Eu me Chamava Glauciane Hara, fui morta por um homem que conheci no ORKUT

Uma pessoa que se assina como Mih escreveu no dia 16 de novembro de 2009 na página do Orkut de Anne Isa Marcelo para que ela se afastasse de um homem. “Ele já provou que só te traz sofrimentos e, se está com aquela mulher, é porque é isso que realmente quer. Amor só é bom quando nos traz coisas boas.”

Anne não conseguiu se afastar do homem casado que ela conheceu em 2007 no Orkut e na sexta-feira (4) à tarde foi assassinada a facadas no rosto, pescoço, tórax e braço por ele em Torres, no Rio Grande do Sul, defronte ao Hotel Bauer, onde ela estava hospedada. Uma testemunha disse que houve umas 20 facadas.

Anne Isa Marcelo era o nome no Orkut da médica Glauciane Hara (foto), 39, de Pindamonhangaba (SP). Ela era divorciada e tinha dois filhos pequenos. Trabalhava na Santa Casa da cidade como pediatra e clínica geral.

O homem é o marceneiro Rodrigo Fraga da Silva, 33, casado há 13 anos. Ele se apresentou hoje à polícia, confessou o crime e foi liberado, mas poderá ser preso a qualquer momento.

Glauciane viajava com frequência a Torres para se encontrar com Silva. Funcionários do Hotel Bauer contam que o relacionamento entre os dois era conturbado.

Silva bateu em Glauciane pelo menos uma vez, e ela invadiu a casa dele em três ocasiões para fazer  meaças à mulher dele, a Jaqueline. Na delegacia, há dez registros de briga entre os dois.

Neste sábado, Silva contou à polícia que não aguentava ser perseguido por Glauciane. Disse que queria viver em paz com sua mulher e que agiu em legítima defesa.

Em sua página no Orkut, Silva tinha deixado um recado a Glauciane, a quem ele chama de “criatura rejeitada e imunda”.

Escreveu: “Não há nada mais abominável e repugnante que uma mulher depressiva e rejeitada que nega a própria realidade! Invente as mentiras que você quiser e fique à vontade pra viver delas porque não passam de acusações levianas, sem qualquer prova concreta. Alucinações de uma mente doentia; uma psicopata. Todos que me conhecem de fato e convivem comigo sabem do meu amor pela Jaqueline! Enquanto você vive sozinha e deprimida, eu vivo feliz ao lado do grande e único amor da minha vida!

Mensagem de Silva: “Rejeitada imunda”.
Mesmo com rejeição tão forte, Glauciane viajou na sexta para Torres e desta vez com o propósito de conversar com a mãe de Silva para convencê-lo a reatar o relacionamento. A médica pretendia mudar-se para lá com os filhos. Tinha planos de abrir uma loja. Esse teria sido o motivo de ter sido atacada pelo marceneiro.

O crime repercutiu em comunidades do Orkut, onde o caso entre os dois começou e desandou com a publicação de e-mails confidenciais, de acusações e ameaças, em um perverso BBB que expôs familiares e amigos dela e dele.

No Orkut, há quem critique Silva, “um verme imundo”, e os que são implacáveis com a médica, que deveria “cuidar dos filhos e deixar de ter caso com homem casado”.

Em seu perfil no Orkut, no campo “quem sou eu”, Glauciane transcreveu um texto da escritora Clarice Lispector:  “Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.”

PRISÃO E CREMAÇÃO – atualização em 6 e 7/6/2010
Na noite deste sábado (6), com autorização da Justiça, a polícia prendeu Silva e o mandou para o presídio de Osório.  Ele tinha sido liberado quando se apresentou à polícia porque não houve flagrante do seu crime.

O corpo de Glauciane foi cremado — conforme era desejo dela — no domingo pela manhã, em São Leopoldo, na presença de seus pais e dois irmãos.

Mesmo se tratando de um homicídio, a Justiça autorizou a cremação porque, como nesse caso há um criminoso confesso, o corpo não precisa estar disponível para uma eventual exumação.

SOLTO – atualização em 14/6/2010
A juíza Marlene Landvoigt, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, concedeu nesta segunda-feira  habeas corpus a Rodrigo Fraga da Silva com a avaliação de que não há indício de que o crime foi premeditado por ter sido cometido na presença de várias pessoas. Além disso, ela argumentou que se trata de réu primário que, por admitir culpa, não deve frustrar a instrução processual.

Para a juíza, a gravidade do crime – que deve ser atenuada pelos indícios de colaboração da vítima – e o clamor social são insuficientes para manter a prisão provisória.

Como se trata de decisão liminar (provisória), seu mérito ainda terá de ser apreciado pela 3ª Câmara Criminal, mas Rodrigo já pode ser solto.

Com informações do Orkut, Zero Hora e Tribunal de Justiça.

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