Violência doméstica tem relação direta com dependência econômica na América Latina, afirma Ong

As mulheres vítimas de violência doméstica na América Latina se submetem aos maus-tratos porque não dispõem de condições financeiras para sobreviver sem a ajuda dos companheiros, maridos e namorados. No Brasil, 24% das entrevistadas disseram que, apesar das agressões que sofrem, não se separam porque não têm como se sustentar. Uma em cada quatro brasileiras sofre com a violência doméstica. A cada 15 segundos, uma mulher é atacada no Brasil.

A reportagem é de Renata Giraldi e publicada pela Agência Brasil, 16-07-2010.

A conclusão é de um estudo da organização não governamental (ONG) Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado Um Lugar no Mundo. A ONG tem sede em Genebra, na Suíça. O estudo, mostra que, na América Latina, os índices de violência doméstica são elevados. A pesquisa informa que, na região, de 30% a 60% das mulheres sofreram agressões.

O relatório analisa a questão da violência contra a mulher no Brasil, na Argentina e na Colômbia. Nesses países, o estudo informa que a “falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus-tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores”. Segundo o documento, “a dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta”.

No Brasil, 70% das vítimas de violência foram agredidas dentro de casa e, em 40% dos casos, houve lesões graves. Das mulheres assassinadas no país, 70% sofreram agressões domésticas. A ONG informa ainda que esses problemas afetam, principalmente, as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.

A maior parte das vítimas não exerce atividades profissionais fora de casa. No Brasil, 27% das entrevistadas disseram que se dedicam ao lar. Na Argentina e na Colômbia, 25% das mulheres se declararam como donas de casa. Algumas delas afirmaram que não têm outras atividades profissionais por desejo dos maridos, companheiros e namorados.

O relatório, de 50 páginas, não especifica a quantidade de mulheres entrevistadas, mas informa ter conversado com dezenas de mulheres, vítimas de violência doméstica, nas cidades de Porto Alegre (Brasil), Buenos Aires (Argentina) e Bogotá (Colômbia).

“O direito à moradia adequada ultrapassa o direito de ter um teto sobre sua cabeça. É o direito de viver em segurança, em paz e com dignidade. É obrigação do governo assegurar esse direito às vítimas de violência doméstica”, disse a responsável pelo setor de Peritos sobre as Mulheres da ONG Cohre, Mayra Gomez. “Por muito tempo, a relação entre violência doméstica e direito à habitação tem sido negligenciada pelos políticos. É tempo de os governos da América Latina corrigirem este erro.”

Violência machista mata 126 mulheres em meio ano
Relatório do primeiro semestre do 2010 do Observatório de Femicidios na Argentina, realizado pela Sociedade Civil Adriana Marisel Zambrano, aponta que entre 1º janeiro e 30 de junho 126 mulheres morreram vítimas da violência machista, 40% a mais do registrado no mesmo período do ano passado.

A notícia é de Mabel Coralles e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 17-07-2010.

O relatório baseou-se em casos publicados pelas agências de notícias e 120 diários do país. Não existem dados oficiais a respeito. Assim, os assassinatos de mulheres podem ser ainda em maior número do que os dados levantados pelo Observatório.

Dos 126 casos reportados, 99 foram cometidos no círculo afetivo, enquanto os 27 restantes ocorreram sem vínculo aparente. A idade das vítimas oscila 13 a 65 anos, com maior prevalência nas da faixa etária dos 19 aos 50 anos.

A modalidade destes assassinatos mostra “ferocidade, planejamento e a aleivosia dos femicidas”. Só 18 parentes das 126 vítimas apresentaram denúncia contra o agressor.

O femicídio, lembrou o Observatório ao apresentar o levantamento, é uma das formas mais extremas de violência contra mulheres, pois significa a morte de uma mulher a quem o agressor tinha como sua propriedade.

“Muitas mulheres ingressaram nos hospitais com evidência de violência sexista, mas ao falecer aparece no atestado de óbito morte por parada cardiorrespiratória ou outro causa, tornando invisível a violência que gerou o quadro traumático”, denunciaram representantes do Observatório.

As pesquisadores pediram que o femicídio seja incorporado como delito grave no Código Penal, com a perda automática e definitiva da pátria potestade do femicidia, e a regulamentação da Lei Nª 26.485 de Proteção Integral para Prevenir Erradicar a Violência contra mulheres.

1 comentário

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Uma resposta para “Violência doméstica tem relação direta com dependência econômica na América Latina, afirma Ong

  1. Jarbas Pitaguary.M. Pires

    Denunciar sempre. Desistir de liberta-se numca.

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