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Em fotos, a caminhada de Dia Internacional da Mulher em Porto Alegre

Diversos movimentos sociais ligados ao Fórum Estadual das Mulheres promoveram no Dia Internacional da Mulher, 8 de março, uma marcha pela centro de Porto Alegre. A caminhada tem concentração às 16 horas, no Largo Glênio Peres, e terminou na praça da Matriz. A marcha ‘Mulheres em Luta contra o Capitalismo e o Patriarcado – Por Autonomia, Igualdade, Liberdade e pelo fim da violência’ foi organizada em alas temáticas, cada uma relacionada a um movimento.

Entre elas, a ala por um mundo sem violência; por soberania alimentar e energética (Reforma Agrária, Licença maternidade de 6 meses, contra a violência no campo e na floresta, contra os Agrotóxicos); por um mundo livre do capitalismo (por autonomia econômica, igualdade salarial no trabalho, creche, licença de 6 meses e estabilidade, contra a violência no trabalho e na família);por reforma política com igualdade para as mulheres e contra qualquer ataque aos direitos das trabalhadoras – nenhum direito a menos.

Além da marcha, o movimento redigiu uma Carta das Mulheres, reunindo todas as plataformas feministas e entregou o documento um dia antes da marcha a todos os poderes.

Confira as imagens da caminhada, registradas pelo fotógrafo do Sul21 Ramiro Furquim.

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fonte: Sul21

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Retrato da Violência Contra a Mulher no RS

Um projeto de Vitor BaptistaLeo Tartari e Thiago Bueno para o Decoders RS utilizando dados disponibilizados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul através do portal de transparênciaCódigo no GitHub

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Vídeo sobre ação das mulheres no Rio Grande do Sul

Veja vídeo sobre o protesto das 1.000 mulheres trabalhadoras do campo e da cidade, que ocuparam o pátio da empresa Braskem, do grupo Odebrecht, no Pólo Petroquímico de Triunfo, região metropolitana de Porto Alegre (RS).

A manifestação na Braskem denunciou que o plástico verde, produzido à base de cana-de-açúcar, é tão nocivo e poluidor quanto o plástico fabricado à base de petróleo.

A ação foi organizada pelas mulheres da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Levante da Juventude e Intersindical e integra a jornada nacional de lutas das mulheres.

O produto é propagandeado pela empresa e pelos governos como uma solução para os problemas ambientais. No entanto, as mulheres alertam que o plástico verde irá intensificar a proliferação do monocultivo, intensificar a transgenia, o uso de agrotóxicos e a concentração de terra.

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Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina 2011

Nós mulheres da Via Campesina, na Jornada Nacional de Luta das Mulheres – 2011 estamos nas ruas para denunciar a extrema gravidade da situação do campo brasileiro. Queremos reafirmar com nossa luta que não nos subordinaremos ao modelo capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder, de terras e de riquezas.

A pobreza tem cara de mulher. No Brasil são as mulheres e as crianças pobres que mais sofrem as consequências desse modelo devastador do meio ambiente e dos direitos sociais.

A vida está ameaçada!

Por isso, estamos em luta contra o agronegócio e os agrotóxicos para defender nossa cultura, nossa terra, o meio ambiente e a nossa saúde! As gerações futuras dependem da nossa ação!

A luta das mulheres da Via Campesina é contra as empresas do setor de produção e utilização de venenos e agrotóxicos. Por quê?

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo desde 2008 e movimenta um lucro de 7, 1 bilhões de dólares. Em 2008 o país consumiu 733,9 milhões de toneladas de venenos.

O responsável é o agronegócio, que é formado pela combinação entre latifúndio, ciência e tecnologia, capital financeiro, indústria química e metalúrgica, financiamento público e mídia. Baseado na produção em forma de monocultura.

O agronegócio é o novo rosto do latifúndio.

Mantém a mesma lógica de produção em grandes extensões de terras – para isso, concentra cada vez mais – péssimas condições de trabalho, devastação dos recursos naturais, trabalho escravo e produzir para exportar.

Essa lógica produtiva provoca a expulsão do campesinato e de populações tradicionais das suas terras, a contaminação dos trabalhadores e trabalhadoras e o aprofundamento da crise ambiental e das mudanças climáticas. Esse atual modelo de desenvolvimento para o campo visa manter um padrão de produção e de consumo ambientalmente insustentável e socialmente injusto.

A vida no campo e a produção de alimentos estão ameaçadas com o desaparecimento de sementes crioulas, a perda de biodiversidade e a ameaça a segurança alimentar em virtude da liberação comercial de cultivos transgênicos, do uso de agrotóxicos e da expansão das monoculturas de exportação.

Além disso, o controle da cadeia produtiva alimentar pelas grandes transnacionais ameaça a soberania alimentar e a saúde da população Esse modelo de desenvolvimento é devastador e causa sérios problemas sócio-ambientais.

Por isso, nos mobilizamos para enfrentar a crise política, econômica, social e ambiental, criada pelas elites que controlam o Estado brasileiro: o capital produtivo, o capital financeiro internacional, ambos representados por empresas transnacionais em particular as empresas do agronegócio e o latifúndio.

Fonte: http://www.mst.org.br/jornada-de-lutas-das-mulheres-2011

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Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade.

dia mulher_faixa 8 marcopor Tica Moreno

Esse post é parte da blogagem coletiva pelo fim da impunidade, organizada a partir deste caso: uma fulana estava dirigindo muito louca, entrou na contramão e atropelou uma mulher. Ainda pisou no acelerador mais de uma vez, como se fosse passar por cima da atropelada. Fulana que dirigia o carro: uma procuradora do trabalho. Mulher que foi atropelada: empregada doméstica.

A que atropelou ainda foi parar na delegacia mas não se pode fazer nada contra ela, porque tá previsto na lei que uma procuradora não pode ser indiciada em inquérito policial.

Classe. Taí um conceito que a gente não pode nunca esquecer. Ainda mais nós, que estamos o tempo todo falando sobre um outro conceito, o de gênero.

Foi nisso que fiquei pensando quando vi o caso que motivou a blogagem coletiva de hoje, e talvez por isso eu saia um pouco do assunto proposto no post.

É importante pra gente que é feminista se ver frente a essas situações que expõe um tipo de relação social que não é a de gênero. Uma mulher atropela outra e sai impune. A impunidade é legitimada pela profissão da que atropelou. A atropelada tem que voltar a trabalhar ainda com dores, e nem tem motivação pra processar a que a atropelou. Porque tem medo, sabe que vai dar um trabalhão, e pode não dar em nada. É fácil as vezes a gente pensar o que uma pessoa tem que fazer nessa situação. Mas não é a gente que teve que ir fazer uma faxina ainda cheia de dores no corpo.

Eu fico aqui pensando no que uma e outra tem em comum como mulheres. Devem ser mães, com certeza já sofreram alguma discriminação por serem mulheres, podem ter sido vítimas de violência, podem ter feito um aborto, uma pagando caro em uma clínica da zona sul do rio, outra de outra forma mais barata. Uma deve ter empregada doméstica. Outra é empregada doméstica.

Sem dúvidas as nossas lutas como mulheres pelo fim da violência, pelo direito ao aborto legal e seguro, pelo direito a viver livremente nossa sexualidade, pelo fim das discriminações e contra a mercantilização do nosso corpo são comuns a todas.

Mas não dá pra apagar isso que é gritante na sociedade brasileira, e que marca as relações sociais e o Estado: a desigualdade. Entre homens e mulheres, brancos/as e negros/as, rico/as e pobres. A Daniele Kergoat e a Helena Hirata chamam a combinação desses elementos de coextensividade ou consubstancialidade das relações de gênero, classe e raça. Não é que um ou outro elemento define o que é a relação, mas explica um sistema em que tudo está imbricado.

Assim, a gente não consegue alterar um aspecto da desigualdade se não muda os outros. Não dá pra gente falar em igualdade pras mulheres em um mundo com pobreza e exploração, porque enquanto uma pequena parcela de mulheres está entre as camadas exploradoras, a imensa maioria tá sendo explorada pra garantir o bem estar dos ricos. Não dá pra falar em igualdade pras mulheres se as brancas tem privilégios sobre as negras por sua cor.

E as mudanças não são automáticas, que nem tem gente na esquerda que ainda não aprendeu com a história e insiste em dizer “a gente acaba com o capitalismo e depois vê o que faz com o patriarcado”. E não dá pra ser ingênua do ponto de vista do feminismo achando que dá pra ter igualdade e liberdade pra todas as mulheres nos marcos de um mundo capitalista e racista. Tem que pensar as estratégias pra combater todos os elementos que compõem a dominação, opressão e desigualdade.

Se a gente não olha pra esse aspecto central das relações sociais do nosso presente, a gente vai fazer um feminismo distorcido, para pouquíssimas, que não é um projeto diferente de futuro.

“Ou a igualdade é para todas, ou não é igualdade” Essa frase é das feministas espanholas, e diz tudo.

Fonte: http://blogueirasfeministas.wordpress.com/

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feminismos – A Mulher Negra

O blog Maçãs Podres coloca na roda: O que as “blogueiras feministas” deveriam aprender com os “blogueiros feministas” – Por um feminismo étnico de classe econômica.

Dentro do Feminismo há diversos feminismos. Pois o mundo das mulheres é extremamente amplo e as histórias e consequências da opressão são diferenciadas. Faça um pequeno esforço e não multiplique estereótipos, a diversidade está presente em qualquer movimento político e social. Entendi a questão acima levantada não como uma maneira de apontar nomes, de dizer quem são as “blogueiras feministas” ou os “blogueiros feministas” ou de mostrar posts em que escrevo sobre a condição da mulher negra, mas sim um convite a reflexão sobre as diferentes batalhas e dificuldades presentes na luta diária das mulheres. O Feminismo é um movimento que busca a igualdade e o fim de preconceitos, mas nem sempre todas as vozes e demandas são ouvidas e contempladas. É preciso estar com sentidos abertos para diferentes maneiras e gestos de se colocar no mundo, para as diferentes representações construídas socialmente. Além de buscar contato com mulheres negras, feministas ou não, minha contribuição hoje é trazer para a roda a perspectiva do feminismo da mulher negra.

 

Tábata. Clique na foto para ver a galeria de Daniel Pádua.

Retirei do texto “Enegrecer o Feminismo: A Situação da Mulher Negra na América Latina a partir de uma Perspectiva de Gênero” de Suely Carneiro, Fundadora e Coordenadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, trechos que mostram o quanto algumas colocações e demandas do movimento feminista podem não fazer sentido para muitas mulheres, pois não correspondem a realidade que vivem. Uma mulher é muitas vezes mais livre que outra apenas por estar em determinada classe social. Mulheres brancas e negras possuem diferentes trajetórias devido as relações de raça e cor impostas socialmente.  O racismo tem profunda ligação com o machismo, pois trabalham juntos na construção de uma representação equivocada e estereotipada da mulher negra. O Feminismo da mulher negra está profundamente ligado ao fato de que esta mulher nunca foi vista como algo frágil e virginal, a mulher negra sempre foi extremamente sexualizada e vista como escrava. Esse Feminismo traz questões de opressão sustentadas pela tríade raça, gênero e classe. Articulá-las de forma transversal é um dos grandes desafios para o movimento feminista. Enxergar a mulher negra como sujeito político e autônomo também faz parte da luta pelos direitos das mulheres.

O que poderia ser considerado como história ou reminiscências do período colonial permanece, entretanto, vivo no imaginário social e  adquire novos contornos e funções em uma ordem social supostamente democrática, que mantém intactas as relações de gênero segundo a cor ou a raça instituídas no período da escravidão. As mulheres negras tiveram uma experiência histórica diferenciada que o discurso clássico sobre a opressão da mulher não tem reconhecido, assim como não tem dado conta da diferença qualitativa que o efeito da opressão sofrida teve e ainda tem na identidade feminina das mulheres negras.

Quando falamos do mito da fragilidade feminina, que justificou historicamente a proteção paternalista dos homens sobre as mulheres, de que mulheres estamos falando? Nós, mulheres negras, fazemos parte de um  contingente de mulheres, provavelmente majoritário, que nunca reconheceram em si mesmas esse mito, porque nunca fomos tratadas como frágeis. Fazemos parte de um contingente de mulheres que trabalharam durante séculos como escravas nas lavouras ou nas ruas, como vendedoras, quituteiras, prostitutas…  Mulheres que não entenderam nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e trabalhar! Fazemos parte de um contingente de mulheres com identidade de objeto. Ontem, a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de engenho tarados. Hoje, empregadas domésticas de mulheres liberadas e dondocas, ou de mulatas tipo exportação.

Em geral, a unidade na luta das mulheres em nossas  sociedades não depende apenas da nossa capacidade de superar as desigualdades geradas pela histórica hegemonia masculina, mas exige, também, a superação de ideologias complementares desse sistema de opressão, como é o caso do racismo. O racismo estabelece a inferioridade social dos segmentos negros da população em geral e das mulheres negras em particular, operando ademais como fator de divisão na luta das mulheres pelos privilégios que se instituem para as mulheres brancas. Nessa perspectiva, a luta das mulheres negras contra a opressão de gênero e de raça vem desenhando novos contornos para a ação política feminista e anti-racista, enriquecendo tanto a discussão da questão racial, como a questão de gênero na sociedade brasileira.

Enegrecer o movimento feminista brasileiro tem significado, concretamente, demarcar e instituir na agenda do movimento de mulheres o peso que a questão racial tem na configuração, por exemplo, das políticas demográficas, na caracterização da questão da violência contra a mulher pela introdução do conceito de violência racial como aspecto determinante das formas de violência sofridas por metade da população feminina do país que não é branca; introduzir a discussão sobre as doenças étnicas/raciais ou as doenças com  maior incidência sobre a população negra como questões fundamentais na formulação de políticas públicas na área de saúde; instituir a crítica aos mecanismos de seleção no mercado de trabalho como a “boa aparência”, que mantém as desigualdades e os privilégios entre as mulheres brancas e negras.

CARNEIRO, Suely. Enegrecer o Feminismo: A Situação da Mulher Negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero.In: Ashoka Empreendimentos Sociais; Takano Cidadania (Orgs.). Racismos Contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano Editora, 2003. p. 49-58.

[+] Conquistas e Desafios à Participação Política de Jovens Mulheres Negras de Jamile Carvalho e Raquel Quintiliano em Forito – Jovens Feministas Presentes.

[+] As Feministas e as Domésticas.

fONTE: http://srtabia.com/2011/02/feminismos-a-mulher-negra/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+srtabia+%28Srta.+Bia%29&utm_content=Google+Reader

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10, ou quem o machismo matou hoje?

“Cigarro mata, machismo também mata” – Foto por Flora G , licenciada pela Creative Commons.

por Tica Moreno

Meu nome é Renata, mas poderia ser Noeli.

No ano passado fizemos uma semana de ativismo digital. Várias militantes feministas, mulheres e alguns homens se manifestaram via twitter, facebook, blogs, etc pelo #FimDaViolenciaContraMulher

Muita gente se envolveu, muita gente progressista não se envolveu. Um RT aqui, outro ali.

Nós da @marchamulheres atuamos nas ruas de várias cidades e na rede também, contribuindo pra que o #FimDaViolenciaContraMulher ficasse por um tempo nos TTBr, no dia 25 de novembro.

Alguns dos posts dessa semana estão aqui, mas eu queria falar de uma iniciativa que foi criada a partir desse ativismo digital, que funciona super bem e que deveria ter muito mais audiencia do que tem: o blog Quem o machismo matou hoje? e o twitter @machismomata

Nós sabemos que o machismo mata 10 mulheres por dia no Brasil.

Mas muita gente não se liga na concretude dessa estatística. São sonhos, projetos, amizades, bandas favoritas, ingresso pro jogo de futebol comprado, namoros, férias, reunião no dia seguinte, roupas no varal, livros na cabeceira, desejos, vestibular, twitter, facebook…….. que acabam por conta da violência contra as mulheres, da opressão, do machismo. A gente pode chamar de vários nomes.

São mulheres mortas por homens. Tem nome quem morreu, e tem nome quem matou.

E essa nossa sociedade só se liga na violencia sexista quando envolve alguém famoso, ou é um caso muito bizarro e cruel, escandaloso, que dá audiencia.

O @machismomata joga na nossa cara o cotidiano da violencia sexista. É dificil ler, embrulha o estômago. Mas ignorar e ocultar é covardia e conivencia.  Reconhecer/enxergar/visibilizar a violência contra as mulheres é um passo necessário pra combate-la. Tem que denunciar, se indignar, combater.

A violência contra as mulheres precisa acabar. E pra estar nessa luta, não precisa ser feminista e de esquerda. Basta ser humano.

***

Sobre o mesmo assunto –> São tempos difíceis para as sonhadoras

Fonte: http://roupasnovaral.wordpress.com/2011/02/18/10-ou-quem-o-machismo-matou-hoje/

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