Arquivo da categoria: Dia internacional da mulher

Recadinho da presidenta Dilma pros machistas!

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“Não se esqueçam que a maior autoridade deste país é uma mulher, uma mulher que não tem medo de nada nem de ninguém.” 

Fala de Dilma em seu último pronunciamento – 08/03/2013

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, ofensiva contra o machismo

Em fotos, a caminhada de Dia Internacional da Mulher em Porto Alegre

Diversos movimentos sociais ligados ao Fórum Estadual das Mulheres promoveram no Dia Internacional da Mulher, 8 de março, uma marcha pela centro de Porto Alegre. A caminhada tem concentração às 16 horas, no Largo Glênio Peres, e terminou na praça da Matriz. A marcha ‘Mulheres em Luta contra o Capitalismo e o Patriarcado – Por Autonomia, Igualdade, Liberdade e pelo fim da violência’ foi organizada em alas temáticas, cada uma relacionada a um movimento.

Entre elas, a ala por um mundo sem violência; por soberania alimentar e energética (Reforma Agrária, Licença maternidade de 6 meses, contra a violência no campo e na floresta, contra os Agrotóxicos); por um mundo livre do capitalismo (por autonomia econômica, igualdade salarial no trabalho, creche, licença de 6 meses e estabilidade, contra a violência no trabalho e na família);por reforma política com igualdade para as mulheres e contra qualquer ataque aos direitos das trabalhadoras – nenhum direito a menos.

Além da marcha, o movimento redigiu uma Carta das Mulheres, reunindo todas as plataformas feministas e entregou o documento um dia antes da marcha a todos os poderes.

Confira as imagens da caminhada, registradas pelo fotógrafo do Sul21 Ramiro Furquim.

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fonte: Sul21

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, mulher

Ato das mulheres na Vila Cruzeiro, Porto Alegre, 08.3.2013

Ato na Vila Cruzeiro, Porto Alegre, na Jornada Nacional de Lutas das Mulheres do Campo e da Cidade. Comunidade atingida pelas obras, mulheres da Via Campesina, do MTD e do Levante da Juventude marcham até o escritório que a Prefeitura mantém no local, para pressionar os moradores a irem embora. A Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. E as mulheres, o que têm a ver com isso?

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El 8 de marzo queremos derechos, no flores

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março 8, 2013 · 11:02 pm

8 de marzo: queremos derechos no flores

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março 8, 2013 · 11:00 pm

Declaração da Marcha Internacional das Mulheres para o 8 de março 2013 – Dia Internacional das Mulheres

Declaração da Marcha Internacional das Mulheres para o 8 de março 2013 – Dia Internacional das Mulheres
Nós, mulheres do mundo, transformamos nossa dor em fortaleza

Nós, mulheres de todos os povos, idades, classes e sexualidade, resistiremos à crescente criminalização que pesa sobre nós e os nossos protestos e propostas. As ruas e os demais espaços públicos são nossos! Organizamo-nos em movimentos sociais, sem nos sujeitarmos à pressão para que nos confinemos ao espaço doméstico. Seguimos em luta por leis progressistas que reforcem nossos direitos reais, apesar da violência dos governos e das instituições religiosas com as quais nos deparamos. Todas somos mulheres resistindo e celebrando os avanços que vamos obtendo. Somos todas mulheres filipinas celebrando o avanço da lei de saúde reprodutiva!
Dizemos “Basta” à violência contra nós mulheres! Uma vez mais tomamos a iniciativa e as ruas para protestar contra todas as formas de violência e a sua banalização em nossas sociedades. Denunciamos a violência como elemento estrutural do sistema patriarcal, neocolonialista e capitalista e instrumento de controle de nossas vidas, nossos corpos e de nossa sexualidade. Todas somos mulheres da Índia e do Bangladesh fazendo frente aos estupros e à violência, assim como à impunidade dos agressores. Todas somos mulheres maias rompendo o silêncio dos tribunais e exigindo justiça! Todas somos mulheres moçambicanas na vitória da luta pela aprovação da lei de violência doméstica!
Nós, mulheres indígenas seguimos lutando, mobilizando-nos em massa em nível local e internacional. Usando de forma criativa os instrumentos de luta de que dispomos, exigimos dos nossos governos que respeitem nossos direitos e os dos nossos povos e territórios.Todas somos mulheres B’laan das Filipinas, mulheres maias, xincas e mestiças guatelmatecas defendendo nossos territórios – nossas terras e nossos corpos da indústria mineira e hidroelétrica! Todas somos militantes de Idle no More e todas somos mulheres dos povos originários do Canadá, fazendo frente à discriminação e às injustiças históricas contra os povos autóctones!
Nós, meninas e jovens resistimos às ofensivas do patriarcado em nossas próprias famílias – onde as ideias de “apropriado” e “correto” restringem os nossos movimentos – e na sociedade em geral – onde o acesso à educação, à saúde reprodutiva e à saúde pública nos é negado ou limitado. Seguimos desafiando estas restrições organizando-nos, debatendo, mobilizando e dando respaldo à nossas batalhas. Seguimos dando dinamismo à nossa luta. Todas somos jovens paquistanesas indo à escola apesar das ameaças físicas que enfrentamos! Todas somos estudantes chilenas gritando “não” à privatização do sistema educativo e exigindo uma educação gratuita e de qualidade!
Nós, feministas, seguindo lutando pela autonomia dos nossos corpos, nossa sexualidade e fertilidade. Exigimos a legalização do aborto naqueles países onde ainda somos criminalizadas por exercer o direito de não ser mãe. Não aceitamos retrocessos em matéria de aborto nem de direitos reprodutivos, conseguidos nas nossas lutas das últimas décadas. Todas somos as milhares de mulheres da Turquia, insurgindo-nos contra as acusações governamentais que nos classificam de assassinas! Somos todas jovens europeias lutando contra as ofensivas sobre o direito ao aborto em todo o continente! Todas somos mulheres uruguaias, celebrando a legislação sobre o direito ao aborto no país, mas ao mesmo tempo mantendo-nos alertas frente ao controle em relação às mulheres que desejam exercer este direito e perante possíveis restrições ao mesmo!
Nós, activistas em sindicatos e partidos políticos desafiamos o sexismo e a misoginia manifestados por nossos irmãos de luta, pressionando permanentemente a introdução do nosso feminismo anticapitalista e anticolonialista e de base nos debates, declarações e lutas. Coletivamente, seguimos reforçando-nos, reforçando nossas alianças e reivindicações feministas. Todas somos mulheres nos espaços de convergência dos movimentos sociais – por exemplo, o Florença 10+10, Itália – afirmando nossas análises e reivindicações feministas!
Nós, todas as mulheres, somos cada vez mais rebeldes face à ofensiva conservadora e fundamentalista e à militarização de nossas comunidades. Somos todas mulheres do Mali, desafiando a opressão islâmica ao andar de moto, ao deixar nossos lares para desenvolver nossa vida diária nos espaços públicos e ao lutar contra as violações, a violência sexual e a impunidade dos agressores!
Todas somos europeias, desafiando os nossos governos a fazer frente às medidas de austeridade! Todas somos egípcias desafiando as ameaças graves de violência sexual cada vez que vamos protestar na Praça Tahrir!
Todas somos mulheres da Tunísia lutando pelo comprimento das reivindicações da revolução – trabalho, liberdade, dignidade e cidadania – e contra as tentativas de impor mecanismos de discriminação às mulheres desde a tenra infância (o pré-escolar não misto, o uso do véu no pré-escolar e a incitação ao casamento precoce)!
Nós, mulheres da Marcha Mundial das Mulheres estamos marchando neste 8 de março de 2013, como milhares de nós fizemos nas 24 Horas de Ação Feminista Através do Mundo, a 10 de Dezembro.
Numa onda de ação em todos os continentes estamos transformando a nossa dor em fortaleza.
Marcha Mundial das Mulheres
Foto da Ação 2010 de João Zinclar (in memorian)

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, feminismo

Antes que voltem a queimar as mulheres, entenda a origem do 8 de março

As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres é Editora
Expressão Popular e custa apenas R$ 18,00. Super recomendamos a leitura!

Antes que voltem a queimar as mulheres, entenda a origem do 8 de março. Todos os anos queimar mulheres numa fábrica de Nova York, inclusive dizem que saia fumaça ou cor-de-rosa ou lilás das chaminés. Tem gente até que diz que teciam tecidos lilases no momento do incêndio.

No entanto, a pesquisadora Ana Isabel Alvarez Gonzalez foi atrás da história e no livro “As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres” ela nos conta que a origem do 8 de março nada tem haver com mulheres queimadas em fábrica. Inclusive não existem registros históricos de tal incêndio. A origem do 8 de março tem haver com a luta das mulheres socialistas!

A referência histórica principal das origens do Dia Internacional das Mulheres é a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada em 1910, emCopenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin e outras militantes apresentaram uma resolução com a proposta de instituir oficialmente um dia internacional das mulheres.

Para conhecer brevemente essa história, leia “Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida” produzido pela SOF ‐ SemprevivaOrganização Feminista 

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Mulheres: quebrando paradigmas, construindo o novo – para tod@s

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Mais um banner sério e comprometido com a luta das mulheres. O banner pelo dia de luta feminista foi produzido colaborativamente pelo Ministério da Integração Nacional com imagens cedidas por mulheres fotógrafas que evidenciam o nosso papel na construção desse Brasil. Mulheres que integram e promovem o desenvolvimento regional. 

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Dia Internacional das Mulheres 2013: Declaração MMM

Nós, mulheres do mundo, estamos a transformar a nossa dor em força.

Nós, mulheres de todos os povos, idades, classes e identidades sexuais, resistimos à crescente criminalização que pesa sobre nós, os nossos protestos e as nossas propostas. As ruas e os espaços públicos são nossos! Estamos organizadas em movimentos sociais, apesar de quererem que permaneçamos no espaço doméstico e das pressões com que lidamos no espaço público. Persistimos na nossa luta por leis progressistas que fortaleçam os nossos direitos formais, apesar da repressão e da violência que enfrentamos dos governos e das instituições religiosas. Somos todas mulheres em resistência celebrando as vitórias que alcançámos! Somos todas mulheres das Filipinas celebrando a aprovação da Lei sobre a Saúde Reprodutiva.

Face à violência exercida sobre nós, disemos “Basta”!. Mais uma vez, não esperamos , avançamos  e tomamos as ruas na luta contra todas as formas de violência e a normalização desta violência no seio das nossas sociedades. Denunciamos a violência enquanto elemento estrutural do sistema capitalista, neocolonialista e patriarcal e como um instrumento para controlar as nossas vidas, os nossos corpos e as nossas sexualidades. Somos todas mulheres da India e do Bangladesh a lutar contra a violação, as violências sexuais e a impunidade dos seus autores! Somos todas mulheres Maias a quebrar o silêncio nos tribunais na procura de justiça! Somos todas mulheres Moçambicanas na luta bem sucedida para aprovar a Lei sobre a violência doméstica.

Nós, mulheres indígenas, estamos a contra-atacar. Estamos a mobilizar massivamente ao nível local e internacional. Pedimos que os nossos governos respeitem os nossos direitos e os direitos dos nossos povos e territórios, e usamos com criatividade os instrumentos de luta à nossa disposição. Somos todas mulheres B´laan das Filipinas, mulheres Maias, Incas e mestiças da Guatemala a proteger os nossos territórios – a nossa terra e os nossos corpos – da exploração das indústrias mineiras e hidroeléctricas! Somos todas manifestantes de Idle No More e mulheres das primeiras nações do Canadá contestando as discriminações e injustiças históricas sofridas pelos povos indígenas!

Nós, jovens mulheres e raparigas, resistimos aos ataques patriarcais: no seio das nossas famílias – onde a noção do que é “apropriado” e “correto” é utilizada para restringir os nossos movimentos -, e no seio da sociedade – onde o nosso acesso à educação, a serviços de saúde reprodutiva e a serviços de saúde pública de qualidade, é limitado ou negado… Continuamos a desafiar estas restrições, a organizar-nos, a debater, a mobilizar-nos e a fortalecer as nossas lutas e dar energia e alento às nossas resistências. Somos todas raparigas do Paquistão a frequentar a escola apesar das ameaças físicas contra nós! Somos todas jovens estudantes do Chile a gritar “não” à privatização da educação e a exigir uma educação livre e de qualidade.

Nós, feministas, ainda estamos a lutar pela autonomia sobre os nossos corpos, a nossa sexualidade e a nossa fertilidade. Exigimos a legalização do aborto nesses países onde somos consideradas criminosas por exercer o nosso direito a não sermos mães. Estamos a resistir aos ataques efectuados aos nossos direitos reprodutivos e ao nosso acesso ao aborto, conquistas que obtivemos após décadas de lutas.  Somos todas mulheres da Turquia, aos milhares, erguendo-se  contra as acusações governamentais de que somos assassinas! Somos todas jovens mulheres da Europa a lutar, por todo o Continente, contra retrocessos no nosso direito a aceder a uma Interrupção Voluntária da Gravidez. Somos todas mulheres do Uruguai comemorando a legalização do aborto, ao mesmo tempo que nos mantemos alertas sobre potenciais tentativas de restrição e controlo sobre as mulheres que escolhem exercer esse direito.

Nós, activistas nos nossos sindicatos e partidos políticos, desafiamos o sexismo que perdura e a misoginia revelada pelos nossos próprios irmãos de luta , continuando, sempre, a manter a pressão para a inclusão do nosso feminismo anti-capitalista, de base e anticolonialista nos debates, nas declarações e nas lutas. Continuamos a fortalecer-nos colectivamente, a consolidar as nossas alianças e as nossas exigências feministas. Nós somos todas mulheres presentes em espaços de convergência dos movimentos sociais – como, por exemplo, no Firenze 10+10, Itália – afirmando a nossa análise e exigências feministas!

Nós, mulheres, estamos a tornar-nos cada vez mais rebeldes face às ofensivas fundamentalistas e conservadoras e à militarização das nossas comunidades. Somos todas mulheres e jovens raparigas do Mali, desafiando a opressão Islâmica ao conduzirmos as nossas motas, ao sairmos das nossas casas para continuar as nossas vidas quotidianas nos espaços públicos, lutando contra a violação, a violência sexual e a impunidade dos agressores! Somos todas mulheres europeias desafiando os nossos governos na luta contra as medidas de austeridade! Somos todas mulheres do Egipto desafiando as ameaças sérias de violência sexual pairando sobre nós, ao regressar de novo aos protestos na praça Tahrir! Somos todas mulheres da Tunísia lutando pela realização das reivindicações da revolução – trabalho, liberdade, dignidade e cidadania -, e contra as tentativas de imposição de mecanismos de discriminação das mulheres desde a infância (jardins-de-infância separados para meninas e meninos, o uso de véu nas escolas primárias, e a promoção do casamento precoce).

Nós, mulheres da Marcha Mundial das Mulheres, estamos em marcha neste 8 de Março de 2013, como fizemos durante as 24 horas de Acção Feminista em todo o Mundo a 10 de Dezembro de 2012. Numa onda de acção através dos continentes, estamos a transformar a nossa dor em força!

Marcha Mundial das Mulheres, Março de 2013

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Arquivado em 8 de março, Dia internacional da mulher, feminismo

“Não se acaba com a miséria sem acabar com a desigualdade de gênero”

Em entrevista, a ministra Iriny Lopes, da SPM, expõe projeto para sua pasta e vê pauta das mulheres no centro do governo Dilma

No primeiro mês de março do primeiro ano de governo da primeira mulher a presidir o país, o Brasil de Fato entrevistou a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Iriny Lopes, para saber quais os planos do Executivo para combater a desigualdade de gênero.

Apesar da grande dependência em relação a variados órgãos de Estado e do baixo orçamento, a ministra – ex-deputada federal (PT-ES) por três mandatos – projeta um amplo leque de ações e aposta na convergência de duas prioridades já elencadas pela presidenta Dilma Roussef: política para as mulheres e combate à miséria. Porém, o debate sobre aborto segue “de acordo com a lei”. Confira.

Brasil de Fato – A eleição da primeira mulher para a Presidência da República traz que impactos para a vida das mulheres e para a luta feminista no Brasil?
Iriny Lopes – A eleição da presidenta Dilma é um marco simbólico, político e histórico que põe luz sobre a força da mulher brasileira e sua capacidade para acabar com as práticas discriminatórias, a começar com a pobreza, violência, ausência de participação política e autonomia econômica, política e social das mulheres. Uma mulher na Presidência muda a forma de entender e de operar as políticas, pois terá um olhar mais atento para promover a igualdade como um valor necessário. Mas as feministas querem mais e preconizam uma sociedade igualitária com a erradicação de valores e práticas expressas no sexismo, no machismo, na homofobia e lesbofobia, no racismo e tantas outras formas de intolerância que têm raízes no patriarcado e no capitalismo. Nesse sentido, a presidenta Dilma já apontou que as mulheres terão prioridade no seu governo, o que já é de importância histórica por dois aspectos: ser a primeira presidenta do Brasil e determinar a erradicação da pobreza. Tanto as estratégias de erradicação da pobreza, priorizando as ações de autonomia das mulheres, quanto às bandeiras de luta das feministas têm convergência. Mais do que isso: complementam-se. E quem tem a ganhar são as mulheres.

Durante a campanha, pesquisas indicavam que Dilma Rousseff tinha menos votos entre as mulheres. A bancada feminina no Congresso Nacional também não cresceu. Há uma resistência ao voto nas mulheres por parte delas próprias?
A questão é complexa e está relacionada aos papéis que ainda hoje são atribuídos a homens e mulheres na sociedade. Pesquisa de 2009 do Ibope/Instituto Patrícia Galvão/Cultura Data com o apoio da SPM revelou que 83% dos entrevistados acreditam que a presença de mulheres no poder melhora a política e 73% afirmam que a população ganha com a eleição de mulheres. Embora haja esse reconhecimento, as mulheres ainda não têm as condições para que isso aconteça. No parlamento, a representação feminina é de apenas 10%; no judiciário, 15%. Uma das causas, entre tantas outras que dificultam a participação das mulheres na política, é a legislação eleitoral vigente, em que a escolha de candidatos é determinada pelo poder econômico e não possui mecanismos para garantir a equidade de gênero nos partidos e na escolha de suas representações. Outro aspecto é a quase ausência de oportunidades para a educação cidadã e formação política com perspectivas de gênero. Sabemos que as mulheres são intelectualmente mais qualificadas que os homens por possuírem mais tempo de estudos, mas, na hora de decidir quem ocupa os espaços de poder, o critério é machista.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres entrará no debate da reforma política? Há previsão de intervir em algum outro grande debate nacional?
Nós já estamos atuando nesse sentido, e começamos por articular a bancada feminina no Congresso Nacional para debater a reforma eleitoral e a participação das mulheres na Comissão de Orçamento da Câmara, que vai debater o PPA [Plano Plurianual]. Em nível internacional estivemos, em fevereiro, na criação da ONU Mulheres, em Nova York. Estivemos também com a Cepal [Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe] para tratar da implementação do Consenso de Brasília, documento aprovado pelos países da região durante a XI Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, em julho do ano passado. Atuar nessas áreas é ampliar a nossa perspectiva de combate às desigualdades, em diálogo, especialmente, com países e movimentos sociais da América Latina e África.

O governo estendeu o dia da mulher, 8 de março, para o mês da mulher. O que a SPM fez neste mês?
Uma extensa pauta de compromissos nos estados para dialogar especialmente com governadores e prefeitos na perspectiva de repactuar as políticas públicas para as mulheres e aplicá-las de forma transversal e articulada. Pois é no município que elas repercutem na vida concreta das mulheres.

Em termos de políticas concretas, o que isso significará?
Quando a presidenta Dilma Rousseff determina como eixo central de seu governo a erradicação da miséria, ela aponta para a SPM a sua prioridade, pois não se acaba com a miséria sem acabar com a desigualdade de gênero. A pobreza tem sexo e cor. Do contingente da população que vive nessas condições, as mulheres são a maioria, e, entre elas, as negras, considerando seus filhos e filhas. Já estamos trabalhando para construir as condições para a autonomia econômica e política das mulheres, efetivando medidas para a ampliação do trabalho formal e prevendo ampliar em 2 milhões o número de mulheres empregadas. Nesse sentido, a capacitação e formação profissional é parte dessa estratégia, além do acesso às linhas de créditos diferenciados e apoio às cooperativas, associações e outras formas de cooperação e de trabalho entre mulheres. Vamos também ampliar e melhorar os equipamentos sociais como creches, restaurantes, cozinhas e lavanderias comunitárias, especialmente nas regiões onde há alto índice de população em situação vulnerável. Essas são algumas das ações que já estão em curso. Vamos dar escala a programas como o “Gênero e Diversidade na Escola” para capacitar meio milhão de professores e professoras da rede pública para lidar com as temáticas de gênero, raça, etnia e orientação sexual. Na área da saúde, ampliaremos a cobertura do programa nacional de atenção à saúde integral da mulher, criaremos a rede de atendimento ao parto [Rede Cegonha] para diminuir a mortalidade materna, e ampliaremos os recursos para tratamento de câncer de mama e colo uterino e o número de equipamentos de exames de mamografia.

Mas o orçamento da SPM é reduzido, provavelmente o menor de todos os ministérios [R$ 114,4 milhões para este ano]. Como levar a cabo essas políticas?
Estamos debatendo a matriz de governo para a transversalidade e institucionalidade das políticas, o que significa garantir que elas sejam políticas de Estado. A SPM é um ministério-meio, articula e promove a transversalidade das políticas para as mulheres. São políticas que só podem ser aplicadas de forma articulada entre todas as áreas de governo. É preciso uma mudança na operação dessas políticas, mas, também, na postura dos operadores e gestores públicos, modificando o olhar fragmentado sobre questões que envolvem a perspectiva de gênero. Com a determinação da presidenta Dilma de priorizar as mulheres, isso forçosamente deve ocorrer, o que promoverá uma espécie de aceleração da aplicação dessas políticas e das conquistas das mulheres.

Como a senhora vê a tentativa, por parte do Judiciário, de flexibilizar a Lei Maria da Penha?
A presidenta Dilma afirmou que a Lei Maria da Penha deve ser aplicada com rigor e é assim que o governo federal está tratando a questão. A tentativa de revisão de alguns dos artigos e o questionamento da lei podem representar um retrocesso. Mas contamos com grande apoio dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais, que têm defendido a aplicabilidade da lei. Por isso, firmamos uma parceria com o Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça e o Colégio dos Procuradores Gerais da Justiça, através de um Protocolo de Cooperação, para aprimorar a proteção às mulheres que são vítimas de violência doméstica e para efetivar a punição dos seus ofensores. Uma pesquisa recente da Fundação Perseu Abramo mostra que a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas. A cada dia, dez mulheres são assassinadas. Somente nos últimos 12 meses, 1,3 milhão de mulheres acima de 15 anos foi agredida. Modificar essa lei ou negá-la é negar a condição de igualdade e a integridade das mulheres.

Quais serão as políticas da SPM para as mulheres do campo?
O direito à aposentadoria, à nota de produtora e ao acesso diferenciado a créditos é ainda uma grande necessidade e motivo de uma campanha permanente de orientação sobre esses direitos e como acessá-los. Da mesma forma, uma campanha de enfrentamento à violência contra as camponesas vem sendo desenvolvida. Os créditos diferenciados como o Pronaf [Programa Nacional da Agricultura Familiar] são instrumentos importantes para a sua autonomia econômica, mas precisamos ampliar a escala de acesso e aumentar os valores e desenvolver outros mecanismos de apoio à produção coletiva e cooperada das camponesas. Elas também precisam ser contempladas com equidade na titulação das suas terras e na economia da produção familiar e decisão dessa produção. E isso implica em construir o protagonismo das mulheres, o que só é possível com a participação delas.

Que trabalho a SPM pretende fazer com relação ao aborto?
Estamos tratando com serenidade essa questão. Por orientação da presidenta Dilma Rousseff, o aborto será tratado de acordo com a lei. E nenhuma mulher deve correr o risco de morte por falta de atendimento. Para isso, a rede de atenção à saúde integral da mulher tem a atribuição de acolher e atender as mulheres que necessitam de atendimento nesses casos. Ampliar e defender os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres não é só atribuição do Estado. Toda a sociedade deve debater a questão ouvindo as diversidades e a pluralidade de opiniões, opções e culturas de forma a contemplar todos os setores.

http://www.brasildefato.com.br/node/6146

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