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A marcha das “p…”

Por Maria Berenice Dias, advogada (OAB-RS nº 74.024)

Bem assim: a letra  “p” e reticências.

Esta era a forma utilizada por todos os meios de comunicação para identificar as mulheres que, simplesmente, assumiam o livre exercício de sua sexualidade. Seja profissionalmente, mediante remuneração; seja pelo só fato de se vestirem de uma forma considerada inadequada,  deixando exposta alguma parte do corpo que poderia revelar que  se tratava de um corpo feminino.

Inclusive houve época que eram assim rotuladas as mulheres que saiam do casamento por vontade própria. Nem importava a causa. Separadas e desquitadas eram consideradas “p…”.  Mulheres disponíveis que qualquer homem tinha o direito de “usar”.

Claro que muitas coisas mudaram. E não há como deixar de prestar tributo ao movimento feminista que, em um primeiro momento, gerou tamanha reação que convenceu até as mulheres que não poderiam ser ativistas, o que as identificaria como mulheres indesejadas. Talvez pelo absurdo de reivindicarem as mesmas prerrogativas dos homens.

É significativo constatar que ao feminismo não se atribuía adjetivações ligadas à prática sexual. Ou seja, as feministas eram mulheres feias, mal-amadas, lésbicas, mas não eram chamadas de “p…”.  Eram mulheres que homem nenhum quis.  Por isso saiam às ruas em busca de igualdade.

De qualquer modo, um movimento tão significativo que mudou a feição do mundo, a ponto de se dizer que o século 20 foi o século das mulheres.

Apesar dos avanços em termos de igualdade de oportunidades no mundo público, na esfera privada ainda é longo o caminho a percorrer. Basta atentar à violência doméstica cujos assustadores números só recentemente vem sendo revelados graças à Lei Maria da Penha.

Mas há outra violência que somente agora está levantando o véu da impunidade: a violência sexual. Como a virilidade é reconhecida como o maior atributo do homem, o livre exercício da sexualidade, sempre foi um direito ao qual as mulheres precisam se submeter. Inclusive ainda se fala em débito conjugal e tem gente que acredita que o casamento se “consuma” na noite de núpcias, e busca anulá-lo sob o absurdo fundamento de que o casamento não ocorreu.

O controle da natalidade é outro exemplo da absoluta irresponsabilidade masculina. Até hoje se atribui à mulher o encargo de prevenir a gravidez. É sua a culpa pela gestação indesejada. É ela que precisa fazer uso dos meios contraceptivos, em face  da enorme a resistência dos homens ao uso de preservativos.

Ou seja, as mulheres sempre tiveram que se submeter ao “instinto sexual” masculino.  Algo que parece dominar a vontade do homem que se torna um ser irracional, que não poder ser responsabilizados pelos seus atos. As mulheres são culpadas por excitarem os homens, que viram bestas humanas e não merecem responder por seus atos.  Por isso, nos delitos sexuais, o comportamento da vítima é invocado como excludente da criminalidade.

Até que enfim as mulheres estão se dando conta de que submissão e castidade não lhes servem mais de qualificativos. Não são atributos que lhes agrega valor. Têm o direito de agirem, se vestirem e se exporem do jeito que desejarem. Não podem ser chamadas de putas, vadias, vagabundas, adjetivos que só servem para inocentar os homens que as estupram.

Vislumbra-se um novo um novo momento, em que as mulheres passam a ter orgulho de sua condição de seres sexuados. A Marcha das Vagabundas, que está acontecendo no mundo todo, é uma bela prova. Reação à afirmativa de um policial, em uma universidade de Toronto, Canadá: as mulheres devem evitar se vestirem como “slut” para não se tornarem vítimas. A expressão que pode se traduzido por vadia, vagabunda ou puta.

Depois que nos tornarmos sujeitas de nossos direitos, é chegada a hora de assumirmos a condição de senhoras de nossos desejos.

berenice@mbdias.com.br

Fonte: http://www.espaçovital.com.br/noticia_ler.php?id=23944

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VIVA A MARCHA DAS VADIAS! JÁ A REAÇÃO A ELA…

Respeite as mulheres se for homem. E empatize conosco.
Foi ontem a primeira Marcha das Vadias brasileira, realizada em SP. Pelas fotos e pela repercussão gerada, dá pra ver que foi um sucesso. Talvez não tenha tido o número esperado de participantes (6 mil haviam confirmado presença; a Polícia Militar contabilizou 300), mas foi a primeira, e é isso que conta. Fazia tempo que não se via tanta palavra de ordem a favor das mulheres numa manifestação. E essas palavras de ordem estamparam manchetes em todo o Brasil. Isso é muito positivo!

Já falei minha opinião a respeito da Marcha neste post, e também em duas entrevistas. Tenho um pouco de pé atrás com o nome, vadias, sluts, porque é sempre complicado reapropriar o significado de um termo (o único caso bem sucedido que conheço é queer, que o movimento LGBTTT conseguiu tirar do sentido pejorativo e até o adotou pra nomear toda uma linha de pesquisa, a de queer studies). Eu preferiria que termos como vadias, vagabundas, piranhas, galinhas, putas, vacas etc etc — enfim, todos esses nomes criados e amplamente usados para condenar a sexualidade feminina — desaparecessem do mapa.Mas o importante é que a Marcha em si deixa claro que a sexualidade de uma mulher é dela, não é pública, não é do homem ou da sociedade, e que deve ser respeitada. Respeitada de todas as formas, desde não ser julgada (sim, queremos a mesma liberdade sexual a que os homens têm direito) a não ser invadida, seja através de estupros, seja através de “passar a mão” (que, assim como as grosserias verbais na rua, funcionam como uma espécie de terrorismo sexual).
Sempre que mulheres reivindicam autonomia sobre seu corpo — para ter o direito de fazer um aborto, para poder continuar amamentando em público, para poder transar com quem escolher — a sociedade (os homens principalmente, mas também as mulheres acostumadas a serem controladas) se une para barrar esse direito básico.Por isso não me espanta que a reação à Marcha das Vadias, a julgar pelos comentários, seja a pior possível. Tem os comentários machistas de sempre avaliando o corpo das participantes, lembrando sobre quem manda e a quem pertencem aqueles corpos. E, lógico, chamando feministas de mal amadas, dizendo que “há tanta coisa importante contra o que se protestar” (escrevi sobre essas acusações clichê ontem; são sempre exatamente as mesmas, não importa o objetivo da manifestação! Se há mulher envolvida, haverá esses clichês bocós, típicos de quem não tem argumentos), que a louça tá se amontoando na pia… O que me preocupa mais são comentários como este, deixado na caixa do Bolsa de Mulher (por quem também fui entrevistada):
“Querem esfregar um suculento pedaço de carne na cara de um leão faminto e obrigá-lo a não mordê-la, fala sério, quer quase o impossível, manter o leão sob fortíssima repressão ao limite da explosão. O instinto de sobrevivência e o sexual são indomáveis, querer domá-los é guerra perdida como a guerra contras as drogas. A mulher quer a liberdade de andar seminua pelas ruas, provocante, insinuante, sensual e negar-se a todos os homens q a desejam exceto o q ela escolher, isto não lhe parece discriminação, preconceito e antidemocrático? Não apoio e nem quero justificar o estupro. Querem diminuir a incidência de estupros? Vistam-se e comportem-se como mulheres de respeito. [...] Assuma os riscos de provocar um dos maiores instintos masculinos, o sexual, dentre estes, muitos de mau caráter. Assuma sua parte da culpa”. Eu fui lembrada na Marcha! Obrigada, gente!

Pra quem não quer justificar o estupro, ele até que faz um belo serviço, né? Esse discurso incoerente é o mais comum. E é por isso que eu bato na mesma tecla: homens, estupro tem mais a ver com violência e poder que com sexo. Lembrar que homens estupram e que mulheres são estupradas não equivale a dizer que todos os homens estupram, nem que todas as vítimas sejam mulheres, nem que todas as mulheres são estupradas. Mas uma em cada três já sofreu alguma forma de abuso sexual (eu disse, e repito: toda mulher tem uma história de horror pra contar). E pensar que todos esses casos foram cometidos por psicopatas doentes é querer mascarar a realidade e continuar fingindo que os “homens de bem” não têm nada a ver com a história. Ou seja, é continuar lavando as mãos e dizendo que estupro é um problema das mulheres. É uma atitude cômoda e covarde. Se você, homem, se incomoda com o estupro, então mexa-se! Converse com seus amigos sobre o assunto. Discuta sobre o que vocês consideram estupro, sobre como vocês falam “Essa daí tá pedindo”, sobre o tão comum “O quê ela estava vestindo?”.
Duvido que o autor do comentário acima seja um psicopata, sequer um estuprador. Mas analise o discurso dele. Veja quantas mensagens que ouvimos e repetimos diariamente estão contidas em tão poucas linhas:Algumas das sempre poderosas blogueiras feministas juntas na Marcha.

1) Mulheres são reduzidas a um suculento pedaço de carne. É isso que somos? Só isso?
2) O “instinto” sexual masculino é incontrolável. Em outras palavras, o leitor diz que homens não podem se conter, e que querer contê-los é “guerra perdida”. Ele parte de uma ciência tosca, a psicologia evolucionista (e já tem três décadas que a mídia repete essa ladainha como se fosse verdade absoluta!), para dizer que a violência sexual é uma questão de sobreviência da espécie. Isso representa naturalizar a violência. Quando se naturaliza alguma coisa, caímos no “é assim que as coisas são”. Fica difícil combater. Essa é a função da ideologia dominante: naturalizar um discurso para que não percebamos que é um discurso e, assim, não podermos combatê-lo.
3) O leitor, ao mesmo tempo em que acha sensual ver mulheres “seminuas pelas ruas”, também condena essas mulheres. É o velho discurso moralista de que nós “devemos nos dar o respeito”. Se não nos respeitarmos, diz o discurso, então os homens tampouco precisam nos respeitar. Libera-se o estupro (as pessoas não costumam achar que prostituta não pode ser estuprada?).
4) O leitor lamenta que as mulheres possam escolher o parceiro sexual (ou os parceiros, ou as parceiras). Nesse discurso entra a negação da autonomia da mulher sobre seu corpo, e também a ideia 100% equivocada de que só homem gosta de sexo. O leitor se revolta não contra os estupros que as mulheres sofrem, mas contra o fato das mulheres não quererem fazer sexo com ele, e ele não poder pegá-las a força.
5) Ele termina jogando a culpa do estupro na mulher. Apesar de tudo que ele disse antes (o homem é indomável, é natural, é a lei da sobrevivência e do mais forte), quando uma mulher é estuprada, a culpa é dela. Ou pelo menos parte da culpa. Talvez um pedacinho minúsculo da culpa, segundo o leitor, caiba não ao homem, mas ao seu “instinto”. Azar. É instinto, é biológico, não há nada que se possa fazer. E aí, quantas vezes você e seus amigos (e também suas amigas, lógico) conversaram sobre sexo nesses termos? Melhor perguntar: quantas vezes hoje? Pense em esse tipo de discurso perpetua a violência contra a mulher. Então reflita: mulheres de todos os tipos e idades são estupradas (inclusive as feias, Rafinha). As roupas que vestem quando são estupradas variam enormemente. 80% dos estupros não seguem o roteiro lugar-comum de mulher sozinha numa rua escura à noite. Só 20% dos estupros são cometidos por estranhos. Os outros 80% são cometidos por conhecidos da vítima. Como a roupa que a vítima está usando tem alguma relevância nesses casos?
Sabe o que não muda nunca? O discurso. É o mesmo discurso, tão bem resumido pelo leitor acima. É isso que nós mulheres queremos combater, e que manifestações como a Marcha das Vadias expõem tão bem. Mas não vamos ganhar essa luta sozinhas. Precisamos de você, homem. Em vez de criticar as mulheres, as feministas e nossas causas, ponha-se no nosso lugar. Empatia — essa é a palavra-chave.A Marcha acabou em frente ao clube de comédia de Rafinha e D. Gentili.

Fonte: http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com/

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Marcha das Vadias em São Paulo (SlutWalk)

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SlutWalk SP: um grito diversificado contra o machismo

Aconteceu ontem, 4 de junho, a primeira Marcha das Vadias em São Paulo (versão brasileira da SlutWalk), com cerca de 300 participantes – pode parecer pouca gente, mas foi bonita e forte.

Cartazes com frases como: “Respeito é sexy, machismo brocha” e “Sou mulher, não sex toy” eram carregados entre a cantoria e a batucada. Muita gente fotografando, filmando, registrando. Por onde passava a marcha, era possível notar olhares curiosos de pedestres, comerciantes e moradores da região.

Jovens, velh@s, homens, mulheres. Homem vestido de mulher, mulher com adesivo “periguete”, mulheres com roupas “provocantes”, mulheres com roupas mais “discretas” e protegidas do frio, ou até mesmo quase sem roupa andavam junt@s.

Mulher diz não é “pedaço de carne”
Eram manifestantes com perfis diferentes e que, mesmo se tratando de um assunto tão sério, se mantiveram sorridentes e animad@s. Defendiam em alto e bom som o direito de se vestirem como quiserem e convidando quem observava a “ir pra rua contra o machismo”.

A Marcha, que tinha como principal objetivo questionar a ideia de que vítimas de violência sexual tem culpa por serem violentadas, começou na av. Paulista e desceu a rua Augusta até a porta do clube de comédia dos CQCs Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

“Machismo mata,
estupro não é piada”

Ponto final: cartazes em protesto

Rumo ao Comedians, na rua Augusta.
O destino foi escolhido por causa de uma “piada” contada por Rafinha Bastos, durante uma de suas apresentações de stand up, na qual afirma que estupro de mulher feia “é uma oportunidade” e que o estuprador “não merece cadeia, merece um abraço”. Segundo o amigo e sócio, Danilo Gentili, a piada é contada há anos, mas só ficou mais conhecida depois de uma matéria com o perfil do apresentador.

“A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria”, “Preste atenção, o corpo é meu, a minha roupa não é problema seu”, cantavam @s manifestantes, que, ao chegarem na porta do Comedians, emendaram “Me processa, Tas”, em referência à ameaça de processo que o apresentador Marcelo Tas fez a blogueira feminista Lola.

Um dos policiais que fazia a escolta ficou curioso como os comentários e cartazes que criticavam Rafinha Bastos e perguntou “qual deles é o Rafinha”. Depois quis saber qual tinha sido a piada. Quando contei, fez uma cara de indignação e afirmou com firmeza “Vocês têm razão”.

Já começaram a ser organizadas mais Marchas em outras cidades, como Brasília e Belo Horizonte.

Natalia Mendes é jornalista
(Imagens/Vídeo de Thiago Domenici/Natalia Mendes)

Fonte: http://www.notaderodape.com.br/

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Isso não foi uma brincadeira!

Mais uma vez o machismo mostrou que ainda está presente naquele que deveria ser o espaço de maior reflexão sobre a sociedade: a universidade. Entre os dias 09 e 12 de outubro, em Araraquara, estudantes  da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) realizaram o Interunesp. O maior evento esportivo e cultural de jogos universitários do Brasil, a edição desse ano contou com a participação de 15 mil jovens.

No último dia 27 de outubro, jornais de todo o estado de São Paulo publicaram um chocante acontecimento ocorrido durante o Interunesp (leia a matéria aqui). Cerca de 50 estudantes encabeçaram mais uma forte expressão do machismo chamado de “rodeio de gordas”. O rodeio consistia basicamente em os meninos se aproximarem das meninas, de preferência, as acima do peso, como se fossem paquerá-las, depois as agarravam, montados em cima delas ficando o máximo de tempo possível, exatamente como os peões fazem nas arenas.

Os meios de comunicação e a sociedade trataram o caso como bullying. Entretanto, ao contrário da maneira como foi tratado, o “Rodeio de Gordas” é uma forte expressão do machismo ainda presente na sociedade em que vivemos. Pode ser considerado bullying, mas é preciso caracterizar este bullying como machista.

Casos como esses só ocorrem graças à ditadura da beleza imposta pela sociedade capitalista e machista e reforçado pelos meios de comunicação. O que aconteceu na UNESP representa o que vemos em diversos espaços públicos: o tempo todo as mulheres são julgadas de acordo com sua aparência estética. Parece que para ser valorizada como profissional, a mulher deve, primeiro, corresponder a um ideal estético que se refere a um modelo de feminilidade que nos coloca em uma situação de subordinação com relação aos homens na sociedade.

Nós, mulheres estamos na universidade porque muitas que vieram antes de nós reivindicaram o direito das mulheres à educação. As mulheres representam hoje 55% dos estudantes universitários. Ainda há desafios a ser superados, no sentido de romper preconceitos e discriminações sociais que concentram as mulheres em áreas do saber relacionadas ao que é tradicionalmente considerado feminino, como alguns cursos de humanas e saúde (pedagogia, enfermagem, etc). Mas o “rodeio das gordas” nos remete a outro desafio colocado para a presença das estudantes na universidade: o reconhecimento de que temos direito de ocupar esse espaço, e que devemos ser respeitadas como sujeitos que estão em pé de igualdade com os homens no que se refere à produção de conhecimento, por exemplo. Ao contrário do que querem muitos, não somos apenas corpos que enfeitam a universidade enquanto os homens estudam. Somos seres pensantes, construímos o conhecimento, a economia, a cultura e a sociedade.

O machismo não é criado pela universidade, mas esta que deveria ter o papel de transformar as relações de desigualdade que estruturam a sociedade, está na verdade reproduzindo a opressão. Infelizmente, o Rodeio das gordas não foi um fato isolado, tampouco é uma brincadeira, como os estudantes afirmaram. Insere-se na mesma leva de manifestações machistas que a agressão à Geisy Arruda na Uniban, à rifa de mulheres em um Encontro de Estudantes de História, aos vários exemplos de festas e calouradas extremamente sexistas, seja no cartaz, seja no trote. Nós, mulheres organizanadas no movimento estudantil e na Marcha Mundial das Mulheres na luta pelo fim do machismo nos solidarizamos com todas as estudantes e exigimos punição a todos os envolvidos nesse caso e em todos os outros que não repercutem na mídia.

Jéssika Martins Ribeiro é vice-presidente da União Estadual dos Estudantes (UEESP) e militante da Marcha Mundial das Mulheres

http://ofensivammm.blogspot.com/

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