar al mundo que las mujeres nicaragüenses viven una situación dramática, no sólo por la violencia sufrida, sino también por el déficit económico, social, laboral y de justicia.

“A diario los medios de comunicación se encargan de denunciar el incremento de mujeres abusadas, violadas, maltratadas y asesinadas, y lo peor que esto sucede en un contexto donde las instituciones del Estado no garantizan los derechos de las mujeres. Uno de los casos es el de Fátima Hernández, a quien no se le hizo justicia tal como regularmente sucede en estos casos, e igualmente hay miles de mujeres en situación de riesgo por la prohibición del aborto terapéutico”, argumentó Molina.

Por su parte Herenia Amaya, responsable de desarrollo y estrategia de la Red de Mujeres contra la Violencia, dijo que la fecha es otro día más de lucha, en demanda al Estado y a la sociedad, por el respeto a los derechos humanos y la vida.

Además de Managua, las actividades en el día contra la violencia contra la mujer se extendieron a otros departamentos, entre éstos Jinotega, Chontales y Nueva Guinea, donde tanto organizaciones de sociedad civil, instituciones gubernamentales, hombres, mujeres y niños de diversas edades marcharon por las principales calles de sus ciudades.

A diferencia del año pasado, cuando organizaciones civiles del partido de gobierno se mostraron muy confrontativas, este año no se reportó ningún incidente. Sobre esto, la doctora Vilma Núñez, Directora del Centro Nicaragüense de Derechos Humanos, comentó que la demostración fue muy reivindicativa y sin divisiones.

Con la colaboración de Mercedes Sequeira, Silvia Siles y Janeth Oporta Vásquez.

http://www.elnuevodiario.com.ni/nacionales/88793a

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