A campanha contra o direito ao aborto encontra eco nas reivindicações da extrema-direita

Através do lobby parlamentar ou da violência, grupos de extrema-direita atacam direito das mulheres norte-americanas

Apenas nesse inicio do mês de abril três estados norte-americanos tiveram ações ou mudanças legislativas favoráveis aos grupos conservadores que atuam no país com o apoio declarado do Partido Republicano.

O governador do Arizona Jan Brewer assinou em pleno sábado, dia 2, projeto de lei proposto pela deputada Kimberly Yee e a senadora Nancy Barto, que obriga as mulheres que requisitarem um aborto a realizarem um ultra-som. Durante o exame os médicos deverão oferecer à mulher a opção de ouvir os batimentos cardíacos do feto. O projeto também proíbe que prestadores de serviços médicos prescrevam a pílula do dia seguinte conhecida como RU-486, apresentada pela direita norte-americana como um método abortivo, quando eeste recurso é, na realidade, utilizado por mulheres nos primeiros dias após a relação sexual desprotegida e que estão distantes do capital do estado do Arizona para evitar uma gravidez indesejada.

A proibição do acesso ao medicamento tende a aumentar a necessidade de um aborto que não estará “disponível em qualquer lugar, mas apenas em Phoenix e Tucson. Criando uma situação de insegurança para as mulheres”, disse Michelle de Steinberg, da Planned Parenthood Arizona.

No estado do Kansas e Nebraska, dois grupos anti-aborto “Operação Resgate”, na cidade de Wichita e “Maryland Coalizão pela Vida” abriram sedes dos chamados Centro de Crise da Gravidez (CPC) nas proximidades de clínicas que oferecem serviços de aborto.

Um dos centros está em frente à clínica do médico George Tiller, assassinado em 2009 por um fanático religioso dentro da igreja que freqüentava. A clínica de Tiller foi alvo de constantes manifestações e até mesmo atentados por parte da extrema-direita norte-americana. Scott Roeder, que foi condenado pelo assassinato do médico em seu testemunho, confessou tentar orientar “as pacientes da clínica de aborto” para procurarem uma CPC.

Os grupos da extrema-direita têm concentrado suas ações contra clínicas de atendimento a aborto tardio, especialidade do Dr. Tiller, e no lobby parlamentar que tem forçado mudanças legislativas restringindo o acesso aos serviços. Desde que o médico foi assassinado esses grupos intensificaram suas ações, e procuram evitar que outro médico que é referência nesse tipo de atendimento e que trabalhou com Tiller, Dr. Carhart, abra clínicas na região.

Com suas ações o grupo conseguiu impedir que Dr. Carhart abrisse uma clínica em Nebraska, e lançou uma campanha para impedir novas clínicas tanto no Kansas quando em Nebraska.

Para além da ameaça que esses grupos representam para os direitos democráticos e mesmo para o atendimento adequado e para a saúde das mulheres norte-americanas, o movimento de mulheres atenda para outro grave problema, a violência.

Levantamento de uma organização feminista da região aponta a incidência de violências graves em clínicas localizadas próximas a CPC é de 32,7%, contra 11,3% quando as clínicas não estão perto de uma CPC. Com a tradição de atentados contra clínicas nos EUA as CPCs representam uma verdadeira ameaça. O risco que elas representam, sem contar o assédio e a pressão moral que exercem, certamente vai diminuir a busca pelo aborto nessas clínicas, aumentando os riscos de abortos feitos em situação insegura e sem condições adequadas.

Isso não é tudo. No estado da Virgínia o governador republicano Bob McDonnell pretende aprovar uma emenda na legislação que regulamenta os serviços de saúde privada para restringir drasticamente o acesso das mulheres a procedimentos e medicamentos abortivos.

É necessário reagir contra toda essa ofensiva e impedir o avanço da extrema-direita que de estado em estado, pela lei, força ou violência, tenta aos poucos minar e anular a decisão da Suprema Corte que reconheceu o direito das mulheres de decidirem sobre seus corpos há mais de 35 anos nos EUA.

Fonte: http://www.pco.org.br/con28095

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Arquivado em feminismo, ofensiva contra o machismo

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