Machismo no Esporte

por Lara Jacoby

A mulher no esporte…

Esse pseudo-mestrado tem me proporcionado muitos questionamentos… Trechos do texto “A mulher no esporte”, de Silvana Goellner.

“A inserção das mulheres brasileiras no universo das práticas corporais e esportivas data de meados do século XIX e essa participação se ampliou e consolidou nas primeiras décadas do século XX;

Os médicos, em especial, os higienistas, iniciaram a proclamar os benefícios que o exercício físico trazia para as mulheres proporcionando-lhes melhores condições orgânicas não só para enfrentar a maternidade mas, inclusive, para embelezá-las;

Baseados na teorização darwinista de que a atividade física atuava no robustecimento orgânico e, portanto, no aprimoramento da espécie, buscava-se uma educação corporal e esportiva fortalecendo a raça branca – ideal imaginário de um povo ameaçado pela mestiçagem;

O corpo feminino passa a ser visto como local privilegiado para a consolidação do projeto nacional de fortalecimento orgânico dos corpos, do aprimoramento dos valores morais, da construção de uma raça forte e, por conseqüência, de uma Nação forte;

Final do anos 80: abertura política, democratização, forte atuação dos movimentos sociais = conquistas das mulheres que além de praticantes, atletas e espectadoras de diferentes modalidades esportivas, passam a exercer cargos de gestão e administração esportiva, arbitragem, formação de opinião, técnicas e treinadoras de equipes de competição;

E hoje, cultura fitness, mercantilização do corpo…

Esporte é vida, é saúde, saúde é beleza, beleza é malhação, malhação não se dá sem performance, performance é espetáculo;

Corpos são espetáculos contemporâneos que carregam significados, tornam carne imagens idealizadas de saúde, beleza, performance, sucesso, masculinidade e feminilidade;

Aos homens: aventura, a potência, o desafio, a força; às mulheres: a aventura comedida, a potência controlada, a força mensurada, o desafio ameno;

Imagens de feminilidade que valoriza a heterossexualidade compulsória, a maternidade como projeto e a beleza (ou a busca dela) como obrigação”.

Para exemplificar um pouco essa imagem, trechos de comentários da imprensa sobre atletas do sexo feminino…


Mulheres, mulheres, mulheres

“Estava caminhando pela área internacional da Vila Olímpica, tranqüilo, bloquinho e caneta na mão quando vi aquelas suecas. Um montão delas, loiras e bronzeadas, como devem ser as suecas e grandes, e fortes. As suecas são fortes, como se sabe. São possantes e coradas. Muito leite desde pequeninhas, leite espesso, cheio de nutrientes. As chinesas, por exemplo, não bebem leite. Até acham estranho isso de beber leite de vaca. Resultado: são esguias e delicadas. As suecas, não. As suecas, mesmo sendo magras, mesmo sendo meigas, nota-se nelas a energia do leite bovino. Aquele grupo de suecas exalavam tal energia nas ruas da Vila Olímpica. Pertenciam à seleção de handebol da Suécia (…) (COIMBRA, 9/08/2008, P. 12)

A italianinha

“A nadadora Frederica Pellegrini usa a franja toda para um lado. Quando ela está de touca não se consegue ver esse detalhe. Mas quando tira, como tirou para receber a medalha de ouro dos 200 metros nado livre, o que se viu foi uma italianinha charmosa, que subiu sorrindo no posto mais alto do pódio. Sempre sorrindo, mas com olhos marejados, Frederica cantou o hino italiano em posição de sentido, até que,aos acordes tantos, não agüentou de contentamento e começou a bater palmas. Cantava e marcava a melodia batendo palmas. Todo o Cubo D´Agua, italianos, chineses, americanos e brasileiros, a imitavam. Uma mulher bonita não precisa de muito para comover uma multidão”. (COIMBRA, 2008, p. 12)

”A paulista Sílvia Guimarães (corrida de aventura), já participou de mais de 80 competições mas não deixa de fazer as unhas antes das corridas”. (Site Terra, 2010)

Confesso que sinto náuseas. Meu questionamento é: que olhar escreveu a história? Que olhar é este onipresente na constante construção de paradigmas?

“Invisibilizado acadêmica e politicamente, o fazer das mulheres foi narrado a a partir da idéia de um sujeito genérico universal representado, nas sociedades ocidentais, como sendo o homem branco, heterossexual e cristão.”

“(…) ao contar sobre um tempo que já não é mais a história tanto pode ‘celebrar’ o que deve ser lembrado quanto ‘invisibilizar’ o que deve ser esquecido”. (Goellner, 2007)

Portanto, este foi o olhar que escreveu a história e este é o olhar presente em tudo e em todos. Com licença, eu não penso assim! A participação das mulheres no esporte, no mundo do trabalho, na política e em todas as esferas sociais, não foi uma concessão masculina e sim uma conquista feminina. Isso significa que somos muito mais do que nossa imagem, somos muito mais do que mulheres “melancia”, do que capas de revista, do que “atriz, modelo, dançarina”, do que mãe/esposa e do que frágeis afrodites.

“Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda e meu peito não é de silicone…”

Onde há poder, há resistência!

Beijo, tchau…

Sorry, this is way too brazillian, it’s a bit harsh to translate. Or maybe not… I’m just trying to discuss how women made their own way to succeed through history and that this success was not a male concession, not at all… I don’t really feel like translating this time. Cheers, mates.

http://larajacoby.wordpress.com/2010/06/29/65/

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