Mobilização contra a violência de gênero em Istambul

Acções contra a violência de género em Istambul

Cerca de 500 mulheres integrando delegações de 22 países,participaram nas várias sessões de debates e partiram depois em manifestação em direcção à Praça Taksim, Istambul. 2010 é o ano da III Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM). Foto de Nelson Peralta

Violência contra as mulheres e Paz e desmilitarização são dois dos eixos principais da intervenção política desta III Aão Internacional que promove acções e iniciativas em vários pontos do globo, percorrendo países e continentes sob o lema “Mulheres em Marcha: até que todas sejamos livres!”.

Cerca de 500 mulheres integrando delegações de 22 países, participaram em várias sessões de debate realizadas durante o dia de quarta-feira e partiram depois em manifestação em direção à Praça Taksim, Istambul, um local carregado de simbolismo histórico das lutas pela liberdade.

A iniciativa da MMM pretendia também dar visibilidade à situação particular das mulheres turcas e curdas, vítimas não apenas de situações específicas de opressão patriarcal, como também, sobretudo no caso curdo, de discriminação social, cultural e nacional.

A situação específica turca foi sublinhada por uma jovem manifestante ao explicar que o estado de guerra em que vive o país e a “cultura de militarização” que nele prevalece afectam particularmente a situação das mulheres tanto turcas como curdas, sujeitas a “bastante opressão” no seu dia-a-dia.

“Resistir, denunciar, condenar, mobilizar, prevenir são as armas de que as mulheres dispõem para romper com o paradigma de dominação e violência sexista”

Almerinda Bento, que integra a Coordenação Portuguesa da MMM e é membro da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta – coordenou um dos workshops realizados.

No workshop que discutiu o tema da violência de género, a feminista salientou a presença em Istambul de uma delegação de mulheres da região balcânica integrando também participantes oriundas da Grécia e às quais se juntaram representantes turcas.

Almerinda Bento afirmou que “numa situação de grande ataque aos direitos sociais, económicos e políticos como a que se vive é muito importante que os movimentos de mulheres, sociais e sindicais descubram os seus pontos de encontro para definirem estratégias comuns de luta”.

Além disso, lembrou também que “a violência é um problema estrutural, transversal, não localizado em certas pessoas ou regiões” e que se “expressa quer no espaço privado (violência doméstica) quer na esfera pública sob múltiplas facetas (assédio no local de trabalho, mercantilização dos corpos das mulheres, tráfico, prostituição, pornografia, casamentos forçados, escravatura, etc.)”.

A tolerância e a permanência do fenómeno da violência contra as mulheres resultam do silêncio, da discriminação, da impunidade e da desigualdade nas relações de género, sublinhou Almerinda Bento, acrescentando que “o sistema patriarcal exige mulheres submissas, resignadas, passivas; não tolera mulheres emancipadas, lutadoras, que vivam livremente a sua sexualidade e que saiam do controlo dos papéis que a sociedade e a tradição lhes querem impor – boas mães, boas esposas, cuidadoras”.

A feminista portuguesa referiu ainda que “o papel das mulheres na sua resistência individual ou em organizações de defesa dos direitos das mulheres, ou integradas em movimentos sociais, é fundamental para inverter este estado de coisas”.

A MMM realizará uma acção em Lisboa, nas vésperas da Cimeira da NATO, em Novembro.

http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/07/02/mobilizacao_contra_a_violencia_de_genero_em_istambul/

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