A violência contra as mulheres de forma mais ampla: uma questão de cultura?!?

Embora a discussão, os estudos e a legislação sobre violência contra as mulheres atualmente englobem as várias formas de manifestação (violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), o grande foco encontra-se nos atos violentos visíveis, que deixam marcas físicas nas vítimas e praticamente não consideram a violência simbólica como prejuízo real às mulheres em situação de violência.

Faz-se necessário, portanto, que o enfrentamento à violência contra as mulheres seja conjugado a uma discussão ampla, capaz de desvendar e desconstruir as amarras da cultura milenar que estruturou e consolidou as desigualdades de gênero. Cultura aqui compreendida como um sistema simbólico formado por linguagem, arte, moral, direito, costumes, crenças religiosas, etc, que garante/reproduz a integração social. São esses sistemas simbólicos que conferem sentido ao social e possibilitam consensos sobre a ordem estabelecida.

Vários elementos simbólicos funcionam como mecanismos eficientes de reprodução do patriarcado, tanto na esfera pública quanto na privada. A noção de “violência simbólica” busca traduzir a infinidade de discursos sobre o feminino (mulher), e suas relações com o masculino (homem).

Esses enunciados, de forma rotineira e quase imperceptível, orientam ações, difundem modelos referenciais, valores e julgamentos que, vinculados à prática social, dão sentido às construções dos sujeitos e reelaboram e reafirmam identidades.

A isso, Segato (2003) define como “violência moral”: “Todo aquello que envuelve agresión emocional, aunque no sea ni consciente ni deliberada. Entran aquí la ridicularización, la coacción moral, la sospecha, la intimidación, la condenación de la sexualidad, la desvalorización cotidiana de la mujer como persona, de su personalidad y sus trazos psicológicos, de su cuerpo, de sus capacidades intelectuales, de su trabajo, de su valor moral” (Rita Laura Segato, Las estructuras elementares de la violencia, Buenos Aires, Universidad de Quilmes, 2003, p.115).

Tal como observa a autora, esse tipo de violência pode ocorrer sem nenhuma agressão verbal, manifestando-se com gestos, atitudes, olhares. É uma violência naturalizada, porque está presente nos mesmos processos de socialização que ensinam aos sujeitos como se comportarem em sociedade.

Dizer que pode ocorrer sem nenhuma agressão (verbal ou física) não tira o prejuízo que causa a toda sociedade que, se estruturada num sistema de status que inferioriza um dos sexos, acaba por legitimar outros tipos de violência, como a sexual. Pois o corpo da mulher, por muito tempo visto como domínio do homem, gerou uma cultura em que o uso e abuso desse corpo, quando realizado pelo “dono” (pai, marido, parente), é considerado legítimo, mesmo que tal situação não esteja mais prevista na legislação vigente.

A Campanha 16 Dias de Ativismo, edição 2009, é justo uma ferramenta para sensibilização de homens e mulheres para que percebam e alterem comportamentos e atitudes causadores de violências contra as mulheres.  Junte-se a nós! Comprometa-se! Tome uma Atitude! Exija seus direitos! Afinal, uma vida sem violência é um direito das mulheres!

Fonte: Campanha 16 Dias de Ativismo

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, feminismo, ofensiva contra o machismo

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