Comissão de Anistia homenageia mulheres brasileiras

Serão apreciados os processos de 15 mulheres que foram perseguidas politicamente durante o regime militar (1964-1985)

Brasília, (MJ) 05/03/2010 – Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia realiza na próxima segunda-feira (8) uma sessão especial de julgamento. Serão apreciados os processos de 15 mulheres que foram perseguidas politicamente durante o regime militar (1964-1985). O julgamento acontecerá a partir das 10 horas, na sala 304 do Ministério da Justiça.

Será a terceira vez que a comissão promoverá sessão de homenagem às mulheres na data. Em 2007 e 2008, 24 brasileiras vítimas da ditadura tiveram seus requerimentos analisados pelo órgão em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

As homenagens fazem parte de uma sessão especial de julgamento da Comissão de Anistia que, desde 2007, tem como propósito democratizar o acesso às informações e contribuir para a formação cultural, humana e política da sociedade brasileira. A sessão da próxima segunda-feira será presidida pela vice-presidente da Comissão, Sueli Belato.

Confira os processos que serão julgados no próximo dia 8:

Maria Cândida Raizer Cardinalli Perez – Ex-esposa de Luiz Henrique Perez (militante estudantil e ex-preso político), é engenheira agrônoma formada pela USP. Foi demitida da Fundação IPARDES, no Paraná, no final em 1977 em função do nome de seu ex-esposo constar de lista do Serviço Nacional de Informações (SNI) como um dos 97 comunistas ocupantes de cargos público em esfera federal ou estadual.

Isa Mariano Macedo
– Estudante e militante junto ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Belas Artes da UFRJ, foi presa em fevereiro de 1970. Ficou detida 50 dias no DOI-CODI, onde sofreu tortura física e psicológica. Transferida para o Presídio São Judas Tadeu, também no Rio, foi solta tempos depois em função das torturas que sofreu.

Maria Beatriz de Albuquerque David – Militante ativa, foi presa, pela primeira vez, em 1968, em sua residência, em XXX, enquanto dormia. Atingida pelo decreto 477/69, foi impedida de estudar no Brasil e compelida ao afastamento da atividade que desempenhava junto ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Refugiada no Chile, foi presa no Estádio Nacional do Chile, após o golpe que destitui o presidente, Salvador Allende, em 1973. Asilou-se na Suécia, onde permaneceu até fevereiro de 1979, quando retornou ao Brasil – foi presa pela Polícia Federal após desembarcar com seu filho, de 11 meses. Somente depois de prestar longo depoimento foi liberada.

Maria da Glória Lung
– Estudante de psicologia na UFRJ e professora, era militante estudantil e integrante da organização política clandestina Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Detida em 1970, foi denunciada em processo da 2ª Auditoria da Aeronáutica. A anistianda afirma que diante da situação, e após muita pressão e ameaças, foi aconselhada a pedir exoneração para que não tivesse sua vida profissional “maculada por uma demissão por justa causa”.

Denise Fraenkel Kose – Foi detida em setembro de 1969, quando era professora estadual em São Paulo e casada com Renato Hermann Fraenkel, militante da ALN – ele havia sido preso no XXX Congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna. Denise viveu fora do país nos anos 1970 em função das perseguições políticas. Seu nome constava de lista do governo que citava os brasileiros exilados, refugiados, foragidos ou banidos do país. É filha de Joaquim Câmara Ferreira, que pertenceu ao Comando Nacional da ALN e foi preso em São Paulo em 23 de outubro de 1970 e morto sob torturas no mesmo dia.

Vera Lúcia Marão Sandroni
– Presa em 1968, quando era estudante da Escola de Comunicações Sociais da USP, por também ter participado do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna. Foi indiciada em inquérito policial militar. Também teve que sair do país. Era monitorada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e pela Polícia Federal.

Elizabel Maria da Paixão Couto – É filha de Francisco Raimundo da Paixão, anistiado pela Comissão de Anistia, e de Edna Maria da Paixão. Ambos militavam junto ao PCB em Governador Valadares (MG). Com o golpe militar de 1964, houve um cerco à entidade de representantes de classe da cidade, onde foram disparados vários tiros pela polícia. Os disparos atingiram Elizabel, com apenas cinco anos na época. Seu pai foi compelido ao exílio, deixando os filhos e a esposa desamparados no interior de Minas Gerais.

Maria Alice Albuquerque Saboya – Estudante da UFRJ, foi presa em 1970 pelo DOPS, quando foi compelida a deixar o estágio que fazia no Centro de Reeducação de Ipanema. Após ser indiciada pela polícia, ficou sob liberdade vigiada. Refugiou-se no Chile, Argentina e Alemanha.

Vera Lucia Carneiro Vital Brazil – Estudante, militante de movimento estudantil universitário, integrante do PCBR, foi presa e torturada no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Também foi indiciada em inquérito-policial militar.

Vitória Lúcia Martins Pamplona Monteiro – Psicóloga, trabalhava com recrutamento de pessoal na Infraero quando foi presa no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Foi torturada, indiciada em inquérito-policial militar e demitida por razões políticas.

Maria Inêz da Silva
– Era estudante quando foi obrigada a exilar-se no Chile em 1973, em função de perseguição política. Logo após o golpe no Chile, refugiou-se na Argentina e posteriormente na Bélgica, só retornando ao Brasil em 1980 por causa da Lei de Anistia.

Maria Albertina Gomes Bernaccio – Era estudante de arquitetura da USP quando começou a militar ativamente nos movimentos estudantis e na ALN. Presa em abril de 1974, foi posta em liberdade quase um mês depois após pressões da imprensa, da Câmara dos Deputados e do então arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.

Helena Sumiko Hirata – Estudante da USP, militava no Partido Operário Comunista (POC). Também foi presa durante o XXX Congresso de Ibiúna. Indiciada em inquérito-policial militar, exilou-se na França, onde permaneceu até a extinção da punibilidade da sentença que lhe havia condenado a quatro anos de reclusão.

Celeste Fon – Após ter o apartamento de sua família invadido em setembro de 1969, foi presa por agentes da Operação Bandeirantes (OBAN). Nos anos 1970, desenvolveu trabalho político ativo junto à Comissão de Familiares de Presos Políticos de São Paulo, participando em diversas atividades pela Campanha da Anistia. Atuou também junto ao Sindicato dos Bancários.

Ana Lima Carmo Montenegro (post mortem) – Ingressou no Partido Comunista ainda na década de 1940, época em que cursava Direito na UFRJ. Fundou diversas entidades de luta femininas e participou da Frente Nacionalista Feminina entre 1950 e 1964, além de uma série de outras atividades. Foi a primeira mulher exilada após o golpe. Morou no México e na Europa. Voltou ao Brasil com a anistia de 1979. Mais tarde atuou na Comissão de Direitos Humanos da OAB da Bahia. Faleceu em 30 de março de 2006 aos 91 anos.

http://www.ciranda.net/spip/article3746.html

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