Relatório aponta assassinato de 34.167 mulheres no México de 1985 a 2009

por Natasha Pitts

A quantidade de feminicídios no México aumentou de forma constante desde 1985. Esta é uma das principais constatações do relatório editado conjuntamente por ONU Mulheres, Colégio do México e Instituto Nacional das Mulheres (INMujeres). ‘Feminicídio no México. Aproximação, tendências e mudanças 1985-2009’ destaca as regiões do país com a maior incidência deste crime, revela a queda no número de assassinatos de homens e denuncia a falta de informações completas sobre a problemática.

O relatório foi elaborado com o objetivo de contribuir para documentar as circunstâncias em que se realizam os crimes de violência feminicida no México. E ainda para ajudar a visibilizar este crime contra a vida, a integridade e os direitos das mulheres, com vistas a auxiliar na melhora da prevenção e da punição.

Dentro do período analisado pelo relatório, segundo dados da secretaria de Saúde e do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), foram registrados 34.176 casos de feminicídio. Desde 1985 a quantidade de casos foi aumentando de forma constante. Em 2007 houve uma redução pela metade na quantidade de casos, no entanto, nos dois anos seguintes – que são os dois últimos anos analisados pelo relatório – houve um aumento de 68%. Para as organizações à frente do relatório, o que aconteceu foi a perda de todo o avanço observado nos 23 anos anteriores.

Por outro lado, o relatório chama atenção para o fato de que, nos últimos 20 anos, os casos de assassinatos de homens caíram quase pela metade. A diferença entre a quantidade de casos envolvendo homens e mulheres também pode ser sentida por meio da análise dos seguintes dados: em quase 6% dos casos de feminicídio as vítimas tinham menos de cinco anos, contra 0,83% de casos de meninos da mesma idade. Na outra ponta, as idosas assassinadas são quase o dobro de número de homens idosos mortos no mesmo período.

Há a possibilidade real de que as cifras de feminicídio sejam ainda maiores, pois existe um sub-registro dos casos, ocasionado pela ausência de mecanismos administrativos para diferenciar os feminicídios de outros casos de homicídios de mulheres. O relatório aponta que alguns feminicídio chegam a ser registrados como suicídios ou acidentes.

Este tipo de violência acontece todos os dias e em várias partes do país, no entanto a violência é maior em Chihuahua, Baja California, Guerrero, Durango e Sinaloa, cidades marcadas pela presença do crime organizado e do tráfico de migrantes.

Outro dado apontado pelo relatório é que 45% das mulheres assassinadas perdem a vida em suas casas. Já no caso dos homens, grande parte é assassinada na rua.

Ainda fazendo um comparativo, o relatório revela que eles são assassinados por disparos de armas de fogo, enquanto elas são mortas com requintes de brutalidade também por armas de fogo, mas em vários outros casos por arma branca, objetos cortantes, estrangulamento, enforcamento, afogamento ou ainda envenenamento.

Para atenuar a pena, muitos criminosos justificam que o crime foi cometido por ciúmes ou por uma violenta emoção. Este argumento é válido em 15 estados.

Os altos índices de violência contra mulheres e meninas contrastam com o número de denúncia contra os agressores. Feminicídio no México assegura que menos de uma em cada cinco mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de seu parceiro, esposo ou namorado apresentou alguma denúncia, atitude que precisa ser combatida, pois reforça a impunidade, comum nos casos de violência contra a mulher.

Para ler o relatório na íntegra, acesse: http://www.unifemweb.org.mx/documents/actividades/feminicidios/libro.pdf

Fonte: Adital

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