Sexismo eleitoral até no programa de cadastro de candidat@s do TSE: profissão feminina só Dona de Casa

por Cíntia Barenho*

Alertada por um amigo, fui conferir o tal Candex 2012 (http://goo.gl/tPTwg), que é o sistema do Tribunal Superior Eleitoral para cadastro de candidat@s. Baixei o programa para o computador e simulei um cadastro de candidatura a vereança. Chama atenção quando vamos colocar a “ocupação” d@ candidat@. A maioria das opções (estas passam por cabeleireiro e barbeiro, capitalista de ativos financeiros, professor, presidente da república, salva-vidas, e a lista segue…) são masculinas, salvo aquelas que tem um terminologia “unissex” digamos assim. No entanto, para a minha quase-surpresa, uma vez que vivemos nesse mundo machista-patriarcal, a única opção com conotação explicitamente feminina é DONA de CASA.

Infelizmente segue a visão de que nós mulheres somos COTA, um empecilho dito de 30% que todas os partidos devem inscrever conforme o art. 10 da Lei nº 9.504/97 impõe os limites de candidatos por gênero a serem lançados às eleições proporcionais (vereadores). No § 3º do art. 10 da Lei 9.504/97, cada partido ou coligação deverá preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Ou seja, 30% é o mínimo transformado em padrão por quase todos os partidos. Diferencial será o PT, mas a partir de 2014, quando adotará as cotas de 50% para cada sexo nas eleições para vereador, deputado estadual e deputado federal.

Machinhos de plantão vão dizer que é difícil encontrar mulheres candidatas, que não tem mulheres, etc e tal….óbviamente a culpa é nossa e não de todo um sistema que impõe uma vida mais privada do que pública às mulheres.

Mas cabe destaque, como afirma Maritânia Dallagnol, em recente texto:

situação que ocorre, inclusive, pela pouca disposição destes em tornar efetiva a participação feminina no âmbito do próprio partido, relegando ao período eleitoral o convencimento para a inscrição de candidatas.(http://goo.gl/VUCoS)

 Além disso, será também que o TSE não está a par que recentemente a presidenta Dilma (sim, por conta disso e de outras, houve essa opção pela flexão da palavra para o feminino) sancionou a Lei 12.605/2012  que obriga as instituições de ensino públicas e privadas a empregar a flexão de gênero para nomear profissão ou grau nos diplomas expedidos:

A partir da lei, que já está em vigor, o sexo da pessoa diplomada passa a ser considerado na designação de profissão ou grau obtido e o masculino não poderá mais servir de generalização. A lei estabelece ainda que as pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção.(http://goo.gl/9m3YQ)

Nós mulheres queremos ser respeitadas  e consideradas enquanto sexo feminino, e não sermos falsamente generalizadas num “a todos” ou esquecidas em menções como na expressão “o homem e a natureza” (que além de deixar as mulheres de forma, parte de um princípio que seres humanos não estão na natureza).

 Seguimos tendo que provar que aquela ideia do século 19, quando médicos da Inglaterra vitoriana pensavam que o cérebro menor e mais leve das mulheres explicava sua suposta inferioridade intelectual (http://goo.gl/g6lvg), só tem cabimento para quem visa um mundo sem equidade, sem machismo, sexismo…

 Assim, segue nossa incansável luta diária feminista, que muit@s fingem não entender e tentam desqualificar..

Lugar de mulher é em todo o lugar e especialmente na Política…

*Cíntia Barenho integrante da Marcha Mundial das Mulheres do RS

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Arquivado em feminismo, mulher, ofensiva contra o machismo

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