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Conferências Municipais/Regionais de Políticas para as Mulheres

As Conferências Municipais de Políticas para as Mulheres são preparatórias para a IV Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres do RS, que elegerá as/os delegadas/os para a III Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.

Etapa Municipal e/ou regional: de 1º de julho a 31 de agosto de 2011;

03 de agosto 
Conferência Regional Três Passos: Inhacorá, Tenente Portela, Barra do Guarita, Bom Progresso, Braga, Campo Novo, Chiapetta, Coronel Bicaco, Crissiumal, Derrubadas, Esperança do Sul, Humaitá, Miraguaí, Redentora, Santo Augusto, São Martinho, Sede Nova, São Valério do Sul, Tiradentes do Sul, Vista Gaúcha e Três Passos
 
04 de agosto

Condor
Panambi

05 de agosto

Balneário
Mato Queimado
09 de agosto
Conferência Regional Canela: Gramado, São Francisco de Assis, Picada Café, Jaquirana e Canela.12 de agosto
Esteio15 de agosto
Santana do Livramento
São Gabriel

16 de agosto
Conferência Regional Charqueadas: Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Butiá, Minas do Leão, São Jerônimo e Charqueadas.
São Borja
18 de agosto
Conferência Regional Santa Rosa: Alecrim, Tucunduva, Giruá, Tuparendi, Santo Cristo, Campinas das Missões, Cândido Godói, Doutor Maurício Cardoso, Horizontina, Nova Machado, Porto Lucena, Porto Mauá, Senador Salgado Filho, Porto Vera Cruz, Porto Xavier e Santa Rosa.
Constantina
Alvorada
19 de agosto
POA (continua no dia 20de agosto)
Carlos BarbosaConferência Regional Bento Gonçalves: Montauri, Serafina Corrêa, Veranópolis, Monte Belo, União da Serra, Barão e Bento Gonçalves.Conferência Regional Caxias do Sul: Farroupilha, Nova Petrópolis, São Marcos, Antônio Prado e Caxias do Sul.

Conferência Regional Santo Ângelo: Bossoroca, Caibaté, Cerro Largo, Dezesseis de Novembro, Entre- Ijuí, Eugênio de Castro, Garruchos, Giruá, Guarani das Missões, Itacurumbi, Mato Queimado, Pirapó, Rolador, Roque Gonzáles, Salvador das Missões, Santo Antônio das

20 de agosto
Novo Hamburgo
22 de agosto
Barra do Ribeiro
23 de agosto
Cachoeirinha
Garibaldi
24 de agosto
Bagé

Conferência Regional
Candiota: Aceguá, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Hulha Negra e Candiota.
25 de agosto
Conferência Regional Lajeado: Boqueirão do Leão, Arroio do Meio, Cruzeiro do Sul, Doutor Ricardo, Marques de Souza, Progresso, Santa Clara do Sul, Sério, Teutônia e Lajeado.
Venâncio Aires e Santa Cruz
Guaíba
Capão da Canoa
26 de agosto
Canoas
Santo Antônio da patrulha
Santa Maria
Carazinho
SapirangaConferência Regional São Luiz Gonzaga:São Miguel das Missões, São Nicolau, São Paulo das Missões, São Pedro do Butiá, Sete de Setembro, Ubiretama, Vitória das Missões e São Luiz Gonzaga.

27 de agosto
Gravataí
Viamão
29 de agosto
Itaqui
30 de agosto
Ijuí
Não Me Toque
Passo Fundo
Cachoeira do Sul
31 de agosto
Conferência Regional de Pelotas: São Lourenço do Sul, Canguçu, Piratini, Capão do Leão, Rio Grande e Pelotas.

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Arquivado em feminismo, ofensiva contra o machismo

Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade.

dia mulher_faixa 8 marcopor Tica Moreno

Esse post é parte da blogagem coletiva pelo fim da impunidade, organizada a partir deste caso: uma fulana estava dirigindo muito louca, entrou na contramão e atropelou uma mulher. Ainda pisou no acelerador mais de uma vez, como se fosse passar por cima da atropelada. Fulana que dirigia o carro: uma procuradora do trabalho. Mulher que foi atropelada: empregada doméstica.

A que atropelou ainda foi parar na delegacia mas não se pode fazer nada contra ela, porque tá previsto na lei que uma procuradora não pode ser indiciada em inquérito policial.

Classe. Taí um conceito que a gente não pode nunca esquecer. Ainda mais nós, que estamos o tempo todo falando sobre um outro conceito, o de gênero.

Foi nisso que fiquei pensando quando vi o caso que motivou a blogagem coletiva de hoje, e talvez por isso eu saia um pouco do assunto proposto no post.

É importante pra gente que é feminista se ver frente a essas situações que expõe um tipo de relação social que não é a de gênero. Uma mulher atropela outra e sai impune. A impunidade é legitimada pela profissão da que atropelou. A atropelada tem que voltar a trabalhar ainda com dores, e nem tem motivação pra processar a que a atropelou. Porque tem medo, sabe que vai dar um trabalhão, e pode não dar em nada. É fácil as vezes a gente pensar o que uma pessoa tem que fazer nessa situação. Mas não é a gente que teve que ir fazer uma faxina ainda cheia de dores no corpo.

Eu fico aqui pensando no que uma e outra tem em comum como mulheres. Devem ser mães, com certeza já sofreram alguma discriminação por serem mulheres, podem ter sido vítimas de violência, podem ter feito um aborto, uma pagando caro em uma clínica da zona sul do rio, outra de outra forma mais barata. Uma deve ter empregada doméstica. Outra é empregada doméstica.

Sem dúvidas as nossas lutas como mulheres pelo fim da violência, pelo direito ao aborto legal e seguro, pelo direito a viver livremente nossa sexualidade, pelo fim das discriminações e contra a mercantilização do nosso corpo são comuns a todas.

Mas não dá pra apagar isso que é gritante na sociedade brasileira, e que marca as relações sociais e o Estado: a desigualdade. Entre homens e mulheres, brancos/as e negros/as, rico/as e pobres. A Daniele Kergoat e a Helena Hirata chamam a combinação desses elementos de coextensividade ou consubstancialidade das relações de gênero, classe e raça. Não é que um ou outro elemento define o que é a relação, mas explica um sistema em que tudo está imbricado.

Assim, a gente não consegue alterar um aspecto da desigualdade se não muda os outros. Não dá pra gente falar em igualdade pras mulheres em um mundo com pobreza e exploração, porque enquanto uma pequena parcela de mulheres está entre as camadas exploradoras, a imensa maioria tá sendo explorada pra garantir o bem estar dos ricos. Não dá pra falar em igualdade pras mulheres se as brancas tem privilégios sobre as negras por sua cor.

E as mudanças não são automáticas, que nem tem gente na esquerda que ainda não aprendeu com a história e insiste em dizer “a gente acaba com o capitalismo e depois vê o que faz com o patriarcado”. E não dá pra ser ingênua do ponto de vista do feminismo achando que dá pra ter igualdade e liberdade pra todas as mulheres nos marcos de um mundo capitalista e racista. Tem que pensar as estratégias pra combater todos os elementos que compõem a dominação, opressão e desigualdade.

Se a gente não olha pra esse aspecto central das relações sociais do nosso presente, a gente vai fazer um feminismo distorcido, para pouquíssimas, que não é um projeto diferente de futuro.

“Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade” Essa frase é das feministas espanholas, e diz tudo.

Fonte: http://blogueirasfeministas.wordpress.com/

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P*** q** o p****! (Barbara Szanieck)

As eleições presidenciais iniciaram de modo convencional com os partidos políticos tratando de contratar reputados profissionais de marketing para cuidar das campanhas de seus candidatos nos tradicionais meios de comunicação. Todavia, duas novidades se faziam notar. A primeira era a presença de duas mulheres concorrendo à Presidência do Brasil. Desde o início, a campanha de Dilma foi marcada pela tentativa por parte dos marqueteiros de transformá-la em uma “moça bem-comportada” nos moldes burgueses descritos por Simone de Beauvoir em suas memórias: como se vestir, como se maquiar, como sorrir para a imprensa. Também sob holofotes, Marina realizava uma mistura de estampas e adereços ousados com coques e saiões pudicos. Já Serra se mantinha burocraticamente cinza da cabeça aos pés. A segunda novidade com relação às eleições presidenciáveis anteriores fora o uso das ditas “redes sociais”, onde por “redes sociais” entende-se não somente a ferramenta tecnológica agregadora de conteúdos mas, sobretudo, o agenciamento social agregador de desejos. Todos os candidatos tinham um site de campanha oficial na internet, mas sabiam que era preciso ir além (aprendizado da campanha de Obama nos EUA). Quem, de cara, melhor entendeu a necessidade dessa mobilização foi Marina Silva ao dar sinal verde ao “Movimento Marina Silva”, talvez pelo fato de participar de um partido (PV) menos consolidado do que os dois outros concorrentes (PT e PSDB). Segundo indicação do site do movimento, a divisão de tarefas, por assim dizer, se dava da seguinte forma: enquanto o movimento cuidava da “metodologia e facilitação”, o partido garantia a “estrutura”. Contudo, o incentivo a uma participação mais autônoma dos cidadãos na campanha se deu, por exemplo, com as Casas de Marina. Enquanto isso, a rede social de apoio a Dilma Roussef apostava todas suas cartas nas ferramentas tecnológicas convidando-nos a criar hiper-mega-superlinks. A campanha de Serra na rede, como ficaremos sabendo mais tarde, embrenhou-se por caminhos sombrios.

Somos todos Dilma!
Esse era o quadro geral quando, em meados de agosto, a revista Época/Organizações Globo  lançou matéria de capa com o título: “O passado de Dilma – documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar.” Apesar do enorme esforço despendido nas linhas e entrelinhas e apesar das fotos que supostamente atestavam a verdade dos fatos, a matéria não conseguiu comprovar a relação direta da candidata à Presidência da República com atos armados. E ainda que fosse comprovada sua participação em tais atos, não se trataria de resistência contra um poder que se impôs ele próprio com atos armados da maior violência? Hoje, a verdade do poder da ditadura se atualiza dramaticamente por meio da grande mídia quando requenta a tensão da Guerra Fria e explora o medo em todas as suas variações. Ao lançar em sua capa uma foto de Dilma quando presa nos anos 70 – uma jovem que, como tantos outros, acalentava o sonho de transformação de uma sociedade brasileira extremamente desigual por meio da revolução – a revista Época não podia imaginar que as suspeitas que lançava sobre a candidata seriam subvertidas em motivo de orgulho. Internautas se apropriaram de uma imagem do ilustrador Sattu que se encontrava na parte interna da revista e inverteram a acusação “terrorista” na afirmação “guerreira”. Houve por parte dos leitores e eleitores uma percepção e recepção absolutamente positiva da característica “guerreira” atribuída negativamente à Dilma pela revista. Ao produzir camisetas e carregar tal imagem no peito, havia como que uma incorporação de suas qualidades combativas. Antropofagia política. Na internet, além da subversão (da acusação infame de “terrorista” em afirmação potente de “lutadora”) e incorporação desse valores por parte do movimento pró-Dilma, houve uma contaminação virótica que se manifestou na multiplicação de Dilma como avatar nas redes sociais (Twitter, Facebook, Orkut, etc.). Essa multiplicação homogênea na internet era bastante perturbadora pois tornava impossível reconhecer os amigos – “followers” e “following” – por conta da substituição de seus rostos pelo retrato de Dilma. Ainda dominava, nessa relação entre o retrato original e a sua reprodução absolutamente uniforme na rede, o paradigma da política moderna segundo o qual “o corpo do rei representa a nação inteira”.

Essa expressão visual de uma percepção de que, pelas nossas pequenas e grandes lutas do cotidiano, “somos todos um pouco Dilma” marcou o primeiro turno. Ressoava ali também a lembrança de outra mulher importante, não da luta armada e sim da contracultura carioca, que foi Leila Diniz. “Toda mulher é meio Leila Diniz” cantou anos depois Rita Lee na música “Todas as Mulheres do Mundo” (também filme de Domingos de Oliveira de 1966). Naqueles tempos em que a praça era calada nos porões da ditadura, a praia com sua revolução comportamental regada a amor livre e muito palavrão era a única ágora possível. Leila Diniz não pegou em armas mas desafiava os militares com a língua que afiava no Pasquim. Chocava a sociedade conservadora com sua atitude transgressora na explícita abordagem do falo na sua fala. O que diria hoje a desbocada Leila diante da reação da tradicional família brasileira frente aos avanços dos direitos da mulher e dos homossexuais entre outras “minorias”, temas que já constavam no PNDH31 tão combatido? No mínimo, um sonoro que m***** é essa? A reação conservadora foi muito bem trabalhada pela oposição e pela mídia ao passar a idéia de que “nosso” governo teria como estigma “uma crise moral” e que a eleição de Dilma a reforçaria. Fala sério! Quanto mais a mídia desqualificava moralmente Lula e Dilma, mais os qualificava politicamente. Se Leila Diniz é, até hoje, o ícone da revolução comportamental dos anos 60/70, Dilma Roussef representa os avanços a serem realizados nesse novo século. E eis que, no meio da hipocrisia dos costumes, do obscurantismo religioso, do vazio da oposição e da mídia – uma aliança que impedia qualquer debate mais profundo –, o “Somos todos Dilma” se transformou no segundo turno em “Dilma é muitos”.

Dilma é muitos!
As palavras de baixo calão de Leila pareciam ser a única maneira de sair da sinuca em que se encontrava a candidata com relação à questão do aborto. P***! O gozo pleno da vida e a expressão escrachada da liberdade: quando o materialismo com seus processos e o idealismo com seus projetos se contaminam reciprocamente, abre-se uma brecha para potentes trocas entre governantes e governados. A grande mídia tinha se amparado das entrevistas dadas à Folha de São Paulo onde Dilma defendia a descriminalização do aborto (10/2007) e à Marie Claire/Organizações Globo onde o tratava como escolha de foro íntimo e questão de saúde pública, e não caso de polícia (04/2009). Mesmo quando, de fato, pouco importava o que achava sobre o aborto visto que não lhe cabia decidir nada sobre o assunto, Dilma parecia “encurralada” pela própria forma da política de representação constituída pela união das máquinas do partido e do marketing. O uso do aborto numa eleição presidencial onde uma mulher era candidata (tendo sido uma outra mulher, Marina, eliminada no primeiro turno) apontava apenas o mesmo preconceito de sempre contra o uso livre que as mulheres – essas bruxas que menstruam, ovulam, copulam, gozam, engravidam, parem e amamentam… ou abortam! – fazem dos seus corpos e mentes. Tornava-se urgente ir além do paradigma da política moderna da representação com a incorporação por parte de Dilma das forças dos movimentos sociais. Foi então que alguns editores da revista GLOBAL/Brasil2 da Universidade Nômade decidiram participar do movimento pró-Dilma lançando um blog de apoio à candidata do PT. Nascia, no segundo turno, o http://www.dilmaehmuitos.com.br. A idéia geral era de fazer do blog a nossa praça e a nossa praia incitando simplesmente as pessoas a responder à pergunta: porque voto em Dilma? Capturar as forças dos movimentos das ruas para as redes. A adesão à proposta foi imediata. Contudo, se colaborações sob forma de textos surgiram rapidamente de todos os lados com vigor, as imagens se limitavam aos visuais do marketing oficial e da grande mídia que, por sinal, se refletem tristemente. Ora, se o verbo é o centro da razão ocidental – centro que como veremos mais adiante, segundo Donna Haraway, é masculino, branco e capitalista – a imagem (a imago estaria para o logos como a mulher para o homem: agente de feitiçaria) me pareceu, nesse momento, uma arma a ser mais explorada.

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Brinquedo de Menina

por Nikelen Witter*

O título aqui poderia ser também a já famosa frase: “sim, nós podemos”. Não a dita pelo presidente norte-americano Barack Obama. Mas a dita pela presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, a uma menina de 9 anos que lhe perguntou se mulher podia ser presidente da República. Ah, sim menina, nós podemos. Eu mesma lhe diria mais. Diria para que incluísse isso em suas brincadeiras. Uma hora você finge ser professora, noutra médica, veterinária ou advogada. Se quiser ser juíza, delegada ou polícia também pode. É claro que terá vezes em que você irá querer ser princesa ou uma bruxa muito inteligente, mas, acredite, nada no mundo pode impedir você de querer ser presidente da República.

Pode soar estranho que uma menina, em pleno século XXI, apresente uma dúvida assim. Mas, a verdade, é que esse estranhamento está longe de poder ser generalizado. Basta pensarmos na quantidade de manifestações machistas durante essa campanha presidencial e teremos um quadro do quanto as possibilidades ainda se apresentam restritas para o próprio entendimento das meninas. E, acredite, não estou falando apenas sobre aquelas que vivem nas periferias, nos bolsões de miséria, nas que catam comida e recicláveis nos lixos ou caminham quilômetros para poderem abastecer de água suas casas. Estou me referindo às garotinhas de classe média e alta, que estudam em boas escolas (públicas ou particulares), que têm acesso a livros e que escolhem seus brinquedos pelos comerciais que veem na TV.

É justamente nestes espaços de consumo que, ao que parece, uma ativa parte da nossa cultura têm trabalhado para que nossas meninas continuem expostas ao machismo atávico que grassa pelo Brasil. Os limites aos sonhos das garotas entram nas nossas casas mesmo que a gente não queira. Eles estão lá, o tempo todo, dizendo o que é aceitável para uma menina e negando, ao mesmo tempo, que os sonhos delas sejam sem fronteiras.

Estou exagerando? Tem certeza? Você tem prestado atenção nos filmes publicitários veiculados na TV (inclusive nos canais infantis pagos)? Será que ninguém percebe o absurdo de um brinquedo ser uma pia de lavar louças cor-de-rosa que se anuncia: “igualzinha a da mamãe, só que mais divertida”! Qual palavra desta frase não lhe parece ofensiva? A mim todas. E adicione aí o fato de que o comercial não tem meninos. Sim, porque no mundo encantado e cor-de-rosa os meninos sabem que seu lugar não é lavando a louça, mas lavando carro no lava-jato que é igual ao que o papai usa.

Como, pergunto, nossas meninas não vão crescer duvidando que uma mulher possa ser presidente? É difícil achar que uma coisa assim é possível quando, para os “reclames”, veiculados junto com seu desenho favorito, as únicas perspectivas para uma mulher parecem ser uma pia cheia de louça e criar bebês que comem, arrotam, ficam doentes, fazem xixi e cocô? Sim, estas são bonecas que, na maior, parte do tempo são oferecidas a elas. As bonecas que “imitam” a realidade. E você, mamãe, deve comprá-las para que sua filhinha “aprenda brincando”. Afinal, o que seria mais importante para uma futura jovem mulher do que aprender a ser uma boa dona-de-casa, que sabe o melhor sobre alimentação, puericultura e higiene?

Ora, a maternidade é uma coisa maravilhosa, e ser dona ou dono de casa é uma necessidade que não tira nenhuma dignidade de quem faz somente isso. Não haveria problema com os comerciais se eles fossem apenas um ou dois e se o texto fosse menos limitante das capacidades femininas e masculinas. Mas a questão é que as crianças são bombardeadas com brinquedos e textos publicitários cuja intenção parece ser “aliciá-los” (a palavra é forte, mas é essa mesma) para ocuparem os papéis tradicionais da família burguesa ocidental. O fato de não haver grandes manifestações contrárias a este tipo de comercial é preocupante. Já pensaram que pode ser porque, no fundo, as os textos estão é fazendo eco às coisas que não questionamos por parecerem “naturais”? Meninas brincam de cozinhar, lavar louça e cuidar de bebês. Meninos lavam carros, jogam futebol e vídeo-games. Os brinquedos continuam a ser elaborados e vendidos de forma sexista, é assim que nós os compramos, e é assim nossos filhos os absorvem.

Imagino que se alguém se colocar contra isso, vão dizer que a pessoa está clamando pela censura ou sendo preconceituosa com bonecas-bebês e brinquedos que imitam utilidades domésticas. Por isso quero deixar bem claro que não acho que as bonecas em si estão erradas. O que me incomoda é o texto com o qual elas são apresentadas e o subtexto que, ao invés de incitar as meninas a desejarem o mundo, sugere que o paraíso está em ter uma cozinha super equipada.

Por outro lado, não estou fazendo um tipo de apologia que diz que o mundo seria melhor com mais mulheres no comando. Não considero que as mulheres que exercem cargos públicos (ou que venham a desejar isso) façam, por serem mulheres, governos melhores que os dos homens. A quase ex-governadora do Rio Grande do Sul é um exemplo de que um governo ruim e autoritário pode vir de qualquer lado.

Minha oposição é contra tudo o que se organiza de forma a limitar os sonhos e os horizontes das crianças. Um fogãozinho pode ter meninos figurando no comercial (muitos meninos se interessam por cozinhar). E também a pia poderia ser vendida para eles, pois é igual a que todo mundo tem em casa. Em outras palavras: a pia não é da mamãe. Se as coisas continuarem nesse caminho, logo teremos organizar defesas para a Barbie. Afinal, os machistas de plantão ainda não se deram conta de que ela, embora fútil, sempre foi uma profissional. Ela namorou o Ken por 40 anos antes de eles terminarem o relacionamento. E agora, dizem que ela foi vista saindo com Max Steel. Garanto que logo vai aparecer alguém falando que ele é jovem demais para ela e que, aos cinquenta, ela deveria era aprender a fazer geléia.

* Professora e historiadora

http://sul21.com.br/jornal/2010/11/brinquedo-de-menina/

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Xenofobia? Não obrigada!Prefiro Direitos Humanos

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Enquanto isso nos jornais

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Colocando na balança 2: PT X PSDB

 

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