Pelo fim da violência contra a mulher

Quero chamar atenção para uma coisa recorrente no nosso dia a dia. As notícias.

Mais especificadamente as notícias em que lemos sobre mulheres que foram agredidas. Vira e mexe aparece uma esbofeteada na balada, outra quebrada pelo namorado, uma outra que apanha do pai, e ainda aquelas que tem os socos do marido como parte de sua rotina. A gente sai na rua e eles buzinam os carros, ora para xingar algumas de “baleia”, gratuitamente, ora para chamar alguém de “gostosa”. A gente vai para festa e tem uns que te pegam  pelo braço à força, outros que ficam em cima mesmo depois do quinto ‘não’.

Muitas vezes não basta sermos apenas eficientes, profissionais e simpáticas. Temos que ser não-gordas, temos que nos vestir bem, temos que ser articuladas… temos que ser lindas, claro, ou pelo menos mostrar que estamos nos esforçando para isso. Se não  eles não se satisfazem em apenas nos admirar pela nossa capacidade. “Coitadinha, tão inteligente e prestativa, mas parece o bichinho da goiaba. Será que alguém já disse para ela que mulher não tem bigode?”. Isso também é um tipo de agressão. É uma agressão a todas as mulheres, a toda nossa importância.

Me dói muito saber dessas que apanham de fato. Me dói porque todo mundo tenta justificar. “Se ela não fosse tão atirada na rua, o marido não ia bater nela dentro de casa. Ele está colocando-a no seu lugar”. Ora essa! Que se divorcie então. As próprias mulheres muitas vezes não percebem o potencial que têm, e se jogam nessa dependência psicológica ou financeira, e sofrem caladas – dia após dia. Mas quem são os verdadeiros culpados? A mulher que aprende desde pequena a ser submissa ao seu homem, e morre de medo de perdê-lo, pois foi criada para ‘ser feliz’ no casamento, teme pelos filhos e tem vergonha de admitir que é agredida, nem quer saber o que as amigas pensariam sobre isso?

Eu acho que os vilões dessa história somos todos nós. Que não intervimos quand vemos um casal à tapas na rua, que deixamos nossos filhos homens levar as namoradas para dormir em casa enquanto proibimos nossas filhas do mesmo privilégio, que buzinamos o carro para as transeuntes, que ensinamos nossas filhas a baixar os olhos e fingir que não ouviu quando alguém mexe com ela na rua, que chamamos mulheres sexualmente bem-resolvidas de vagabundas, que nos omitimos quando vemos uma adolescente se envolvendo com um cara 10 anos mais velho.

Eu queria saber de onde vem tanto ódio. Por que vocês nos detestam tanto?

Existem inúmeras formas de agressão. Essas que eu falei são apenas algumas. Agressão não se limita apenasà formas físicas, mas também existe a agressão piscológica, profissional, moral. Atentem para essas pequenas atitudes que acabam perpetuando idéias ultrapassadas de que a mulher é culpada por todo o mal que lhe acontece. Ninguém, frente a um caso de estupro, pensa em atribuir a culpa 100% ao estuprador. Todo mundo tenta justificar um pouco, procurar nas roupas da mulher, no seu jeito de ser, algum tom lascivo para explicar o inexplicável. O estupro não aconteceu porque alguém acordou um dia e decidiu sair de microssaia na rua as 22h. O estupro aconteceu porque alguém tomou a atitude de caminhar em direção a outra pessoa, agredi-la, e fazer sexo à força. De novo eu digo: não entendo de onde veio tanto ódio.

Hoje é o Dia pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Meu apelo é que todo mundo reflita, que tente enxergar quais pequenas ações do seu dia a dia colaboram para estender essa situação, para enraizar na sociedade esse ódio contínuo e velado.

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