Uma mulher, outra, que decidiu se libertar…

A violência dos homens contra as mulheres é a fúria do sistema contra a metade da humanidade por mulheres rebeldes

Não sabemos se Tatiana Aparecida Zomer Almeida,mais conhecida como Tati, conhecia essa palavra. Sucedeu que um bom dia, cansada de tantas injustiças, decidiu participar das reuniões que faziam as companheiras catadoras de lixo.  Ali encontrava independência, vida, dizia enquanto levantava os olhos procurando o céu.

Quando se parte para a luta, se localiza no espaço do coletivo e saindo do “quartinho individual” e da sensação de isolamento, é assim que nos sentimos “empoderadas”. Sim, com poder, dona de si própria. Isso provoca reações naquelas pessoas que não desejam o mesmo.

Vivemos numa ditadura patriarcal, onde nem o sistema, nem seus homens estão dispostos a permitir que as mulheres provemos do mel da liberdade. Muitos ainda acreditam que nossa função primeira é servi-los. Que essa é a nossa missão, e eles são nossos donos. Quando uma mulher se casa deixa de ser DO pai para passar a ser DO marido. Tanto é assim que até hoje, na Argentina, as mulheres casadas são Fulana DE Tal. Esse DE é a marca da propriedade. No Brasil, como em tantos outros países, isso não é necessário, uma vez que as mulheres agregam o sobrenome do homem- quando não o substituem -, porém o contrário não ocorre. Os homens “SÃO completos”, as mulheres, segundo as crenças patriarcais, devem completar-se com seu meio laranjo ao lado. Senão, somos ou estamos “sós”; solteiras, soltas.

Foi assim que um homem como tantos, que não gostava que SUA mulher saísse de casa para “essas reuniões”, após reiteradas “advertências”, decidiu adotar uma atitude mais “forte”.

Procurou com o olhar a caixa de ferramentas e com decisão se dirigiu a ela, pegou o martelo e sentou-se para aguardar que Tati voltasse de “sua” reunião. Esperou que ela fechasse a porta e se jogou em cima dela, como um animal faminto. Foi tão frio e deliberado que, para que os gritos de Tati não fossem ouvidos, ligou o rádio em alto volume. A cada golpe gritava que não estava certo o que ela fazia, que era sua propriedade, que o homem deve ser obedecido, respeitado.  Se agora estava sentindo dor, era tudo culpa sua, ela que havia procurado.

Assim Tatiana foi se apagando, ele a foi assassinando.

Ao terminar sua tarefa se dirigiu até a mesa, pegou um papel e um lápis e escreveu: “esta não trai mais”. Deixou sua mensagem “instrutiva” ao lado do corpo ainda quente. Abriu a porta e foi embora.

Nunca mais se ouviu falar dele, mas sabemos que está em liberdade, com a cumplicidade patriarcal – a fraternidade – de um sistema que estabelece que nós mulheres pertencemos aos homens. Neste sistema onde amor está associado à obediência, que alimenta a fantasia do amor romântico para que a gente deseje casar (ou ser caçada) e aceitar passivamente toda as opressões que esse romantismo acoberta. Sendo assim um elo obrigatório desta cadeia que deve se manter através da heterossexualidade necessariamente obrigatória, garantindo que a violência contra as mulheres possa prosseguir e se legitimar .

Sabemos que nem todos os movimentos populares triunfam, mas as causas que não se levam adiante tem sua derrota assegurada. Por isso saímos às ruas, gritamos e denunciamos.

Vamos nos empoderar, pela lembrança de tantas companheiras que seguem sendo assassinadas, por tantas de nós que sofremos diferentes tipos de violência patriarcal.

Tomaremos as ruas com gritos e cartazes, com raiva e uivos. Com pandeiros e  notas musicais. É dessa forma que acreditamos e criamos nossos mundos. E que desejamos habitá-los.

Assim buscaremos a cumplicidade e a consciência de que a violência dos homens contra as mulheres é a fúria do sistema contra a metade da humanidade.

25 de novembro, Dia Internacional de Combate à violência contra as mulheres, gritamos BASTA, denunciamos que não fazemos parte desta farsa.

Por que somos somente algumas ativistas que temos raiva e não todas as mulheres, todas as pessoas? Venham somar-se a nós!

http://mulheresrebeldes.blogspot.com/2010/11/chega-de-violencia-revolta-ja.html

2 Comentários

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2 Respostas para “Uma mulher, outra, que decidiu se libertar…

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  2. oi tudo bem eu sou prima da tati sentimos muita falta dela ……..
    e para ajudar o bandido esta solto
    qando sera qe o brasil vai dar punaçao para estes covardes
    qeremos justiça

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