Carta de apoio às mulheres que sofreram violência pelo Pastor Aldo Bertoni.

A violência contra a mulher é um fenômeno estarrecedor na vida de muitas mulheres e não está somente circunscrita a casa e ao trabalho. Vivemos em sociedade machista e patriarcal, na qual a violência contra a mulher está disseminada em todos os lugares: transforma a mulher em mercadoria, controla a vida das mulheres, afeta a vida profissional, a saúde e auto estima. Há mais de dois anos, o cientista Roger Abdemassih – médico de projeção internacional que trabalhava com reprodução assistida- foi acusado de assédio sexual. O caso teve um efeito surpreendente. Dezenas de mulheres, em seguida, fizeram suas denuncias, o que resultou na condenação do violador a 278 anos de prisão. Outras historias com ginecologistas, bispos, professores, padres -pessoas consideradas na sociedade como acima de qualquer suspeita- tem sido, com freqüência, denunciados de assédio e abuso sexual.

Neste momento, estamos vivendo outro caso emblemático. Desta vez, trata-se de um pastor: um homem de 85 anos chamado Aldo Bertone, líder da igreja apostólica, com sede em São Paulo e mais de 25 mil seguidores em todo o país. Para os e as fiéis, este homem é quase um Deus intocável. A religião criada por ele e sua Avó Dalva (nos anos 60) tem disciplina rígida e normas como: as mulheres devem vestir sempre roupas abaixo do joelho, é proibido ver TV, a vida das e dos fieis tem que ser dedicada exclusivamente a igreja.

Como Aldo Bertone é considerado por muitos uma divindade, as pessoas com problemas de qualquer ordem procuram sua ajuda, conselhos ou mesmo a cura para doenças. Assim, mulheres que, em momentos de dificuldade ou de doenças, o procuraram e foram abusadas sexualmente. Um caso foi o de uma mulher que buscava cura para um câncer de útero. Aldo Betone afirmou que teria como curá-la através de relações sexuais, pois seu sêmen tinha poder de cura.

Há mais de dois anos algumas mulheres tiveram a coragem de denunciar publicamente o abuso sofrido. Foi uma atitude de coragem destas mulheres pois o crime de abuso sexual é um crime silencioso, sem testemunhas, e o violador conta com seu poder frente às vítimas e com sua respeitabilidade frente aos demais. No caso do pastor Aldo, é ainda mais complexo pois ele é considerado “Santo Primaz, profeta dos ultimos tempos” para os e as fieis.

Por tudo isto, as mulheres que denunciaram a violencia foram transformadas em culpadas. Neste caso, onde em geral toda família participa desta mesma religião, estas mulheres vem enfrentando humilhações e hostilidade tanto dentro da familia como na comunidade religiosa. O agressor é acolhido, defendido e apoiado. As mulheres, vítimas de violencia, são desacreditadas.

As pessoas fazem muitas perguntas como: por que somente agora ela denuncia? Por que não gritou na hora? É fácil fazer essas perguntas, mas, para quem vive uma situação de assédio sexual, estupro ou abuso por uma pessoa com estas características não é simples. O importante é que, em algum momento, uma fez a denúncia, o que encorajou várias outras a fazer o mesmo. A pergunta que devemos fazer é: quantas mais ainda não tiveram coragem de denunciar e levarão esta violência como segredo e sofrimento pelo resto da vida, por medo de serem julgadas pela comunidade?

Ao invés de questionar as vítimas, temos que acolher estas mulheres, ouvi-las sem julgamento para que sintam e saibam que fizeram a coisa certa. Não importa o momento da denúncia. Se o caso foi há vinte anos ou recente, uma hora este agressor tem que pagar pelo crime para que outros sejam constrangidos de continuar assediando sexualmente as mulheres. A violência continua pois os homens acreditam que não serão punidos.

O Ministério Publico já pediu a prisão preventiva do pastor Aldo. Nós, do movimento de mulheres , queremos que a justiça seja feita: o agressor na prisão e as mulheres vítimas apoiadas inclusive pscologicamente, para enfrentar as humilhações impostas por familiares e por parte da comunidade que acredita na santidade deste homem. Ressaltamos que este homem é um violador, estuprador e agressor, que se utiliza da boa fé de uma comunidade para manter o luxo e a riqueza e transformar as mulheres em objeto para seu uso.

Toda a nossa solidariedade as mulheres vitimas desta violência!
Punição ao assediador!

Marcha Mundial das Mulheres

Casa Viviane dos santos

Casa Cidinha Kopcak

SOF – Sempreviva Organização Feminista

As organizações e movimentos que queiram assinar ou enviar suas cartas de apoio, envie para marchamulheres@sof.org.br
Para as que não viram a reportagem que denuncia a série de abusos, segue link (nos negamos a reproduzir aqui)

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Arquivado em machismo mata, mulher, ofensiva contra o machismo

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