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Nota de repúdio à publicidade sexista da Prudence

A Marcha Mundial das Mulheres repudia o anúncio da empresa Preservativos Prudence, pertencente à campanha “Dieta do Sexo”, por apologia ao estupro.A publicidade foi colocada na página da Prudence no Facebook no dia 16 de julho, e só hoje (30/07/12) retirada de circulação. Tal anúncio refere-se a uma “Dieta do Sexo”, mostrando quantas calorias é possível perder praticando diferentes atos sexuais. Entre os atos citados, há dois polêmicos: “Tirando a roupa dela sem o consentimento dela: 190 cal” e “Abrindo o sutiã com uma mão, apanhando dela: 208 cal”.Apesar da alegação de ambiguidade, o primeiro item não deixa dúvidas, pois menciona explicitamente se tratar de uma relação sexual não-consentida, e sexo sem consentimento é estupro. Pior que isso: a empresa sugere que sexo forçado (estupro) vale mais, pois gastam-se 190 calorias, do que sexo com consentimento (10 calorias).Veicular este tipo de publicidade, sobretudo em um contexto em que a violência contra as mulheres é uma realidade alarmante, é inaceitável. Segundo dados da Fundação Perseu Abramo, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. Uma em cada dez mulheres (10%) já foi de fato espancada ao menos uma vez na vida. Segundo dado do Instituto Sangari (2012), de 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres; 43,5 mil só na última década.

Sobre a alegação de que “estuprador não usa camisinha”, basta lembrar que, em mais de 80% dos casos de violência denunciados pelas mulheres, o responsável é o próprio parceiro (marido ou namorado). De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos e da Flacso Brasil, em 2011, 10.425 pessoas foram atendidas em hospitais vítimas de violência sexual. Em 23% dos casos, pais e padrastos foram os responsáveis pelo abuso.

Em um primeiro momento, a Preservativos Prudence buscou, no espaço de comentários da imagem no Facebook, justificar a situação. Disse ser contrária à violência, alegando que a propaganda não faz apologia a estupro, mas sim à “conquista”. Ou seja, de acordo com a empresa, fazer sexo sem o consentimento da mulher é conquistá-la. Na tentativa de consertar a situação, só conseguiu piorá-la. Ao invés de reconhecer que a propaganda faz apologia a um crime, colocou esse tipo de agressão como algo normal, banal, uma mera “conquista”. Há de se lembrar que a minimização do estupro é uma das causas pelas quais as vítimas não têm apoio, e muitas vezes nem conseguem efetivar uma denúncia. Quando tomam a iniciativa de denunciar o agressor, é comum ainda serem responsabilizadas pela própria agressão devido a seu “comportamento permissivo”.

Em seguida, a empresa, afirmou, novamente, no Facebook, não defender a prática do estupro, alegando que essa “piada” já havia sido divulgada antes, em vários blogs, em uma clara tentativa de tirar dos próprios ombros a responsabilidade pela veiculação de uma propaganda que banaliza a situação de estupro, e que, assim, contribui para a manutenção de uma realidade perversa para as mulheres.

Em momento algum houve reconhecimento do fato. Em nenhum dos pronunciamentos da Preservativos Prudence foi dito que sexo sem consentimento é estupro. Apenas foram emitidas afirmações vagas de que a empresa é contra a violência sexual e a favor do uso de camisinha em todas as relações.

Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, estamos ao lado das mulheres que vivenciam a violência, todos os dias, no Brasil, portanto, exigimos que haja uma retratação pública por parte da empresa, em que ela reconheça que o conteúdo da propaganda faz apologia ao estupro. Exigimos que a Preservativos Prudence invista em uma campanha cidadã de combate à violência contra as mulheres. Exigimos, também, que sejam tomadas as devidas providências legais com relação ao conteúdo veiculado.

A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

Marcha Mundial das Mulheres

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Uma cegonha que pare crianças e criminaliza as mulheres

por Luka Franca

Quantas vezes não vimos nos desenhos animados a imagem de um pássaro branco carregando no bico uma trouxinha com uma criança dentro? Tudo asséptico, sem relação alguma com o corpo e a sexualidade da mulher. Quantas vezes nós e nossas mães ao sermos indagados de onde vêm os bebês tiramos do velho baú de histórias a explicação do repolho ou da cegonha? Sim, a cegonha apesar de não viver em nossa região é símbolo recorrente no nosso imaginário coletivo, ajudando assim a retirar também das mulheres a segurança sobre a fisiologia de seu corpo, corroborando com o medo e a impotência construída há décadas e décadas.

As críticas feitas pela Rede Feminista de Saúde sobre o programa lançado pela presidente Dilma no último dia 28 de março são bastante contundentes, resgatam uma premissa fundamental da luta feminista: a integralidade ao atendimento de saúde da mulher. O debate sobre a saúde da mulher, direitos reprodutivos e sexuais vem sendo escamoteado há bastante tempo e normalmente a discussão não é feita na sociedade e nossos direitos acabam sendo trocados por votos, conchavos políticos e afins. Nada muito diferente do que é feito com os direitos da classe trabalhadora, mas quem liga?

Existe sim uma necessidade de humanizar o parto no Brasil, para isso existe o Plano Nacional de Humanização do Parto (PNHP) e também há décadas existe o Plano de Atendimento Integral à Saúde da Mulher (PAISM) que serviu para desenvolver o Programa Nacional de Atendimento Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) logo no começo do governo Lula. Tais planos pensam a saúde da mulher de forma completa e precisam ser colocados em prática urgentemente, porém ao invés de fazê-lo e comprar uma briga com os setores dogmáticos religiosos – com quem o governo Dilma se comprometeu para assegurar sua vitória nas eleições de 2010 -, é preferível lançar um programa que retira o empoderamento da mulher e ajuda a criminalizar mulheres.

Há duas semanas a presidente Dilma Rousseff lançou o programa do Ministério da Saúde: a Rede Cegonha, programa este que conta com um orçamento de R$ 9,4 bilhões e pretende garantir assistência humanizada à mulher desde o momento que confirmar a gravidez até o puerpério, por cima até parece uma proposta promissora, isso se não abrisse uma via expressa para a aprovação no congresso nacional para o cadastro de gravidez e também não escanteasse pelo menos 30 anos de debates e acúmulos sobre a assistência integral a saúde da mulher.

Na verdade nos deparamos com o desenrolar da capitulação que Dilma e o PT deram nas eleições de 2010 com a Carta ao Povo de Deus e o compromisso do governo não enviar ao congresso nenhum projeto de lei versando sobre questões polêmicas – por polêmico entendamos os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e os direitos civis da comunidade LGBT -, pois em nenhum momento a atual presidenta se comprometeu a não escantear a política de atendimento integral à saúde da mulher, em implementar por completo o PNAISM ou não substituí-lo por um programa baseado no marketing que municia mais um pouco aqueles que brigam pela criminalização das mulheres.

A Rede Cegonha não é resposta completa aos diagnósticos sobre saúde da mulher, acaba por colocar uma venda sobre a questão do aborto no país. Em entrevista ao Vi o Mundo Télia Negrão da Rede Feminista de Saúde bem lembra que apenas no SUS são realizados mais de 100 mil abortos por ano, não contando com aqueles realizados em clínicas clandestinas que podem chegar a quase um milhão/ano. O programa do governo federal ignora essa situação, prefere não colocar o dedo na ferida e não correr o risco de perder apoio no congresso nacional do que encarar de frente a sofrida realidade das mulheres que abortam no Brasil.

No final das contas a mulher vai confirmar sua gravidez no SUS e ser diretamente encaminhada ao pré-natal pela Rede Cegonha, acontece o que com ela se 40 semanas depois for verificado que esta mulher não pariu? Como disse para além da desumanização do evento do parto com a simbologia da cegonha o programa é um abre-alas para mais criminalização das mulheres.

Fonte: http://bdbrasil.org/2011/04/20/diario-liberdade-uma-cegonha-que-pare-criancas-e-criminaliza-as-mulheres/

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A mulher grávida que o marido entregou aos torturadores

Soledad Barrett Viedma, grávida, foi entregue pelo marido aos torturadores da Ditadura Militar; torturada até à morte na cidade de Recife, em 08 de janeiro de 1973
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As mulheres e a ditadura militar no Brasil

Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Rago destacou alguns momentos que foram marcantes para as mulheres que, ao longo do tempo, não foram ouvidas nos debates, análises e reflexões sobre a repressão militar. “As mulheres ficavam bordando a dor na tapeçaria ao invés de escrever e falar. Acho que fomos educadas para se manter em silêncio e o feminismo rompe com isso, mas existe toda uma tradição cultural que vem de séculos dizendo que as mulheres não têm neurônios e inteligência”, aponta. Luzia Margareth Rago é historiadora pela Universidade de São Paulo e doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas, onde também realizou seus dois Pós-Doutorado e obteve, em 2000, o título de Livre-docência. Há 24 anos, é professora da Unicamp. É autora de Mujeres Libres da Espanha: documentos da Revolução Espanhola. (Rio de Janeiro: Achiamé, 2008); Os prazeres da noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930 (São Paulo: Paz e Terra, 2008), entre outras obras.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Por que fazer um evento que relaciona Mulheres, Ditaduras militares, Anistia?
Margareth Rago – Primeiro, porque estamos vivendo um momento especial, que é a comemoração dos 30 anos da anistia, com todas as discussões e questionamentos que isso tem trazido à tona. E, segundo, pela constatação de que as mulheres não estão aparecendo nesses eventos, como sempre. A intenção é dar maior espaço e visibilidade às mulheres, tanto que é um evento de mulheres falando das suas próprias experiências com outras mulheres que são historiadoras, também analisando estas experiências. Temos ex-presas políticas e ex-exiladas, como é o caso da Ivone Gebara e historiadoras como a Raquel Soihet, do Rio de Janeiro, a Graciela Sapriza, do Uruguai, a Susel Oliveira da Rosa, pós-doutora na Unicamp, e eu mesma.

Estamos em um universo feminino e feminista, refletindo sobre a questão da ditadura militar no Brasil e a questão da anistia. Na minha opinião, temos uma historiografia que é marcada por uma dicotomia muito forte. De um lado, praticamente todos os trabalhos que falam da ditadura militar no Brasil são escritos por homens e falam dos homens. De repente, tem um capítulo pequeno, uma nota de rodapé, que cita uma mulher e faz uma concessão, mas, em geral, não há isso. O interior do universo masculino, do partido, do sindicato, da política tradicional, muito acentuadamente é marcado por esta questão de gênero que não é explicitada. De outro lado, temos uma historiografia, já nestes trinta anos, que é uma história do feminismo, que tem as mulheres bravas e lutadoras, mas também um pouco fechadas em um universo muito feminino. Acho é um meio de campo pouco trabalhado e onde quero entrar. Tenho uma pesquisa que trabalha com esta questão, com estas mulheres que transgrediram, que abriram novos espaços, não necessariamente presas políticas, algumas são por acaso. A ideia é essa, abrir espaço para pensarmos a questão desta necessidade feminina que merece um olhar, porque a diferença é muito grande da maneira como foram tratadas, como viveram e como narram o pessoal.

IHU On-Line – Em relação à ditadura que o Brasil viveu, a busca da verdade e da justiça virou uma luta das mulheres?
Margareth Rago – Acho que sempre esteve no horizonte do feminismo esta questão. A história do feminismo do Brasil, desta onda que vem da década de 1970, vem de mulheres militantes, marxistas, ex-presas políticas, como a Amelinha, fundadora da União de Mulheres em 1981, mas que era do PCdoB e foi presa em 1972; e como a irmã dela, Crimeia Alice Schmidt de Almeida, que esteve na guerra do Araguaia e também foi presa nesses anos. E mais a adesão de mulheres que estavam exiladas, como a Danda Prado, filha do Caio Prado, que teve uma experiência totalmente ligada a essa questão.

Então, o feminismo brasileiro é um feminismo de esquerda e esteve altamente envolvido na luta contra a ditadura militar, não tenho dúvida nenhuma disso. Não acho que é uma questão de agora, mas uma questão que esteve presente. Por algum motivo, talvez nós mesmas não estivéssemos tão preparadas em termos teóricos, pois, acho que é uma questão de linguagem, de nós podermos colocar as coisas em termos da narrativa feminina, da especificidade do feminino que não é biológica, que é cultural. Ou talvez porque é difícil falar da dor e do sofrimento no caso das mulheres. Quando um homem conta suas dores, seus problemas na prisão, por exemplo, quando se lê o livro do Flávio Tavares, é tudo muito doloroso, mas ele pode falar. Quando uma mulher vai escrever um livro dizendo como foi estuprada na prisão, é uma questão muito delicada, muito dolorosa.

Esse fato é constatado não só no Brasil. A historiadora do Uruguai, Graciela Sapriza, também acha isso no Uruguai. As mulheres não contam que foram estupradas, pouquíssimas falam disso. E sabemos que as mulheres são estupradas fora da prisão aos montes, imagina na prisão completamente nas mãos de torturadores, que eram brutos, pessoas terríveis. Talvez por aí as narrativas femininas não tenham sido tão fortes. Ou talvez pela questão do silêncio feminino que é cultural, é histórico, tem séculos e séculos, as mulheres ficavam bordando a dor na tapeçaria ao invés de escrever e falar. Acho que fomos educadas para se manter em silêncio, e o feminismo rompe com isso, mas existe toda uma tradição cultural que vem de séculos dizendo que as mulheres não têm neurônios e inteligência.

Os grandes homens do século XIX, como Spencer, Darwin, diziam que as mulheres são um menino de dez anos na evolução das espécies, porque elas têm que acumular energia para parir, e o preço que isso custa é perda de neurônios. A ginecologia, quando nasce no fim do século XVIII e início do XIX, fundamenta incivilidade física da mulher, cientificamente. Há toda uma tradição cultural de opressão às mulheres, e não é à toa que o feminismo explode violentamente, pondo a boca no trombone, como dizemos popularmente. Acho que as mulheres têm muita capacidade de escrever, temos mulheres brilhantes, escritoras, pintoras, artistas e compositoras, mas são sempre muito silenciadas, ou pelo discurso historiográfico, pela família, ou por muitas estratégias de poder, controle e produção da submissão.

IHU On-Line – Como a senhora analisa o “narrar” a ditadura hoje?
Margareth Rago – Entendo que falar da ditadura, escrever sobre ela, trazer essas experiências é absolutamente necessário e é um ato político. Sabemos que os jovens desconhecem o que aconteceu num passado recente, sendo que as feridas ainda não estão cicatrizadas. Então, narrar tem uma dimensão, em minha opinião, de processar o luto. Quando se fala, se revive o trauma, se compartilha com o outro, se chora. Participei de alguns eventos como agora, em maio, em Florianópolis, em que as mulheres falaram de suas experiências na prisão, havia uma argentina, uma uruguaia, uma boliviana e umas brasileiras, todas choraram imensamente, foi uma comoção, porque a dor é muito grande. Existe esta questão que é preciso processar o que aconteceu, é preciso falar, entender o que foi. Isto em uma dimensão pessoal e coletiva também, porque são feridas do país, e o país tem que se acertar, tem que enfrentar sua verdade, porque se não ele não se encontra. Faz parte da memória coletiva enfrentar o seu passado, saber o que aconteceu e colocar a limpo isso, para ele poder elaborar isto, ou então não vira a página. Acho que psicanalistas podem explicar muito bem isto, mas funciona a nível pessoal e coletivo. Um ato político de denúncia, pois os jovens têm que saber o que aconteceu, não se pode romper e simplesmente cair num mundo, como não se tivesse passado, não tivesse acontecido nada, estamos em uma democracia, está tudo ótimo e maravilhoso, vamos em frente.

Este é um compromisso ético e histórico. Existe um compromisso com os que morreram. Acho que este é um compromisso ético com os que não podem mais contar o que aconteceu, e com estes corpos que não foram encontrados, tanto por estas pessoas como pelas famílias, como esta história que está acontecendo com a guerrilha do Araguaia. Até há pouco tempo, essa guerrilha não constava nas histórias do Brasil, não tinha documentos e ninguém sabia de nada. Os militantes que contaram, os que sobreviveram, não tiveram processo, não tem nem o processo penal para se encontrar e saber o que aconteceu. Acho que tudo isso é muito importante, inclusive para garantir que não aconteça mais, que esta história não se repita. E, para isso, as pessoas têm que tomar conhecimento dessa história, saberem o que aconteceu, têm que se indignar sim. As mulheres têm muita história para contar. Elas têm que falar o que foi a violência nas prisões, as violências sexuais, e também na militância. Em um dos artigos que publicamos na Revista Labrys, há um depoimento e, ao mesmo tempo, uma reflexão de uma ex-presa política, que é professora universitária hoje, Eleonora Menegucci de Oliveira, onde ela diz que, até para os militantes companheiros, elas tinham que provar que eram corajosas, e elas faziam a segurança com armas, e as pessoas não falam dessa história. Fica esta ideia de que as mulheres serviam cafezinho e que não pensavam a revolução, não eram militantes tão importantes quanto os homens. Por tudo isso que estamos fazendo este evento no dia 29 de outubro e, ao mesmo tempo, publicando esse dossiê na Revista Labrys, dedicado às mulheres feministas que foram presas políticas, ou não, como a Ivone Gebara, mas que foi mandada para a Bélgica para fazer outro pós-doutorado porque havia saído um artigo em uma entrevista na revista Veja, em que ela defendia o aborto. Ela, como teóloga feminista, foi muito frontal à estrutura hierárquica e patriarcal da Igreja. Ela é uma das grandes filósofas feministas contemporâneas.

IHU On-Line – Como a ditadura influenciou a construção do feminismo político no Brasil?
Margareth Rago – A ditadura, se pudesse, teria impedido. A ditadura não constrói nada, só destrói. Há uma luta contra esta destruição, mas a ditadura destrói tudo, porque significa o silenciamento, é o fim da esfera pública. As pessoas não tinham mais os pontos de encontros, de sociabilidade, de troca política, de reflexão. A ditadura é um atraso profundo na vida de um país. Pense o que a reflexão científica, filosófica e teórica foi atrapalhada pela ditadura. Pense o que foi essa desinformação da juventude hoje, que não teve contato com nada, não sabe de nada que aconteceu. Se tivesse sido criada em um sistema democrático, teria contato com as coisas, com o mundo, com os manifestos, conflitos e protestos. Mas pelo contrário, a ditadura só atrapalhou. Acho que o mundo floresce quando se tem liberdade, acredito na liberdade, e não acredito no poder e na dominação. Olha no nazismo o que aconteceu, olha a ditadura da Argentina. Imagina um jovem argentino de 20 anos que tem uma família e, de repente, ele descobre que a família atual tem um torturador que matou os pais biológicos. A cabeça deste menino não tem como ficar normal, é uma tortura, um trauma.

Então acho que não, que ditadura nunca mais. Tortura nunca mais. Repressão e violência nunca mais. Temos que afirmar a liberdade, compromissos éticos, a solidariedade, a crença na possibilidade de construir novas formas de existência, éticas, libertárias que não se signifiquem submissão, obediência ao outro, pois isso é uma renúncia de si, como explica Michel Foucault. O que é duro, enquanto historiadora, é olhar que temos uma tradição histórica maravilhosa, mas que foi detonada por interpretações que se disseram verdadeiras e abafaram tudo. Não conhecemos nem sequer alguns termos hoje. Por exemplo, parrésia, que quer dizer coragem da verdade. Foucault buscará isso no movimento dos cínicos, lá atrás, antes de Cristo, e você fica chocada, porque o cinismo hoje significa falsidade, não é? E os cínicos eram pessoas que apostavam numa vida verdadeira, transparente, despojada. Ou seja, o oposto. O que constatamos com isso? Que predominou uma cultura da guerra, masculina, machista, homófoba. Isso é uma perda muito grande. Ainda bem que podemos descobrir essas outras dimensões que estão presentes no nosso passado e são tão ricas.

IHU On-Line – Na Argentina, a memória da ditadura é muito viva, muitas vezes, para que esse passado não volte a acontecer. Como a senhora vê a questão da memória da ditadura no Brasil?
Margareth Rago – Antes de falar com você, eu liguei a televisão e apareceu uma senhora falando da filha – e apareceu a foto da filha – que foi morta na Guerrilha do Araguaia. A mulher está falando que é mãe, que ainda não encontrou o corpo e que há “tantos” desaparecidos políticos ainda. Eu levei um susto, porque, na Argentina, isso aconteceu faz tempo. Há muito tempo essas questões foram para a televisão lá! Aqui não. É claro que há muitas diferenças históricas. O país lá é menor, aqui é imenso. A questão lá envolveu muito mais gente, como todo mundo sabe. A questão não é quantitativa. Todo ato de violência tem que ser evitado, impedido. Eu não sei ainda entender as temporalidades. Mas acho que, na Argentina, foram muitos filhos desaparecidos. Todo mundo tem uma historia. A coisa bateu de uma maneira muito forte. Aqui a coisa foi muito dispersa. Vejo que há uma movimentação hoje no Brasil que na Argentina já aconteceu. Mas, de qualquer forma, isso é positivo.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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Lembrança dos crimes da ditadura militar: fazei isso em memória delas

lembrança dos crimes da ditadura militar: fazei isso em memória delas

POR José Bessa Freire

São mulheres de diferentes cidades do Brasil. Algumas amamentavam. Outras, grávidas, pariram na prisão ou, com a violência sofrida, abortaram. Não mereciam o inferno pelo qual passaram, ainda que fossem bandidas e pistoleiras. Não eram. Eram estudantes, professoras, jornalistas, médicas, assistentes sociais, bancárias, donas de casa. Quase todas militantes, inconformadas com a ditadura militar que em 1964 derrubou o presidente eleito. Foram presas, torturadas, violentadas. Muitas morreram ou desapareceram lutando para que hoje nós vivêssemos numa democracia.

As histórias de 45 dessas mulheres mortas ou desaparecidas estão contadas no livro “Luta, Substantivo Feminino”, lançado quinta-feira passada, na PUC de São Paulo, na presença de mais de 500 pessoas. O livro contém ainda o testemunho de 27 sobreviventes e muitas fotos. Se um poste ouvir os depoimentos dilacerantes delas, o poste vai chorar diante da covardia dos seus algozes. Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte.

Rose Nogueira – jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.

Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária: “Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.

Hecilda Fontelles Veiga – estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará. “Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.

Yara Spadini – assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC. “Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.

Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte. “Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam- me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.

Ignez Maria Raminger – estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde. “Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.

Dilea Frate – estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.

Cecília Coimbra – estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense: “Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.

Maria Amélia de Almeida Teles – professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.

São muitos os depoimentos, que nos deixam envergonhados, indignados, estarrecidos, duvidando da natureza humana, especialmente porque sabemos que não foi uma aberração, um desvio de conduta de alguns indivíduos criminosos, mas uma política de Estado, que estimulou a tortura, a ponto de garantir a não punição a seus autores, com a concordância e a conivência de muita gente boa “em nome da conciliação nacional”.

No lançamento do livro na PUC, a enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, pediu a palavra para dizer que a anistia foi inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores nem sequer foram processados pelos crimes que cometeram: “Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.

Os fantasmas que ainda assombram nossa história recente precisam ser exorcizados, como uma garantia de que nunca mais possam ser ressuscitados – escreve a ministra Nilcea Freire, ex-reitora da UERJ, na apresentação do livro, que para ela significa o “reconhecimento do papel feminino fundamental nas lutas de resistência à ditadura”.

Este é o terceiro livro da série “Direito à Memória e à Verdade”, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O primeiro tratou de 40 afrodescendentes que morreram na luta contra o regime militar. O segundo contou a “História dos meninos e meninas marcados pela ditadura”. Eles podem ser baixados no site da SEDH.

O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos nos próximos dias. Essa é uma ocasião oportuna para lançar o livro em todas as capitais brasileiras. No Amazonas, as duas reitoras – Marilene Correa da UEA e Márcia Perales da UFAM – podiam muito bem organizar o evento em Manaus e convidar a sua colega Nilcea Freire para abri-lo. Afinal, preservar a memória é um dos deveres da universidade. As novas gerações precisam saber o que aconteceu.

A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê. É como o sacrifício da missa para quem nele crê. A gente tem de lembrar diariamente para não ser condenado a repeti-lo: fazei isso em memória delas.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti .

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Mulher, guerrilheira e agora presidenta

Hoje é um dia histórico para o Brasil, assim como foi o dia 1º de janeiro de 2003. Depois de empossar o primeiro operário de esquerda como seu presidente, o Brasil irá empossar a primeira mulher de esquerda (*) como sua presidenta. Dilma Vana Rousseff tem em seu currículo alguns “agravantes” como ser ex-guerrilheira, assim como o atual presidente do Uruguai José Pepe Mujica,  ter sido torturada durante a ditadura militar, assim como a ex-presidenta do Chile Michele Bachelet, e ser solteira (oi?).
Estou fazendo essa relação com os demais países do Cone Sul por dois motivos. O primeiro é que aos poucos, o processo de tomada de poder pelas forças populares e de esquerda que se avizinhava nas décadas de 60 e 70 na América Latina e interrompidos à força pelas ditaduras militares patrocinadas pelos EUA, retoma o seu curso “natural”. A América Latina vem dando passos significativos rumo ao rompimento de sua histórica opressão e exploração e está acelerando o passo. Afora o Chile e Honduras, onde a esquerda teve retrocessos, nos demais países essa identidade latino-americana se fortalece.
Segundo porque esse é um dia histórico também para as mulheres latino-americanas. Depois de Michele Bachelet, Cristina Kirchner – atual presidenta da Argentina e provável candidata à reeleição este ano – agora teremos também no Brasil uma mulher no comando da nação. Dilma venceu uma campanha nojenta de tão suja e baixa e apesar de não ter votado nela por motivos que já relatei aqui, não deixo de reconhecer o mérito de sua vitória. Ela saiu dos bastidores, saiu debaixo da asa do presidente Lula, fugiu do scrip e, imprimindo o seu jeito de ex-guerrilheira disciplinada à sua causa misturado ao seu pragmatismo de economista e generosidade de mulher, foi derrubando preconceitos e vencendo covardias.

Nada fácil ser mulher e ser vitrina num país preconceituoso como o Brasil, que finge não ser racista mas trata negros como cidadãos de segunda classe e acha que cota é segregação. Finge não ser homofóbico mas incentiva os crimes contra homossexuais repetindo surras e assassinatos na tevê que ficam impunes (e ainda insinua o tempo todo uma suposta homossexualidade da presidenta eleita por ser ela solteira e independente). Finge tratar a todos igualmente, mas dá tratamento jurídico diferenciado a ricos e pobres e torce o nariz ao ver suas lojas, supermercados, aeroportos – antes exclusivos da burguesia e classe média – invadidos por pobres. Finge não ser machista, mas trata feminicídios como crimes comuns e pune duplamente as vítimas desqualificando-as moralmente através de sua sexualidade, e trata aborto como tema político e religioso. É preciso ter estômago. Dilma teve. Enfrentou tudo isso com coragem, meses depois de ter vencido um câncer e ainda teve a dignidade de não usar a doença, tratamento e recuperação como arma midiática na sua campanha.

Entendo a presença de mais de cem blogueiros progressistas, sujos ou de esquerda hoje em Brasília para cobrir a posse presidencial. Eles trabalharam duro na defesa da canditura de Dilma – embora eu ache tanto envolvimento complicado, a blogosfera tem essa liberdade e a honestidade de escancarar suas bandeiras – e estão orgulhosos do seu trabalho pela democratização da comunicação, se sentem partícipes da vitória de Dilma e desejam ardorosamente ver a milicada bater continência para uma guerrilheira. Vibrei vendo Mujica diante das Forças Armadas uruguaias e vibrarei ainda mais vendo Dilma diante das Forças Armadas brasileiras. Porque sabemos que a tortura é ultrajante (dizendo o mínimo) para qualquer ser humano, mas – prá variar – é mais cruel com as mulheres. É simbólico e emocionante que Dilma tenha convidado suas companheiras de cárcere para estarem presentes hoje em sua posse em Brasília.
Claro que tenho minhas críticas e continuarei tendo. Não abro mão de minhas lutas, princípios e bandeiras e penso que a crítica justa é fundamental para acertar o passo e não desviar do caminho e espero que a memória da presidenta não fique apenas nos simbolismos e protocolos cerimoniais. Mas reconheço o tamanho desse dia para o Brasil, para as mulheres e para toda a América Latina e torço para estar errada em minhas previsões mais negativas. Lula cometeu muitos erros, mas acertou em cheio ao reforçar a unidade latino-americana. Sua eleição reverberou e impulsionou muitas outras vitórias da esquerda no continente e eu espero que a eleição de Dilma impulsione muitas vitórias mais, da esquerda e das mulheres latino-americanas.
Meu desejo nesse primeiro dia de década? Que este continente seja varrido pelos ventos da liberdade e da justiça. “Bora” começar a bater as asas?
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Loca por ti, America!
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(*) É preciso diferenciar o fato de eleger uma mulher de eleger uma mulher de esquerda. Yeda Crusius como governante não se diferenciou em nada de um homem. E embora eu tenha críticas sobre o quanto o PT, Lula e Dilma estejam à esquerda na política, e economicamente não se diferencie muito dos demais governos e propostas, no campo das políticas sociais as diferenças são brutais de governos da direita, PSDB e afins.
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Nota: Sobre o início do governo de Tarso Genro e a volta do PT ao governo do Rio Grande do Sul, não vou me manifestar agora. Vou apenas comemorar o fim do desgraçado desgoverno Yeda. Pode?

Fonte: http://pimentacomlimao.wordpress.com/

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Meninas também entram…

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